A dor no quadril é um dos motivos mais frequentes de consulta em ortopedia e reumatologia na atualidade. Em muitos casos, ela começa de forma discreta, aparecendo apenas ao levantar de uma cadeira, caminhar por distâncias maiores ou subir escadas, e com o tempo passa a interferir em tarefas simples do cotidiano, podendo limitar a independência tanto em pessoas acima dos 40 anos quanto em indivíduos mais jovens e ativos.
O que é dor no quadril e por que esse sintoma merece atenção?
No vídeo do @Dr. Danillo Almeida, são explicadas as principais causas da dor no quadril, como diferenciar cada origem do problema e quais abordagens atuais ajudam a preservar mobilidade e independência.
A chamada dor no quadril engloba qualquer desconforto percebido na região lateral do quadril, na virilha, na parte posterior próxima aos glúteos ou que irradia para a coxa. Em alguns casos, a dor surge durante o movimento; em outros, incomoda mesmo em repouso ou durante a noite, com intensidade variável de leve a incapacitante.
Entre as queixas mais comuns estão dificuldade para cruzar as pernas, dor ao se virar na cama, rigidez ao levantar-se após ficar muito tempo sentado e sensação de “travamento” ao caminhar. Esse conjunto de sinais indica possível sobrecarga articular ou processo inflamatório em músculos, tendões ou estruturas vizinhas, exigindo investigação adequada.
Quais são as principais causas de dor no quadril?
As causas da dor no quadril são variadas, o que explica por que tratamentos baseados apenas em analgésicos e repouso muitas vezes não trazem resultado duradouro. Em muitos casos, diferentes fatores se combinam, como alterações articulares, sobrecarga mecânica e problemas vindos da coluna lombar.
Entre as situações mais associadas ao sintoma, destacam-se condições que afetam a cartilagem, os tendões e o padrão de movimento, muitas vezes evoluindo de forma silenciosa até provocar dor persistente:
- Artrose do quadril (coxartrose): desgaste progressivo da cartilagem, comum após os 50 anos, mas possível em pessoas mais jovens com histórico de trauma ou alterações anatômicas.
- Tendinites e bursites: inflamações em tendões ou bursas, geralmente ligadas à sobrecarga, movimentos repetitivos ou desequilíbrios musculares.
- Alterações no encaixe da articulação: deformidades leves que podem acelerar o desgaste ao longo do tempo, mesmo quando assintomáticas na juventude.
- Dor referida da coluna lombar: hérnias de disco e outras doenças da coluna podem produzir dor sentida na região do quadril, confundindo o diagnóstico.
- Instabilidade e fraqueza muscular: quando a musculatura de suporte não trabalha de forma equilibrada, ocorre sobrecarga em pontos específicos da articulação.
Nem toda dor percebida no quadril vem de um problema dentro da articulação, e focar apenas no local do incômodo, sem avaliar o corpo de forma global, favorece recaídas. Uma investigação funcional mais ampla ajuda a identificar a verdadeira origem da dor e torna o tratamento mais eficaz.
Remédios e fisioterapia resolvem sempre a dor no quadril?
O uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios costuma ser o primeiro passo para aliviar a dor no quadril, atuando principalmente nos sintomas. Embora reduzam inflamação e desconforto por tempo limitado, essas substâncias não corrigem deformidades, desgaste avançado de cartilagem nem instabilidades articulares, além de poderem causar efeitos colaterais quando usadas por períodos prolongados.
A fisioterapia é amplamente recomendada e frequentemente decisiva para recuperar mobilidade, força e estabilidade do quadril. Porém, na presença de inflamação intensa, artrose avançada ou alterações significativas no encaixe, exercícios isolados e sem ajuste à fase da doença podem não ser suficientes, com risco de piora da dor ou abandono precoce da reabilitação.
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Como é feito um diagnóstico funcional do quadril?
Além de exames de imagem, como radiografias e ressonâncias, a avaliação detalhada da dor no quadril inclui um diagnóstico funcional. Nessa abordagem, o profissional procura entender não apenas onde dói, mas como o quadril se comporta nas atividades diárias, relacionando o sintoma ao padrão de movimento e ao impacto na rotina.
São analisados o momento de início da dor, fatores desencadeantes, movimentos que pioram ou aliviam o incômodo, alterações na marcha, amplitude de movimento, força muscular e sinais de inflamação localizada. A combinação entre história clínica, exame físico minucioso e exames complementares aumenta a precisão diagnóstica e orienta um plano terapêutico mais assertivo.
Quais são as principais estratégias atuais para tratar a dor no quadril?

Os tratamentos disponíveis em 2025 para dor no quadril vão desde medidas conservadoras até intervenções mais avançadas, que costumam ser combinadas e adaptadas ao estágio da doença, idade e nível de atividade. O objetivo central é aliviar a dor, controlar a inflamação e preservar ao máximo a função e a mobilidade articular.
Entre as estratégias frequentes estão controle da inflamação, reequilíbrio muscular, terapias de regeneração tecidual, adaptação de atividades e, em casos selecionados, cirurgia para correção de deformidades ou substituição articular. O acompanhamento contínuo após a melhora da dor aguda, com reabilitação guiada e retorno gradual às atividades, reduz o risco de recaídas e ajuda a manter a autonomia ao longo dos anos.
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Por que não é recomendável acostumar-se com a dor no quadril?
Muitas pessoas passam meses ou anos adaptando a rotina para “conviver” com a dor, reduzindo caminhadas, evitando escadas, saindo menos de casa e permanecendo mais tempo sentadas. Esse processo de adaptação silenciosa leva à perda de força, piora da mobilidade e aumento da dependência para tarefas simples, cenário que tende a se agravar com o envelhecimento da população.
Identificar cedo a origem da dor, tratar inflamações ativas, corrigir instabilidades e retomar movimentos de forma planejada são passos fundamentais para proteger o quadril. Ao encarar a dor como um sinal de alerta, e não como algo inevitável, é possível tomar decisões terapêuticas mais precisas, focadas na preservação da mobilidade e da independência em longo prazo.




