O etanol brasileiro foi um dos pivôs para o tarifaço colocado pelos Estados Unidos nesta quarta-feira (15/7) para a exportação de aproximadamente 3 mil produtos do Brasil. Minas Gerais é um importante produtor de etanol e açúcar, que estão entre os produtos que foram sobretaxados em 25%. Da safra brasileira de 2024/2025, o estado respondeu por 12% da produção de cana-de-açúcar, 12,7% de açúcar e 9,2% de etanol.

De acordo com Mário Campos, presidente da Siamig Bioenergia (Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Minas Gerais), quem acha que o problema entre o Brasil e os Estados Unidos poderia ser resolvido apenas com etanol, está simplificando demais o processo: “Já ficou bem claro que a pauta é muito mais extensa do que o etanol”.

Ele explica que os países sempre tiveram atritos em relação ao etanol e a grande questão atual dos americanos é como escoar sua alta produção: “Os americanos fizeram vultosos investimentos para a produção de etanol pensando em ampliar o uso no mercado interno, mas esbarraram principalmente no lobby do petróleo. Hoje eles são os maiores produtores de etanol do mundo, mas a mistura do biocombustível substitui apenas 10% da gasolina consumida no país, o que gera um excedente exportável muito grande que eles precisam colocar no mundo”.

Já o Brasil, o segundo maior produtor mundial de etanol, substituiu quase 50% da gasolina comercializada por etanol, seja na mistura E30 (30% de etanol anidro na gasolina) ou no etanol hidratado, tornando o país um bom consumidor dessa produção, garante Mário.

Enquanto isso, os Estados Unidos podem vender gasolina com 15% de etanol (E15) apenas em algumas épocas do ano. Mas, no verão, período de maior consumo de combustível nos EUA, apenas o E10 é comercializado, “tamanho é o lobby do petróleo”, disse o presidente da Siamig Bioenergia. Ele informa que a autorização para fazer uso do E15 ao longo de todo o ano está sendo discutida no Congresso americano, mas com dificuldade para avançar.

EUA protegem seu açúcar

O açúcar também tem relação com a discussão do etanol. Segundo Mário Campos, o Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar do mundo, respondendo por aproximadamente 60% no mercado internacional. Os Estados Unidos sempre foram um mercado-alvo do Brasil, mas os americanos têm um mercado muito fechado para o açúcar do mundo.

De acordo com o presidente da Siamig, o brasileiro paga o preço do mercado internacional no açúcar, enquanto o americano paga mais que o dobro disso em seu mercado interno, que é protegido por uma tarifa de US$ 300 por tonelada, quantia superior a essa quantidade do produto no mercado internacional.

“O Brasil sempre colocou à mesa que as questões relacionadas ao etanol deveriam vir juntas com a análise sobre o açúcar, e os americanos nunca quiseram fazer isso”, afirma Mário. Hoje, a relação comercial de açúcar entre o Brasil e os Estados Unidos envolve uma pequena cota de 150 mil toneladas por ano, enquanto nós exportamos por ano um total de 35 milhões de toneladas.

Na análise de Mário, a tarifa de 18% que o Brasil impõe para a importação de etanol não é específica para os EUA, sendo válida para o mundo todo. “E ela não é uma tarifa impeditiva para o comércio, tanto que, no início do ano, os americanos exportaram etanol para cá mesmo pagando a tarifa”, disse o presidente da Siamig.

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Açúcar orgânico foi tarifado

Ele finalizou falando sobre o tarifaço ao açúcar orgânico, produzido por Goiás e São Paulo, que será onerados pelo tarifaço. Como Minas Gerais não produz esse tipo de açúcar, não haverá prejuízo para o estado. Os Estados Unidos compram este tipo de açúcar do Brasil porque sua produção é muito pequena. Assim, as indústrias americanas que têm produtos orgânicos precisam desse açúcar, fornecido principalmente pelo Brasil, além do Paraguai e da Colômbia.

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