GASMIG SOB A CONDUÇÃO de UM ESPECIALISTA
Precisamos acelerar a inserção do biometano em nossa matriz energética, transformando Minas Gerais em referência nacional de gás renovável
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O senhor se formou em Direito pela PUC Minas e, por mais de 20 anos, atua na área de energia, chefiando o Departamento de Energia do escritório Décio Freire Advogados. Em que esta experiência contribuirá para sua nova missão à frente da Gasmig?
A experiência de mais de duas décadas no setor de energia, especialmente à frente do Departamento de Energia do DFA-Décio Freire Advogados, me proporciona uma visão privilegiada para liderar a Gasmig. Atuar na elaboração do marco regulatório do gás natural, representar distribuidoras em discussões técnicas e regulatórias, além de participar de diversas arbitragens e operações de M&A no setor energético, me deu uma compreensão profunda não apenas das normas, mas também dos desafios práticos de quem opera no dia a dia.
Essa bagagem será fundamental para conduzir a Gasmig em um momento de transformação. A capacidade de dialogar com reguladores, estruturar parcerias e avaliar oportunidades para novos projetos estruturantes permitirá que a companhia avance com segurança em projetos de expansão – como o Ramal do Sul de Minas – e na incorporação de novas fontes, como o biometano. Além disso, estou plenamente alinhado com a agenda de integração estratégica entre Gasmig e Cemig, defendida pelo novo presidente da Cemig, Alexandre Ramos, que visa gerar sinergias e fortalecer a infraestrutura energética de Minas Gerais.
O escritório Décio Freire Advogados colaborou na elaboração do marco regulatório do gás natural. Como o Sr. enxerga a evolução do fornecimento do gás natural no Brasil após esta regulamentação? E em Minas Gerais? Há muito a ser feito?
Após a consolidação do marco regulatório federal e estadual do gás natural, observo uma evolução positiva no fornecimento, com maior segurança jurídica que atrai investimentos e viabiliza novas fontes, como o biometano. No Brasil, a Lei nº 14.134/2021 e normas complementares abriram espaço para maior competitividade no suprimento, embora ainda haja espaço significativo para avanços. Em Minas Gerais, os avanços são notáveis com a Lei Estadual nº 24.396/2023, o Decreto nº 49.172/2026 e, especialmente, a ampliação das competências da Agência Reguladora de Saneamento e Energia de Minas Gerais (Arsae-MG), que, desde janeiro de 2026, regula e fiscaliza os serviços de gás canalizado, assumindo funções anteriormente exercidas pela SEDE.
Esse arcabouço cria bases sólidas para integração de biometano, redes isoladas e transporte virtual, promovendo descarbonização, diversificação da matriz e desenvolvimento de novos mercados. Há, contudo, muito a ser feito! A expansão da malha para o Sul de Minas e Triângulo Mineiro – com investimentos previstos superiores a R$ 5 bilhões – e a implementação bem-sucedida de chamadas públicas de biometano são prioridades. A integração com a visão da nova liderança da Cemig, que preconiza atuação conjunta para ampliar gasodutos, representa oportunidade única para acelerar esse processo e consolidar Minas como referência em energia sustentável.
Na sua visão, quais os principais desafios da Gasmig sob sua gestão e o que pretende deixar de legado?
Entre os principais desafios da Gasmig, destaco a expansão sustentável da infraestrutura, o aumento da competitividade do gás natural e o posicionamento da companhia como protagonista no desenvolvimento do biometano no Brasil. Um dos mais relevantes é a interiorização. Projetos como o Ramal do Sul de Minas são prioritários, pois permitirão levar o gás natural a importantes polos industriais e agroindustriais da região. Paralelamente, precisamos acelerar a inserção do biometano em nossa matriz energética, transformando Minas Gerais em referência nacional de gás renovável.
Outro eixo estratégico é a integração com a Cemig, que integra a agenda do novo presidente Alexandre Ramos. Pretendo também aplicar a experiência acumulada ao longo de mais de duas décadas à frente do Departamento de Energia do escritório DFA no desenvolvimento de projetos, identificando oportunidades que fortaleçam a posição da Gasmig no mercado de gás e na expansão da infraestrutura.
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Minha gestão terá como objetivo central a geração de valor para a companhia, sem jamais perder o foco em sua função social. Quero deixar como legado uma Gasmig mais moderna, expandida e integrada ao grupo Cemig. Em suma, uma empresa que gere resultados consistentes para seus acionistas e, ao mesmo tempo, cumpra seu papel de indutora do desenvolvimento regional, levando gás natural de qualidade e a preços competitivos para cada vez mais mineiros.