CEMIG em novas e BOAS MÃOS
"A Cemig vive seu melhor momento operacional e financeiro, fruto de uma gestão responsável que recebo com reconhecimento e respeito"
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ALEXANDRE RAMOS
Novo presidente da Cemig – Companhia Energética de Minas Gerais
Alexandre Ramos Peixoto é “filho da Cemig”. Seus pais foram funcionários da empresa por mais de 30 anos. Na empresa se conheceram; na empresa se casaram. Habilidoso ao extremo, trabalhador incansável e um apaixonado pela empresa, conheça o novo presidente de uma das maiores empresas do estado em entrevista exclusiva para o D&J Minas.
O senhor já atuou na própria Cemig e, nos últimos anos, esteve à frente da CCEE – Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Com isso, sente-se preparado para dirigir a maior empresa do governo de Minas Gerais? O que os acionistas e investidores da empresa, que tem ações em bolsa, podem esperar do novo presidente da companhia?
Acredito que ao longo de uma carreira de 37 anos, passando por diversas instituições do setor, eu tenha obtido as condições necessárias para assumir tamanha responsabilidade e encaro essa responsabilidade com a seriedade e dedicação que ela exige. Essa trajetória de mais de três décadas no setor elétrico brasileiro foi construída justamente nas interseções que hoje definem o negócio da Cemig: a gestão de empresas, a gestão de áreas de Geração, Transmissão, Distribuição, Comercialização abrangendo atividades como, por exemplo, operação técnica, regulatória e de governança, propriamente dita. Iniciei minha carreira como auxiliar técnico aqui, na própria companhia, onde aprendi, ao longo dos anos, na prática o que significa e a relevância de entregar energia confiável e de qualidade a milhões de mineiros. Esse vínculo nunca se desfez. Nos últimos anos, à frente da CCEE, tive a oportunidade de coordenar todas as atividades concernentes à Câmara, bem como comandar o início da abertura do mercado livre de energia elétrica no Brasil, conforme o disposto na Portaria 50/2022 em um momento de profunda transformação, com a expansão das fontes renováveis, das tratativas para a entrada de centrais de armazenamento, do avanço da digitalização e da transição energética ora em curso. Essa visão sistêmica é o que trago para a Cemig. Aos nossos acionistas e investidores, reafirmo um compromisso claro: continuidade com avanço, previsibilidade e sustentabilidade. Assumo a missão de gerir uma empresa que continuará cumprindo os compromissos já assumidos e gerando valor para seus acionistas, mas que, sobretudo, continuará cumprindo suas obrigações e avançando em seu papel com a sociedade, garantindo cada vez mais qualidade, acessibilidade e confiabilidade no serviço prestado. Uma empresa que tem por princípios a transparência, seriedade, a lisura de seus processos, a excelência na prestação de seus serviços e a atuação efetiva como vetor de desenvolvimento do Estado de Minas Gerais.
A Cemig vive seu melhor momento operacional e financeiro, fruto de uma gestão responsável que recebo com reconhecimento e respeito. Daremos sequência ao Plano Estratégico, com disciplina de capital e geração de valor sustentável. Os investimentos previstos em distribuição, transmissão e geração renovável serão executados com rigor técnico e transparência. Investidores podem esperar uma gestão previsível, orientada por resultados, comprometida com as melhores práticas de governança corporativa e atenta ao papel institucional que esta companhia exerce em Minas Gerais e no Brasil. A Cemig seguirá sendo sinônimo de eficiência e com visão de futuro.
O presidente anterior, Reynaldo Passanezi, encerrou seu mandato dizendo que não conseguiu realizar sua principal missão à frente da empresa, fazendo referência à privatização da Cemig. Qual o seu posicionamento em relação ao tema? A privatização da concessionária é mesmo uma necessidade?
A definição sobre o futuro societário da Cemig é uma prerrogativa do nosso acionista controlador, o Governo de Minas Gerais. Como presidente da Cemig, o que posso falar é de qual missão recebi do governador Mateus Simões. São quatro direcionamentos muito objetivos e são eles que vão nortear minha gestão. O primeiro é fazer da Cemig uma indutora do desenvolvimento do Estado de Minas Gerais. Levar energia de qualidade, por meio da expansão do sistema trifásico e de novas subestações.
O segundo é construir uma Cemig que olhe para frente, preparada para a abertura integral do mercado livre de energia elétrica, ou seja, preparada para proporcionar a todos os consumidores do país e principalmente às mineiras e mineiros a inquestionável “liberdade de escolha” quando da contratação da energia elétrica a ser consumida, prevista para ocorrer, nos próximos anos, conforme a Lei 15.269, de 24 de novembro de 2025. Nesse cenário, o foco no cliente, no consumidor deixa de ser um lema e passa a ser nossa principal vantagem competitiva. Pois este consumidor deixa de ser apenas espectador para se tornar protagonista, escolhendo soluções que melhor atendam às suas necessidades e valores – seja pela previsibilidade de custos, pela busca de energias renováveis ou pela flexibilidade contratual. A carteira de clientes será o ativo mais valioso da companhia.
O terceiro é posicionar a Cemig como indutora da economia verde e da descarbonização de Minas Gerais. E, por fim, o quarto é tratar a Gasmig de forma integrada com as necessidades de desenvolvimento do estado e com a atenção estratégica que ela merece. É essa a minha missão, o meu propósito e é aqui que vamos entregar resultado.
O slogan da Cemig faz alusão à “melhor energia do Brasil”. E, de fato, a empresa sempre foi um orgulho dos mineiros. De uns anos para cá, problemas com demora excessiva para efetuar ligações ou mesmo para inclusão na rede de transmissão da energia produzida por PCHs – Pequenas Centrais Hidrelétricas – e por produtores de energia eólica e fotovoltaica têm sido uma realidade na empresa. São desafios capazes de serem superados? Como o Sr. pretende tratar esse tema?
Esse é um tema que terá toda a minha atenção e dedicação, seguindo o nosso planejamento estratégico, que já vem dando resultados significativos nessa frente. A empresa avançou de forma consistente ao longo dos últimos anos, e os números confirmam essa trajetória. A Cemig é hoje a líder no Brasil em conexão de Geração Solar Distribuída. O estado de Minas Gerais é um estado potencialmente detentor de fontes limpas e renováveis e que já se desponta no contexto da transição energética. São mais de 5 GWh de potência instalada e mais de 380 mil conexões realizadas. Na comparação com 2018, quando eram pouco mais de 150 MWh, o crescimento ultrapassou 3.000%. Esse resultado só foi possível graças aos investimentos consistentes realizados pela companhia no período, com destaque para a construção das novas subestações: já foram 150 entregues desde o início desta gestão, com a meta de chegar a 200 novas subestações até 2027.
Também retomamos com força os investimentos em transmissão. De 2019 a 2030 serão R$ 5,3 bilhões destinados para essa área no nosso Planejamento Estratégico. Os aportes anuais saltaram de modestos R$ 82 milhões para uma média de R$ 196 milhões por ano. Um marco importante foi o retorno efetivo da Cemig aos leilões da Aneel. Depois de mais de duas décadas sem vencer um certame, a companhia arrematou um lote que contempla a construção de 150 km de linhas de transmissão, com investimentos da ordem de R$ 300 milhões. Vamos seguir nesse caminho, investindo cada vez mais para enfrentar o desafio da expansão das energias renováveis e garantir que a Cemig continue entregando a melhor energia do Brasil.
O Sr. é tido como hábil articulador e um executivo que valoriza o diálogo. Um desafio de todos os presidentes da empresa sempre foi o relacionamento com a Assembleia e com os prefeitos. O Sr. enxerga nesse aspecto uma dificuldade?
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Não enxergo dificuldade, vejo oportunidades concretas. O diálogo sempre foi e sempre será minha principal ferramenta de trabalho, e é com essa convicção que assumo a Cemig. A condução do nosso setor exige construção permanente de pontes, com o poder público, com o setor produtivo, com a sociedade e, especialmente, com aqueles que representam os mineiros nos municípios e na Assembleia Legislativa. Meu compromisso é manter um canal aberto, transparente e técnico de interlocução com os deputados e com os prefeitos. Enxergo esse diálogo como uma oportunidade de fazer a Cemig chegar mais perto de quem ela existe para servir, que são os nossos consumidores.