Uma decisão recente da Justiça do Trabalho em Fortaleza reacendeu o debate sobre limites de conduta em hospitais e a proteção da intimidade de pacientes em UTIs. Em 2024, uma técnica de enfermagem foi dispensada por justa causa após gravar, com o próprio celular, um paciente em situação de extrema vulnerabilidade, vítima de AVC, sem autorização e claramente desconfortável, o que levou o hospital a considerar o ato como falta gravíssima.
O que revelou o caso da técnica de enfermagem na UTI
No processo analisado pela 13ª Vara do Trabalho de Fortaleza, o hospital apresentou gravações internas que mostraram a profissional filmando o paciente sem consentimento e em momento de grande fragilidade. Em vez de acionar a equipe de referência, ela optou por usar o próprio celular, expondo o doente de forma desnecessária.
Segundo a juíza Maria Rafaela de Castro, a técnica poderia ter comunicado o médico responsável ou a enfermeira-chefe para justificar o uso de contenções. As imagens ainda indicaram que o paciente foi deixado parcialmente descoberto e exposto ao frio durante a filmagem, o que reforçou a conclusão de violação à dignidade e ao cuidado humanizado.

Por que a demissão por justa causa foi mantida pela Justiça
A demissão por justa causa é a forma mais severa de encerramento do contrato de trabalho, aplicada quando há falta grave que rompe a confiança entre empregado e empregador. No caso analisado, o juízo entendeu que a conduta feriu deveres éticos, contratuais e normas de proteção à intimidade e ao sigilo profissional.
Também pesou no julgamento o histórico disciplinar da trabalhadora, que já possuía advertências e suspensões anteriores. A decisão reforçou o poder de fiscalização do empregador, especialmente em ambientes críticos como UTIs, e reconheceu a legitimidade das imagens internas como prova do comportamento inadequado.
Quais são os impactos da justa causa para profissionais da saúde
A demissão por justa causa gera consequências imediatas sobre os direitos trabalhistas e pode comprometer a carreira em saúde. Além da perda de verbas típicas da dispensa imotivada, o registro da justa causa costuma ser observado em processos seletivos e pode dificultar novas contratações.
No caso de Fortaleza, a técnica de enfermagem obteve a gratuidade de Justiça, mas não teve acesso ao saque integral do FGTS, à multa de 40% nem ao seguro-desemprego. Em situações envolvendo exposição indevida de imagens, ainda há risco de responsabilização civil e ética perante conselhos profissionais.
- Perda do direito ao saque integral do FGTS e da multa de 40%.
- Inexistência de aviso-prévio indenizado e seguro-desemprego.
- Possível dificuldade de recolocação profissional no setor de saúde.
- Risco de processos civis por dano moral e apuração ética em conselhos.

Como prevenir novos casos de exposição indevida em hospitais
Para reduzir conflitos e proteger pacientes, hospitais precisam investir em políticas claras e treinamentos constantes sobre ética, sigilo e uso de dispositivos pessoais. Ambientes de alta complexidade, como UTIs, exigem protocolos rigorosos e supervisão efetiva de equipes médicas e de enfermagem.
Essas medidas ajudam a orientar o time assistencial sobre o que fazer em situações de dúvida, registrando ocorrências nos meios oficiais e evitando o uso de celulares pessoais. Assim, preserva-se tanto a segurança do paciente quanto a responsabilidade legal e ética dos profissionais.
Qual a lição deste caso e por que agir agora
O caso da técnica de enfermagem em Fortaleza evidencia que atitudes aparentemente pontuais podem ser enquadradas como falta grave quando atingem direitos fundamentais de pacientes vulneráveis. Em um cenário de fiscalização crescente, qualquer descuido com privacidade, dignidade ou sigilo pode resultar em justa causa e sérios prejuízos profissionais.
Se você atua na área da saúde ou gerência serviços hospitalares, revise imediatamente os protocolos internos, promova treinamentos urgentes e esclareça, hoje mesmo, as regras de uso de celulares e registro de imagens. Não espere o primeiro incidente grave para agir: proteger o paciente agora é também proteger sua carreira, sua instituição e a confiança de toda a sociedade no cuidado em saúde.




