Gabriella Rothberg, uma estudante de 17 anos de Miami, registrou uma patente nos Estados Unidos para tomates geneticamente modificados projetados para produzir hemo, substância associada ao sabor característico da carne. A jovem busca criar alternativas para que vegetais apresentem esse gosto sem a necessidade de processamento em substitutos convencionais.
A ideia surgiu aos 15 anos, enquanto ela preparava um sanduíche para o pai e cogitou a possibilidade de alterar o sabor da própria planta. Essa proposta evoluiu até se transformar em um projeto de biotecnologia denominado Impossible Vines.
Leia Mais
Técnica contra infertilidade transforma células da pele em óvulos viáveis
Xenotransplante inédito: rim de porco mantém paciente vivo por 271 dias
Flores comestíveis da Grande BH alimentam restaurantes e supermercados
Desenvolvimento e testes em laboratório
Para viabilizar a pesquisa, Gabriella trabalhou com Maddison Marshall, candidata a doutorado na Universidade de Miami. A dupla utilizou a bactéria Agrobacterium para introduzir material genético nas células vegetais, método aplicado pela capacidade do microrganismo de transferir esse conteúdo para o vegetal.
A patente descreve também técnicas para modificar outras características das plantas: o teor de licopeno, pigmento natural responsável pela coloração vermelha do fruto, e a produção de sementes.
O cultivo enfrentou dificuldades na fase inicial, passando meses sem apresentar o desenvolvimento previsto. Pesquisadores da Universidade de Miami foram consultados e constataram uma concentração incorreta de vitaminas no meio de cultivo celular. Ajustada a fórmula de nutrientes sob condições laboratoriais, as plantas começaram a crescer em poucas semanas.
Uso de tecnologia e apoio familiar
A estudante recorreu a ferramentas de inteligência artificial em diversas fases do trabalho. Os recursos auxiliaram a desenhar construções genéticas, estruturar relatórios da patente e criar um plano de negócios.
O ambiente doméstico facilitou o processo de elaboração do projeto. Gabriella cresceu em uma família de pesquisadores onde temas como evolução, astronomia e física eram frequentes. O registro oficial lista o pai da jovem como co-inventor.
A iniciativa permanece em caráter experimental. Os tomates modificados não passaram por testes de degustação nem chegaram à produção comercial. Especialistas ainda não comprovaram se os frutos atingem o sabor almejado ou trazem ganhos nutricionais reais. O documento patenteado protege a tecnologia descrita, sem atestar que o alimento esteja pronto para consumo humano.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A tecnologia pretende colaborar com o fornecimento de ferro na dieta. A inventora indicou que vegetais com esse nutriente extra podem atender locais onde a carne custa caro ou tem distribuição escassa, beneficiando grupos como mulheres grávidas em nações em desenvolvimento.