Mineradoras veem limites à industrialização de terras raras no acordo Mercosul–EU

Setor defende análise econômica de cada mineral antes de passar a processar esses materiais no país

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O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que reúne mineradoras do país, avalia que o acordo entre Mercosul e União Europeia não resolve automaticamente o desafio da industrialização da cadeia de minerais críticos no país. O Brasil detém a segunda maior reserva global de minerais críticos e terras raras, insumos utilizados na produção de baterias, ímãs permanentes e equipamentos de energia renovável.

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Assinado no início deste ano, o acordo prevê instrumentos para fortalecer políticas industriais nacionais no setor mineral. Isso inclui a possibilidade de adotar incentivos, exceções bilaterais e até tributos ou restrições à exportação de minerais críticos para estimular processamento e beneficiamento no país.

Para o setor, contudo, a criação de cadeias industriais desses materiais deve ser baseada em análises econômicas específicas para cada mineral. Ir além da mera exportação de matéria-prima para passar a processá-la, afinal, pode aumentar custos, demandar investimentos altos e reduzir lucros em relação à venda do minério bruto.

Na avaliação de Julio Nery, diretor de assuntos minerários do Ibram, processamento, refino ou transformação não geram, necessariamente, ganhos econômicos em todos os casos.

“A agregação de valor na cadeia é desejável, mas precisa estar condicionada a uma análise econômica, porque nem sempre, ao passar para a fase seguinte, se obtém o mesmo resultado da etapa anterior”, afirmou.

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Ao mesmo tempo, o acordo reduziu tarifas de entrada desses materiais e de alguns produtos intermediários no mercado europeu em prazos curtos, o que tende a favorecer as exportações de matérias-primas — sobretudo em um cenário de demanda internacional por terras raras.

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