Canetas emagrecedoras: mercado paralelo lidera vendas
Apesar da chegada de genéricos da semaglutida, venda ilegal de Ozempic e Mounjaro segue em alta no Brasil; Anvisa intensifica fiscalização
compartilhe
SIGA
A alta procura por canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro, e seus preços elevados continuam a impulsionar um forte mercado paralelo. A venda clandestina desses medicamentos, que exigem prescrição médica, acontece em grupos de redes sociais e aplicativos de mensagens, muitas vezes por valores mais baixos, mas sem qualquer garantia de procedência ou segurança para o consumidor.
Segundo um estudo realizado pela Scanntech, o canal informal pode representar mais de 50% das doses em circulação no país.
Leia Mais
Mulheres de 40 a 49 anos são as que mais compram canetas emagrecedoras
Retenção de receita médica para venda de Ozempic começa nesta segunda (23)
Preço das canetas emagrecedoras vai cair, mas não de imediato, diz Grupo Farma
O que são as canetas emagrecedoras?
São medicamentos injetáveis desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2, mas que se popularizaram pelo efeito na perda de peso. O Ozempic contém semaglutida, enquanto o Mounjaro contém tirzepatida. Ambos ajudam a controlar o apetite e regular os níveis de açúcar no sangue, mas atuam de formas ligeiramente diferentes: a semaglutida age no receptor GLP-1, enquanto a tirzepatida atua em dois receptores (GLP-1 e GIP), o que potencializa seu efeito.
Por que o mercado paralelo cresce?
O principal fator é o custo. Mesmo com a perspectiva de genéricos, os preços atuais continuam elevados: o Mounjaro varia de R$ 1.400 a R$ 3.000 dependendo da dosagem, enquanto o Ozempic custa entre R$ 900 e R$ 1.200 por caneta. A alta demanda para fins estéticos, somada à dificuldade de obter uma receita médica, alimenta essa procura por canais não oficiais.
Quais os riscos da compra clandestina?
Comprar medicamentos em canais não autorizados representa um perigo grave à saúde. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta para os principais riscos envolvidos:
Produto falsificado: não há garantia de que a caneta contenha o princípio ativo correto ou a dosagem informada, podendo ser ineficaz ou conter substâncias perigosas.
Armazenamento incorreto: esses medicamentos precisam ser mantidos refrigerados. A quebra da cadeia de frio compromete totalmente a sua eficácia e segurança.
Contaminação: produtos de origem duvidosa podem estar contaminados, causando infecções e outras complicações de saúde.
Ausência de orientação médica: o uso sem acompanhamento profissional pode levar a efeitos colaterais graves e mascarar problemas de saúde subjacentes.
Como a Anvisa combate a venda ilegal?
A Anvisa intensificou a fiscalização contra a venda de produtos sem registro e em locais não autorizados em abril deste ano. A agência reforça que a comercialização de medicamentos controlados sem prescrição é crime e orienta que a compra seja feita exclusivamente em farmácias e drogarias licenciadas, sempre com a apresentação da receita médica.
Vender no trabalho pode gerar justa causa?
Sim. A comercialização de qualquer produto dentro do ambiente de trabalho sem a permissão do empregador, especialmente itens controlados como medicamentos, é considerada uma falta grave. Decisões judiciais têm mantido demissões por justa causa de funcionários que praticam esse tipo de comércio, considerando a prática como ato de improbidade e mau procedimento, conforme previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
*Estagiária sob supervisão do editor João Renato Faria