PALESTRA

Democracia, revoluções e gênero é o tema do "Sábados Feministas", na AML

Encontro discute a relação entre regimes democráticos, processos revolucionários e a conquista de direitos pelas mulheres. O evento é gratuito e aberto

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Com o tema “Democracia, revoluções, gênero: lutas históricas e desafios contemporâneos”, o Sábados Feministas retoma suas atividades, no dia 21 de março, a partir das 10h. O encontro reúne, na Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1466 – Centro), o cientista político Leonardo Avritzer e a historiadora Stella Ferreira para discutir a relação entre regimes democráticos, processos revolucionários e a conquista de direitos pelas mulheres. O evento é gratuito e aberto ao público.

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Abrindo a programação anual do Sábados Feministas, o encontro propõe uma leitura histórica e contemporânea das lutas das mulheres, articulando democracia, Estado, revoluções e resistência. Em um momento de desafios institucionais e disputas de narrativas, o debate reafirma a importância da reflexão crítica como instrumento de fortalecimento da cidadania e da igualdade de gênero. Há uma relação intrínseca entre democracia e ampliação de políticas públicas, especialmente para as mulheres? Essa é a questão motriz do debate que abre a temporada 2026 do projeto Sábados Feministas, propondo uma reflexão crítica sobre avanços históricos e impasses ainda presentes.


Para Leonardo Avritzer, coordenador do Instituto da Democracia, não há, em termos gerais, uma relação automática entre democracia e conquista de direitos. No Brasil, contudo, essa associação se consolidou de maneira decisiva a partir da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, que instituiu as bases de políticas públicas estruturantes. “As principais políticas públicas do Brasil estão fundadas na Constituição de 1988”, afirma o pesquisador, citando a universalização da saúde, antes restrita a trabalhadores formais, e a consolidação do Sistema Único de Saúde. Ele destaca ainda a implementação de programas sociais em diferentes governos, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), como expressões dessa arquitetura constitucional de direitos.

Stella Ferreira, doutora em História e pesquisadora do IEAT/UFMG
Stella Ferreira, doutora em História e pesquisadora do IEAT/UFMG Arquivo pessoal


Já Stella Ferreira, doutora em História e pesquisadora do IEAT/UFMG, chama atenção para o fato de que, mesmo em contextos revolucionários, as demandas das mulheres frequentemente foram consideradas secundárias. Em sua pesquisa sobre movimentos na América Latina, ela analisou tensões entre feministas e lideranças políticas em experiências como a de Cuba e a Revolução Sandinista, evidenciando conflitos que levaram a rupturas e reposicionamentos estratégicos. Para a historiadora, a vigilância permanente dos movimentos feministas é fundamental para que pautas de gênero não sejam tratadas como “menores” dentro de projetos políticos mais amplos.


O projeto Sábados Feministas é uma iniciativa da AML em parceria com o movimento Quem Ama Não Mata e acontece no âmbito do “Plano Anual Academia Mineira de Letras – AML (PRONAC 256536)”, previsto na Lei Federal de Incentivo à Cultura, e tem o patrocínio do Instituto Unimed-BH – por meio do incentivo fiscal de mais de cinco mil e setecentos médicos cooperados e colaboradores. O evento tem apoio do Minasmáquinas e do Esquina Santê.


SERVIÇO


Sábados Feministas


Democracia, revoluções, gênero: lutas históricas e desafios contemporâneos
com Leonardo Avritzer e Stella Ferreira Gontijo

Data: 21/03, sábado, às 10h – Portões abertos às 9h30

Local: Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia 1466 - Lourdes)

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Entrada gratuita

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