O empresariado mineiro está animado quanto ao desempenho do comércio na Páscoa. Para pouco mais da metade (51,2%) dos entrevistados, as vendas de 2026 devem ficar iguais às do ano passado, que foi considerado um ano bom, aponta a pesquisa divulgada nesta segunda-feira (16/3) pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG).
Enquanto isto, 33% dos empresários acreditam que o desempenho vai superar o de 2025, e 14,9% acham que será pior.
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Para os participantes que esperam um bom desempenho na Páscoa, as explicações mais apontadas são o otimismo em relação ao mercado (46%), o valor afetivo da data (36%), o estímulo de novos produtos (9%), o aquecimento do comércio (7%) e as ações das lojas (6%).
Já entre os empresários mais pessimistas com a data, os motivos apontados para a expectativa negativa são o consumidor mais cauteloso (26,7%), o endividamento do consumidor (24,4%), a crise econômica (17,8%) e o valor alto dos produtos (17,8%).
Quando o questionamento é se o período de Páscoa influencia diretamente nas vendas, 60,6% dos empresários responderam que a data atua positivamente, enquanto para 17,5% ela é negativa e para outros 21,9% ela não muda nada.
Na análise por regiões de Minas Gerais, as que mais ganham com a data são o Norte (76,3%), o Centro-Oeste (74,4%) e o Triângulo Mineiro ( 68,4%). Já as regiões que mais sofrem influência negativa são o Alto Paranaíba (36,8%), o Sul (34,1%) e a Zona da Mata (30,8%).
Segundo Gabriela Martins, economista da Fecomércio-MG, essas variações refletem características econômicas e de consumo de cada região. “O comportamento das vendas na Páscoa pode variar bastante entre as regiões. Fatores como renda local, perfil do consumidor e estrutura do comércio influenciam diretamente esse resultado".
Entre chocolates e itens da Semana Santa
A lista dos produtos mais vendidos do período não nega que os chocolates são a estrela da Páscoa. A categoria ocupa as três primeiras posições neste ranking e soma 71,9% dos produtos, na seguinte ordem: caixa de bombons (37,4%), barras de chocolate (19,6%) e ovos de Páscoa (14,9%). A pesquisa também evidencia que a data aquece, sobretudo, o comércio alimentício de Minas Gerais.
A Fecomércio destaca que, além do tradicional consumo de chocolates, a celebração também impulsiona a procura por peixes (7,7%), bebidas alcoólicas (4,7%) e outros produtos ligados à tradição da Semana Santa, voltados às reuniões familiares, ampliando o impacto da data no faturamento de supermercados, padarias, mercearias e lojas especializadas.
Para estimular o consumo, 34,3% dos empresários estão apostando em promoções e liquidações, 24,1% vão investir em atendimento diferenciado e 18,5% em propaganda. De acordo com Gabriela Martins, a data mantém relevância mesmo em cenários econômicos desafiadores.
“A Páscoa tem um forte apelo emocional e cultural. Mesmo quando o consumidor está mais cauteloso, ele tende a manter a tradição de presentear ou reunir a família. Isso ajuda a sustentar a demanda no comércio de alimentos”.
Segundo a percepção da maioria dos empresários (33,3%), o gasto total médio dos consumidores com produtos específicos da Páscoa tende a se concentrar nas faixas entre R$ 50 e R$ 70, seguido pelos intervalos entre R$ 70 e R$ 100 (28,4%), entre R$ 30 e R$ 50 (18,2%) e entre R$ 100 e R$ 200 (12,5%).
Para a economista, o investimento em promoções e experiências de compra devem ser decisivos neste ano. “Promoções, kits especiais e um atendimento mais próximo do cliente fazem diferença. O empresário que se prepara e entende o perfil do consumidor consegue aproveitar melhor o potencial de vendas da data”.
Gabriela destaca que o comportamento do consumidor também tem levado empresas a diversificar o mix de produtos. “Nem todo consumidor opta pelo ovo de Páscoa tradicional. Muitos buscam alternativas com melhor custo-benefício, como caixas de bombom e barras de chocolate. Por isso, os empresários ampliam as opções e trabalham com diferentes faixas de preço”.
Antecipação é uma boa estratégias
A pesquisa foi realizada entre os dias 26 de fevereiro e 9 de março. Neste período, pouco menos da metade (49,4%) das empresas já haviam começado a suas vendas de Páscoa, que em 2026 será comemorada no dia 5 de abril. Para a Fecomércio-MG, a estratégia de antecipar as vendas amplia o período de consumo e cria mais oportunidades de faturamento.
Ainda assim, a maioria dos comerciantes (80,4%) acreditam que o período de maior procura por produtos será na semana da Páscoa, enquanto 18,7% acham que o consumidor vai se antecipar. Sobre o hábito dos consumidores pesquisarem preços, a maioria dos empresários (54,9%) tem a impressão de que esse cuidado só é tomado à vezes, enquanto 24,3% consideram que isso raramente é feito raramente, 15,3% acham que os clientes sempre têm esse cuidado e para 5,5% eles nunca o fazem.
A pesquisa ainda mostra que 98,3% das empresas não pretendem contratar funcionários temporários nesse período, enquanto apenas 1,3% indica que realizará contratações para reforçar a equipe.
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Entre as empresas que planejam contratar, o número médio de trabalhadores adicionais é de aproximadamente dois colaboradores, mas esse número chega a cinco funcionários temporários em alguns estabelecimentos.
