Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas

Uma pesquisa recém-publicada pela Phocuswright, uma das mais respeitadas consultorias globais de inteligência para o mercado  de viagens, revelou que 61% das empresas do setor já estão experimentando ou escalando o uso de inteligência artificial agêntica. O dado confirma que o recurso tecnológico é a principal aposta dessa indústria em 2026. Dessa parcela, 6% está em estágio avançado de escala e 22% em fase inicial de implementação. Mas, afinal, o que é IA agêntica e por que ela está atraindo tanto a atenção de grandes empresas?

Até então, o que mais se utilizava era a chamada IA generativa, aquela que produz conteúdo quando solicitada. A implementação da IA agêntica nas empresas tornou-se ponto central para a transformação da indústria, uma vez que ela não apenas responde à comandos, mas observa, decide e age de forma autônoma e proativa dentro de parâmetros definidos. No contexto da gestão de viagens e despesas corporativas, essa diferença se traduz em capacidades operacionais que não existiam como possibilidade até recentemente e que são capazes de gerar milhões em economia.

"Boa parte das aplicações de IA no setor de viagens ainda se concentra em gerar respostas ou recomendações. No entanto, já é possível promover soluções fundamentalmente diferentes por meio de agentes que monitoram, comparam, negociam e executam ações de forma contínua e autônoma, sem depender de um comando humano a cada etapa", explica Marcus Costa, sócio e Diretor de Produto e Engenharia da agência de viagens corporativas VOLL. "Essa é a diferença entre uma IA que ajuda e uma IA que resolve."

Por que investir?

Em paralelo, uma pesquisa recente da Global Business Travel Association (GBTA) com mais de 500 líderes globais de gestão de viagens corporativas mostrou que 82% estão preocupados com o aumento dos custos de viagens, e que 41% já implementam proativamente iniciativas de IA. O cenário macroeconômico, com a alta do petróleo pressionando tarifas aéreas e o fim das estratégias do mercado financeiro usadas para proteger ativos e fluxos de caixa contra oscilações abruptas de combustível pelas companhias aéreas, intensifica a necessidade de soluções que capturem a economia de forma contínua e automatizada.

No Brasil, a VOLL empresa que atende mais de 300 grandes corporações em mais de 20 países, opera, desde o início de 2026, três agentes de inteligência artificial autônomos em produção comercial, integrados ao VOLL Smart Hub, primeiro marketplace de IA agêntica dedicado à gestão de viagens e despesas corporativas da região. “Apenas no primeiro trimestre de 2026, os agentes já geraram mais de R$ 3 milhões em economia direta para clientes do porte de Itaú, Nubank, XP e CPFL Energia, com projeção de atingir aproximadamente R$ 50 milhões, o equivalente a USD 10 milhões, até o final do ano”, declara Marcus.

A diferença entre gerar conteúdo e gerar resultado

Os três agentes em operação ilustram essa filosofia de produto. O AirSave monitora continuamente tarifas aéreas após a emissão de cada passagem e, ao identificar uma oportunidade de reemissão a custo menor, executa a substituição de forma autônoma antes da aprovação final. No primeiro trimestre de 2026, o agente operou sobre mais de 5.900 reservas aéreas e capturou uma economia média de 15,29% sobre o volume emitido. 

O RatesAudit audita tarifas hoteleiras negociadas em tempo real, identificando que, em média, 23% das tarifas corporativas ficam indisponíveis ao longo do mês. Em 98% dos casos, o agente resolve a indisponibilidade diretamente com o hotel, sem necessidade de intervenção humana. O ExpenseHelper analisa comprovantes de despesas corporativas, tendo processado mais de 12.282 comprovantes no trimestre e identificado 4.511 anomalias, com taxa de interação com o colaborador de 78,9%.

Solução pensada para escala 

A IA agêntica não foi uma aposta tecnológica da VOLL, mas uma resposta direta às limitações operacionais que o mercado enfrentava. "Os responsáveis pela gestão de despesas corporativas sempre souberam que havia oportunidades de economia sendo perdidas por falta de monitoramento contínuo. O problema nunca foi falta de conhecimento, era falta de capacidade operacional para agir em tempo real, em escala, sobre milhares de transações simultâneas e a IA agentiva resolve exatamente isso", afirma Felipe Borges, sócio e Diretor de Produto e Engenharia da VOLL.

Para isso, a arquitetura dos agentes foi desenhada com foco em confiança e transparência. Hoje, cada ação que o agente executa é rastreável, auditável e reversível. O colaborador é informado sobre o que mudou e por quê, enquanto o gestor tem visibilidade completa. “Nós não construímos uma caixa-preta. Construímos uma camada de inteligência que opera com o mesmo rigor e a mesma prestação de contas que se espera de qualquer processo corporativo bem governado", conclui.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

O movimento sinaliza que a indústria está construindo as bases de infraestrutura para que agentes de diferentes plataformas possam se comunicar e operar de forma integrada, ampliando significativamente o potencial de automação nos próximos anos.

compartilhe