Morador rural de Pinhal da Serra vive isolado há mais de 40 anos em área de 4,5 hectares. Produz o próprio alimento, cozinha no fogo de chão e enfrenta seca que ameaça feijão, milho, aipim e batata-doce, mantendo rotina autônoma com apoio mínimo familiar.
Em uma área rural de Pinhal da Serra, no Rio Grande do Sul, um homem mantém há mais de 40 anos de isolamento uma rotina baseada em agricultura própria. Ele vive sozinho no mato, cozinha no fogo de chão e enfrenta a seca que ameaça feijão, milho, aipim e batata doce.
Por que ele escolheu viver isolado por mais de quatro décadas?
Conhecido como Rosselino e chamado de Portinga, o morador define o isolamento como “o meu tipo”. Ele conta que tentou viver acompanhado, mas nunca se adaptou. Há oito anos, afirma estar “escondido” na casa atual, longe da convivência social tradicional.
Para explicar a escolha, usa uma metáfora simples. Diz que um touro sozinho faz tudo por conta própria, enquanto uma junta depende do grupo. Para ele, a vida solitária garante autonomia, controle do próprio tempo e decisões sem interferência externa.

Como funciona a rotina diária em meio ao mato?
A sobrevivência depende quase totalmente do que ele produz na propriedade de cerca de 4,5 hectares. A alimentação é simples, baseada em cultivos próprios e preparo tradicional. Entre os principais pilares da rotina diária, estão os que aparecem a seguir.
- Fogo de chão: preparo do feijão em área externa com chama mantida constantemente
- Agricultura básica: plantio de milho, aipim e batata-doce para sustento
- Horários fixos: refeições feitas apenas ao meio-dia e à noite
De que forma a seca ameaça a produção da propriedade?
A estiagem preocupa. O milho aparece “enrolando” e o feijão secando antes do tempo certo. Segundo o morador, a situação atinge toda a região e pode gerar grande prejuízo se a chuva não chegar nos próximos dias.
Ele aponta áreas diferentes de plantio, incluindo meia hectare próxima à casa e outras partes mais baixas do terreno. A expectativa é que uma chuva em até 15 dias salve parte da lavoura, cenário comum na região chamada Costa de Rio.

Quais técnicas ele usa para plantar aipim e batata-doce?
O calendário agrícola segue um padrão próprio. O plantio ocorre em agosto e envolve técnicas aprendidas com antigos moradores da região. O manejo da rama e a profundidade do plantio são tratados com cuidado, como mostram os pontos práticos abaixo.
- Corte direto da rama: método aprendido com descendentes de italianos da região
- Enterro raso: técnica que favorece brotação ao redor do pé
- Aproveitamento total: uso da rama de batata-doce na alimentação dos porcos
Quem acompanha o morador nessa vida isolada?
Apesar de viver sozinho, ele não está totalmente sem companhia. Cinco cachorros circulam pela área e funcionam como proteção natural, impedindo a entrada de estranhos. Porcos, terneiros e um galpão construído por ele completam o cenário.
Há também uma parceria familiar. Um parente o ajuda em momentos de doença e cuida de parte dos animais. Ele resume a relação de forma simples: um apoia o outro quando precisa, mantendo a rotina mesmo em meio às dificuldades.




