A tecnologia aplicada à saúde, quando nasce da escuta e da experiência prática, pode transformar realidades. É a partir dessa lógica que surgiu a Motivaser, startup mineira que desenvolve soluções voltadas à reabilitação, à autoestima e à qualidade de vida de pacientes oncológicos, especialmente mulheres que se submeteram à cirurgia para retirada da mama (mastectomia).

À frente da startup está Laura Guimarães, enfermeira, esteta e especialista em inovação. A trajetória da CEO ajuda a explicar o DNA da Motivaser. Laura começou cedo na caligrafia artística, ainda na adolescência, passou pela docência na área e, ao se graduar em enfermagem, uniu as duas habilidades, direcionado sua atuação à saúde da mulher após se especializar em micropigmentação paramédica, técnica voltada à reconstrução da aréola mamária, mas que vai muito além da aparência. 

“Não é tatuagem. A tinta não tem metal em sua composição, mas apenas carbono e hidrogênio, o que torna o procedimento seguro, inclusive para pacientes oncológicos. O retoque é necessário após cerca de cinco anos”, explica.

A Motivaser nasceu da consolidação dessas vivências e hoje atua em diferentes frentes. Um dos principais projetos é o Ambulatório de Micropigmentação Paramédica e Cuidados Oncoestéticos de Betim, que já realizou mais de 2 mil atendimentos em apenas um ano exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), beneficiando moradoras da cidade e de cerca de 12 macrorregiões, como Sarzedo e Igarapé. O tempo de espera não ultrapassa duas semanas.

O ambulatório oferece uma abordagem multidisciplinar, com serviços como drenagem linfática para mulheres mastectomizadas, laserterapia e laser de baixa potência para alívio de efeitos colaterais da quimioterapia como, por exemplo, formigamento nas mãos, massagens terapêuticas para pacientes em cuidados paliativos, reabilitação mamária, além de rodas de conversa terapêuticas.

A startup ampliou seu alcance ao transformar a prática clínica em um modelo replicável, capaz de ser adotado em diferentes contextos. “Nosso modelo de negócio é totalmente escalável, com crescimento exponencial e, ainda assim, com impacto social. Além disso, oferecemos uma inovação como produto da startup”, afirma Laura. A lógica é organizar o conhecimento técnico acumulado em soluções que possam ser reproduzidas sem depender exclusivamente da presença da fundadora.

Além disso, a startup participa de iniciativas estratégicas, como o projeto Bio Mama, pesquisa da UFMG que estuda o impacto emocional e biomecânico em pacientes mastectomizadas, em parceria com o Instituto Prosperar. É, ainda, integrante do Instituto de Ciência e Tecnologia Órbi ICT.

A Motivaser também atua para viabilizar, em nível estadual, a oferta de próteses externas de mama e aréola pelo SUS. Parte das ações é viabilizada por meio de emendas parlamentares, como as destinadas pela deputada estadual Ana Paula Siqueira, por meio da Instituição Um Novo Amanhecer (IUNA), fortalecendo o acesso à saúde e à reabilitação especializada.

Com uma equipe majoritariamente feminina, a Motivaser reforça que inovação não está apenas na tecnologia, mas na forma como ela é aplicada para gerar dignidade, acolhimento e impacto social. No ambiente colaborativo do Órbi ICT, a startup avança na estruturação de soluções escaláveis, mantendo o cuidado humanizado como princípio central.

Parte dessa expansão ocorre por meio da formação de profissionais. A Motivaser promove treinamentos com enfermeiras de diferentes regiões do país, difundindo técnicas e protocolos ligados à micropigmentação paramédica, cuidados oncoestéticos e reabilitação, o que amplia o acesso a esse tipo de atendimento e fortalece redes locais de cuidado.

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“Ao transformar experiência prática em conhecimento sistematizado, a Motivaser aponta caminhos para um modelo de healthtech em que tecnologia, impacto social e sustentabilidade caminham juntos, sem perder o vínculo com a realidade de quem está na ponta do atendimento”, avalia Laura.

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