Renovação da Ferrovia Centro-Atlântica prevê 15 obras, embora estudos indiquem 178

Modelagem financeira da renovação deixa a maioria das intervenções sem recursos

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A modelagem financeira da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) prevê recursos para 15 obras em dez municípios na renovação da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). No entanto, estudos técnicos da própria ANTT apontam a necessidade de 178 intervenções em mais de 40 cidades ao longo da malha, que liga o Sudeste ao Nordeste e cruza sete estados.

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De acordo com o modelo financeiro, as obras com recursos previstos estão concentradas em dez municípios de Minas Gerais, São Paulo e Goiás e somam R$ 183 milhões. Não há previsão de orçamento para intervenções em outros trechos mencionados nos estudos, como a segregação ferroviária em Belo Horizonte e correções de traçado na Bahia, além de obras no Rio de Janeiro.

Os dados constam em documentos da ANTT obtidos pela coluna. O Caderno de Engenharia do projeto relaciona obras voltadas principalmente à redução de conflitos urbanos, como passagens em nível, cercamentos e ajustes de traçado. No entanto, na planilha econômico-financeira — que define os compromissos obrigatórios do contrato — a maioria dessas intervenções aparece sem valor e sem prazo, o que as exclui do orçamento da concessão.

Os documentos também indicam que 3.051 quilômetros de trilhos serão devolvidos, incluindo trechos em operação classificados como antieconômicos. Para essa devolução, foi fixado um teto de R$ 4,2 bilhões em indenizações, cujo valor final será calculado após a renovação da concessão.

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Após a publicação do texto, a assessoria de imprensa da VLI, concessionária da ferrovia, entrou em contato com a coluna e informou que o “caderno de obrigações” enviado à ANTT inclui 178 obras de melhoria de mobilidade urbana. Embora diga haver “estimativas de prazos e custos” para as obras, a empresa não apresentou números e dados do orçamento delas, alegando ser impossível revelá-los. “A companhia aguarda a análise, a validação e a formalização dos dados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres”.

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