A explosão das selfies, das videoconferências e dos filtros em redes sociais durante a pandemia mudou profundamente a forma como muitas pessoas enxergam o próprio rosto. A exposição constante à própria imagem em tela impulsionou a busca por procedimentos estéticos focados no que aparece na câmera, fenômeno que ganhou um nome específico na medicina estética: selfie surgery, uma tendência que segue em alta em 2025.
O que é selfie surgery e como ela impacta a autoimagem
A expressão selfie surgery descreve procedimentos estéticos motivados principalmente pela imagem captada por câmeras de celulares, webcams e filtros digitais. Em vez de focar no espelho e em situações do dia a dia, a pessoa passa a avaliar o próprio rosto por capturas de tela, fotos em close e vídeos curtos.
Nesse cenário, pequenos detalhes ganham destaque sob lentes ampliadas, iluminação direcionada e enquadramentos fechados. Assimetrias, marcas de expressão e traços quase imperceptíveis tornam-se foco de incômodo, alimentando a vontade de modificar o rosto real para se aproximar da versão filtrada e editada das redes sociais.
Quais procedimentos mais se destacam na selfie surgery
Os tratamentos associados à selfie surgery variam conforme idade, gênero e objetivos individuais, mas alguns padrões se repetem nos consultórios. Em faixas etárias mais jovens, as intervenções minimamente invasivas dominam, com foco em prevenção do envelhecimento e correção de detalhes que aparecem em close nas fotos.
Nesse contexto, alguns procedimentos tornaram-se favoritos entre quem deseja ficar mais “amigável à câmera” e se sentir mais confiante em selfies, vídeos curtos e reuniões virtuais:
- Rinoplastia não cirúrgica: uso de preenchedores para alinhar o dorso nasal ou levantar levemente a ponta, ajustando o perfil em selfies de lado.
- Toxina botulínica: suavização de rugas dinâmicas na testa, entre as sobrancelhas e na região dos olhos, muito evidentes em vídeos em alta definição.
- Preenchimentos faciais: aplicação de ácido hialurônico em lábios, queixo, maçãs do rosto e olheiras, harmonizando o rosto sob diferentes ângulos de câmera.
- Bioestimuladores de colágeno: produtos que estimulam a produção interna de colágeno, contribuindo para firmeza e qualidade de pele ao longo do tempo.
Como as redes sociais influenciam escolhas estéticas
As redes sociais funcionam como uma vitrine permanente para resultados estéticos, exibindo antes e depois, vídeos de procedimentos e relatos pessoais. Quanto mais um certo tipo de rosto ou corpo aparece no feed, maior a chance de que se torne padrão de referência, muitas vezes baseado em filtros que afinam nariz, aumentam lábios e suavizam a pele.
Cria-se um ciclo: a pessoa se vê transformada por filtros, compara a versão editada com a imagem real e passa a buscar correções pontuais em clínicas. Em seguida, passa a acompanhar perfis que reforçam aquele ideal, o que ajuda a explicar por que a selfie surgery cresceu tão rápido e exige atenção à qualidade das informações e orientações médicas disponíveis online.
Quais cuidados médicos e éticos são essenciais na selfie surgery
Especialistas em cirurgia plástica e medicina estética alertam para o risco de padronização dos rostos, especialmente com uso excessivo de preenchedores, que pode levar ao chamado “pillow face”, com traços inchados e desproporcionais. Também é fundamental distinguir entre desejo guiado por tendência e indicação real de tratamento, sobretudo em pacientes muito jovens.
Por isso, o papel do médico é orientar, estabelecer limites e preservar as características individuais, seguindo alguns pilares básicos de segurança e responsabilidade:
- Avaliação presencial detalhada, e não apenas por fotos ou vídeos.
- Explicação clara sobre riscos, benefícios e alternativas de cada procedimento.
- Assinatura de consentimento informado em intervenções médicas.
- Busca por profissionais habilitados, com formação reconhecida e atuação ética.
Por que refletir sobre selfie surgery agora e como agir com consciência
O debate sobre selfie surgery conecta estética, saúde mental e autoestima em uma era de comparação constante com imagens editadas. Antes de marcar qualquer procedimento, vale perguntar se o desejo vem de uma necessidade real ou da pressão de parecer um filtro, e se as expectativas são compatíveis com segurança e resultados naturais.
Se você já sente que a câmera define como se enxerga, não espere esse incômodo crescer: procure um profissional qualificado, converse abertamente sobre suas motivações e considere também apoio psicológico, se necessário. Cuidar da aparência pode ser positivo, mas a urgência maior é proteger sua saúde emocional e fazer escolhas estéticas que respeitem quem você é hoje.




