Gás do pré-sal vira nova frente de pressão da indústria química com o governo
Setor quer acesso a etano do pré-sal, hoje direcionado ao setor elétrico, para reduzir custo de produção
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A indústria química passou a defender em Brasília mudanças na regulação do mercado de gás para permitir que parte do gás natural produzido no pré-sal seja aproveitada como matéria-prima industrial no país. O setor argumenta que hoje componentes presentes no gás do pré-sal poderiam abastecer a produção petroquímica, mas acabam direcionados principalmente ao setor de energia.
Entre esses componentes está o etano, um derivado do gás natural usado como matéria-prima na indústria petroquímica e considerado mais barato que outras rotas produtivas adotadas no país. No Brasil, porém, a indústria química afirma que o acesso a esse insumo é limitado pelas condições atuais do mercado de gás.
A proposta já começou a ser discutida em conversas com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e com o Ministério de Minas e Energia. Executivos do setor defendem mudanças nas regras que tratam do transporte e do processamento do gás natural, hoje concentrados nas empresas produtoras.
Segundo representantes do setor, grande parte do gás acaba sendo absorvida pelo mercado de energia, especialmente por usinas termelétricas. Nesse segmento, o custo do insumo pode ser repassado às tarifas de eletricidade, o que permite a absorção de preços mais altos. Na indústria química, por outro lado, o preço da matéria-prima tem impacto direto na competitividade da produção local.
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Nos últimos anos, a indústria química brasileira perdeu competitividade frente ao aumento de importações e custos elevados de matéria-prima. Por isso, passou a projetar, já para 2026, ociosidade próxima de 40% nas plantas instaladas no país.