BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) liberou as negociações de reajustes da operadora de planos de saúde Hapvida que haviam sido cautelarmente suspensas na quinta-feira (20/8).

A decisão da agência do governo foi motivada por uma informação divulgada pela companhia no início de agosto, em seu relatório de resultados do segundo trimestre. Segundo o documento, a empresa havia iniciado a revisão de seus contratos e 947 mil beneficiários seriam alvo de renegociação ou de encerramento de contrato.

 

A ANS disse nesta sexta-feira (21/8) que, apesar de a medida cautelar sobre as negociações ter sido revista, a agência manterá um monitoramento preventivo para acompanhar as decisões da Hapvida em relação a esses beneficiários.

Em comunicado, o diretor de relações com investidores da Hapvida, Felipe Nobre Barbosa, disse que esses beneficiários correspondem a 11% da carteira de saúde da empresa.

São contratos com rentabilidade inadequada ou histórico de inadimplência e, segundo ele, serão renegociados individualmente nos próximos 12 meses e em suas datas de aniversário.

"A renegociação dos contratos coletivos observa os dispositivos dos próprios contratos e as normas da ANS, inclusive prazos de vigência e aviso prévio", diz a operadora, em comunicado. "A companhia propõe ao contratante as condições necessárias ao reequilíbrio do contrato, mas a decisão de aceitá-las é do cliente."

Elementos técnicos e regulatórios

A Hapvida também afirmou que só soube da medida cautelar da ANS pela imprensa e que, por essa razão, pediu para apresentar à agência os elementos técnicos e regulatórios que embasavam a decisão pela revisão.

No relatório de resultados do segundo trimestre, a Hapvida disse que o ticket médio nessa carteira de 947 mil beneficiários é aproximadamente metade do valor médio consolidado no segmento saúde. A empresa também afirmou ter registrado uma redução líquida de 16 mil beneficiários, dos quais 9.000 eram de contratos reavaliados.

Os resultados da companhia levaram a uma queda acentuada do valor das ações, que chegaram a desabar 33%. Em 13 de agosto, dia seguinte à divulgação, os papéis chegaram a valer R$ 6,41, menor valor nominal desde 2018, quando a empresa estreou na Bolsa.

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O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 504,4 milhões no segundo trimestre, recuo de 44,3% na comparação anual. O lucro líquido ajustado foi de R$ 12,5 milhões, queda de 95,8% em relação ao período anterior.

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