Canetas emagrecedoras podem reduzir custos de companhias aéreas
Estudo aponta que a redução do peso médio dos passageiros pode gerar economia milionária em combustível e aumentar a rentabilidade do setor aéreo
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Canetas para perda de peso, como Ozempic e Wegovy, podem gerar um efeito inesperado fora do campo da saúde: economia de combustível para as companhias aéreas. De acordo com um relatório divulgado pela Jefferies, empresa global de serviços financeiros, a popularização dos medicamentos à base de GLP-1 pode reduzir significativamente os custos operacionais das principais companhias aéreas dos Estados Unidos.
A estimativa é que as American Airlines, Delta Air Lines, United Airlines e Southwest Airlines economizem juntas até US$ 580 milhões por ano em combustível, caso os passageiros fiquem mais leves. A lógica é simples: quanto menor o peso transportado, menor o consumo de querosene de aviação.
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“Faz todo sentido que o peso dos passageiros também impacte os custos”, afirmou Sheila Kahyaoglu, analista da Jefferies e uma das autoras do estudo, ao The New York Times. Segundo ela, as companhias aéreas buscam reduzir o peso das aeronaves para ganhar eficiência e gerar economia.
O combustível representa uma das maiores despesas do setor. A projeção da Jefferies indica que, em 2026, as quatro maiores companhias aéreas dos EUA devem consumir cerca de 16 bilhões de galões, a um custo total de US$ 38,6 bilhões (R$ 205 bilhões), o equivalente a quase 20% das despesas operacionais.
Embora a economia estimada com passageiros mais magros represente cerca de 1,5% dos gastos com combustível, o impacto é relevante. Pequenas variações de peso fazem diferença no balanço das aeronaves, que precisam gerar mais empuxo — e gastar mais combustível — quanto mais pesadas estiverem.
O estudo considera um cenário em que a sociedade fique, em média, 10% mais magra, impulsionada pelo uso dos medicamentos. Nesse caso, o peso total dos passageiros cairia cerca de 2%, o que poderia gerar um aumento de até 4% no lucro por ação das companhias aéreas.
Para ilustrar, os analistas usaram como exemplo um Boeing 737 Max 8. Com 178 passageiros pesando, em média, 82 quilos, o peso total de decolagem chega a cerca de 82 toneladas. Se o peso médio cair para 73 quilos, a aeronave decolaria com aproximadamente 80 toneladas — uma diferença que se traduz em economia ao longo de milhares de voos.
O setor aéreo tem histórico de medidas extremas para reduzir peso. Nos anos 1980, a American Airlines retirou uma única azeitona das saladas servidas a bordo e economizou cerca de US$ 40 mil por ano. Mais recentemente, empresas trocaram revistas impressas por versões digitais ou reduziram a gramatura de papéis usados em cabine pensando na economia.
Segundo pesquisa da organização não-governamental Kaiser Family Foundation, um em cada oito adultos nos Estados Unidos afirma usar medicamentos GLP-1, que reduzem o apetite e ajudam na perda de peso. Com a chegada de versões orais e acordos para redução de preços, a tendência é de ampliação do acesso e do impacto desses remédios.
Embora as companhias aéreas não devam comprar menos combustível de imediato, os analistas apontam que o fenômeno pode influenciar até outras áreas do negócio, como a venda de alimentos a bordo.
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