SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) vê chances de o fim da escala 6x1 ser votado no plenário do Senado ainda esta semana.
Leia Mais
A PEC (proposta de emenda à Constituição) que reduz a jornada de trabalho e adiciona um dia de descanso semanal sem redução no salário ainda precisa ser votada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o que está previsto para esta quarta-feira (2/9).
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) corre para que a aprovação aconteça antes da eleição, visando explorar a pauta durante a campanha.
Questionado sobre a possibilidade de uma das principais bandeiras de campanha da reeleição de Lula ter sua votação obstruída pela oposição, Alckmin disse acreditar que a votação deve acontecer nos próximos dias.
"É possível, é possível. Você sabe que o Congresso não é muito previsível, mas é possível, sim", afirmou durante evento do BTG Pactual, nesta segunda-feira (31/8).
"Há uma tendência natural no mundo de redução de jornada, porque a tecnologia permite você fazer mais com menos gente", afirmou.
O vice-presidente também se mostrou otimista com as conversas entre Estados Unidos e Brasil para encerrar as tarifas aplicadas por Donald Trump.
O governo Lula retoma nesta segunda (31/8) as negociações comerciais, com uma reunião entre ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil) e Jamieson Greer.
No último 21, o presidente brasileiro telefonou para Trump, o que, segundo interlocutores, descongelou a relação e levou representantes da Casa Branca a procurarem o Palácio do Planalto.
Segundo Alckmin, a conversa entre Lula e Trump foi muito positiva. Ele disse acreditar que a votação do Redata pode pesar a favor do Brasil nessa negociação, pois estimula a vinda de data centers para o Brasil.
"Os Estados Unidos têm interesse. Isso pode trazer R$ 1 trilhão de investimento para o Brasil em data center. Brasil tem energia renovável e abundante, nós temos problema de excesso até de energia em muitas áreas", afirmou o candidato à reeleição.
O banqueiro André Esteves, chairman do BTG Pactual e anfitrião do evento desta segunda, encontrou-se com Trump no sábado (29/8). Como mostrou a Folha de S.Paulo, a conversa girou em torno das possibilidades econômicas do Brasil, em especial data centers, energia e minerais raros.
Fiscal
Outro ponto abordado por Alckmin foi a Selic em 14% ao ano, que ele vê como exagerada e ineficaz contra a alta dos preços dos alimentos.
"Tem coisas que não adianta aumentar a taxa de juros. Alimento é clima. Se tiver uma seca brutal, não adianta aumentar os juros que não vai chover. Se o petróleo for para US$ 90, US$ 100, não adianta aumentar os juros, é geopolítica, não vai fazer baixar o petróleo."
Para reduzir a taxa básica de juros do Brasil, o vice-presidente defendeu o crescimento econômico combinado à contenção das despesas.
"É preciso agir na causa dos problemas, melhorando a questão da despesa e estimulando o crescimento da economia, senão não adianta. Se o PIB [Produto Interno Bruto] desabar, não vai para frente. Você vai melhorar a relação dívida-PIB", afirmou Alckmin.
Anteriormente, Esteves mencionou em seu discurso de abertura que o país pode voltar a ter juros de um dígito.
"O crescimento da dívida pública no Brasil é muito alto, muito forte, muito rápido. Precisamos tratar desse tema, que é institucional, não é ideológico", afirmou o chairman do BTG.
"Temos uma enorme oportunidade. A economia brasileira está arrumada em vários dos critérios que não estava ao longo dos últimos 30 anos. Nós temos um déficit em conta corrente menor do que investimento direto externo, temos US$ 370 bilhões de reservas cambiais, a inflação vai ser alguma coisa entre 4% e 4,5%, o desemprego é perto de nulo, mas tem um item que ainda está fora do lugar", disse o banqueiro em relação ao ajuste fiscal.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
"Juro de um dígito sólido é uma enorme transformação da sociedade, principalmente para essa base da pirâmide que é quem mais sofre com isso. Isso equivale a 30 vezes qualquer programa social. É muito, muito relevante. E a boa notícia é que é possível e relativamente simples", completou Esteves.
