O chá surgiu na China mais de dois mil anos antes de Cristo e se espalhou pelo mundo através das rotas comerciais. Hoje, é uma das bebidas mais consumidas, ligada a rituais culturais e momentos de convivência. - (crédito: pexels -pixabay)
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Camomila para acalmar, boldo para o fígado, hortelã para a digestão, gengibre para a gripe. Para muitos brasileiros, o contato com o universo dos chás ainda passa por receitas caseiras transmitidas de geração em geração. Mas o que pouca gente sabe é que esse universo vai muito além da xícara preparada quando algum sintoma aparece.
Os chás estão ocupando novos espaços. Hoje aparecem em cafeterias, empórios, degustações, cursos, harmonizações e experiências gastronômicas. O crescimento acompanha uma tendência global de busca por bebidas sem álcool, sem açúcar e associadas ao bem-estar, mas que também entregam complexidade sensorial e prazer à mesa. Entre 2019 e 2023, o mercado de chás cresceu mais de 40% e movimentou cerca de R$ 1,5 bilhão no último ano, segundo dados da pesquisa global feita pela Euromonitor.
Embora esse interesse esteja ganhando força recentemente, a história do chá no país é antiga. A Camellia sinensis, planta que dá origem aos chás verde, preto, branco, amarelo, oolong e escuro, foi introduzida no Brasil ainda no século 19. Diferentemente do café, porém, a bebida nunca alcançou a mesma relevância cultural e econômica. “Eu gosto de comparar o chá com o café porque a gente entende de café e sabe pouco de chá”, observa a pesquisadora e especialista Paula Batista.
Paula Batista coleciona prêmios em torno dos chás e é a primeira brasileira certificada como conselheira de chá japonês pelo governo do país asiático
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Engenheira agrônoma e servidora do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Paula construiu uma trajetória paralela dedicada ao estudo da bebida. Depois de cursos realizados no Brasil, Argentina, China e Japão, tornou-se, em 2022, a primeira brasileira certificada como conselheira de chá japonês pelo governo do país asiático. No ano seguinte, concluiu um mestrado sobre a exportação de chá brasileiro para o Japão e, em 2024, recebeu reconhecimento do governo da província japonesa, principal região produtora de chá do país asiático, pelo trabalho de divulgação da cultura do chá japonês no Brasil.
Por anos, ela produziu eventos junto à prefeitura da capital mineira para devolver esse conhecimento adquirido e fomentar a curiosidade do mineiro diante da bebida. “Foi uma atividade que eu quis fazer, eu banquei e foi de coração para devolver um pouco para a população da cidade que eu moro aquilo que eu vivenciei e aprendi no Japão. Depois eu não consegui mais fazer evento em Belo Horizonte, mas fiz em São Paulo, Brasília e até em Manaus para a divulgação do chá japonês, quando foram celebrados 130 anos de amizade Brasil-Japão”, detalha.
Segundo ela, parte do desconhecimento sobre o tema está na própria forma como a bebida foi incorporada à cultura brasileira. Enquanto países produtores construíram tradições ligadas ao cultivo e ao consumo da Camellia sinensis, o Brasil desenvolveu uma relação diferente com as bebidas de infusão.
O resultado é que a maioria dos brasileiros chama de chá qualquer preparo feito a partir de folhas, flores, raízes ou cascas. Tecnicamente, a definição é bem específica. Chá é a bebida produzida exclusivamente a partir da Camellia sinensis. Camomila, erva-doce, hortelã, erva-cidreira e outras preparações pertencem à categoria das infusões botânicas.
Isabela Costa Saraiva
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Isabela Costa Saraiva está à frente de uma unidade da Tea Shop, na Savassi, em BH, e percebeu o interesse dos consumidores por chás especiais
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CORTE PORTUGUESA
A origem dessa confusão remonta ao início do século 19. Com a chegada da corte portuguesa ao Brasil, em 1808, o hábito de tomar chá começou a despertar a curiosidade da população. Como a bebida consumida pela nobreza não era amplamente acessível, os brasileiros passaram a reproduzir o ritual utilizando plantas já conhecidas localmente. Segundo Paula Batista, esse movimento encontrou um terreno fértil em um país marcado pela diversidade botânica e pelo conhecimento tradicional sobre o uso de ervas.
“O Brasil tem uma riqueza de flora inacreditável. Muitas plantas já eram utilizadas para fins medicinais e os povos originários conheciam seus usos muito antes da chegada dos portugueses”, destaca. Foi desse encontro entre tradições que surgiu a forma brasileira de compreender o chá. “Aqui no Brasil aconteceu essa união entre o ritual do chá e o costume de consumir plantas medicinais. O método de preparo era parecido e aos poucos tudo passou a ser chamado de chá”, explica.
Mais do que uma questão de nomenclatura, a distinção entre chá e infusão ajuda a compreender a diversidade desse universo. Cada planta tem características próprias, tanto do ponto de vista sensorial quanto da composição química. Para Paula, o mais importante é ampliar o conhecimento sobre a bebida. “É fundamental entender que existe a planta do chá, a Camellia sinensis, que mundialmente é tratada como um produto específico. No Brasil, a legislação permite uma definição mais ampla, e isso não está errado. Mas conhecer essa diferença ajuda a valorizar tanto o chá quanto às demais infusões”, afirma.
NOVAS POSSIBILIDADES
Ao mesmo tempo em que os consumidores começam a conhecer essas diferenças, a expansão do interesse pelos chás também pode ser observada nas lojas especializadas. Em Belo Horizonte, a arquiteta Isabela Costa Saraiva trocou a carreira em uma grande construtora pelo empreendedorismo e, há quase cinco anos, está à frente de uma unidade da Tea Shop, na Savassi, Região Centro-Sul da capital, franquia espanhola especializada em chás e infusões premium.
O interesse pela bebida se fortaleceu ao longo dos anos, especialmente durante intercâmbios no exterior, quando incorporou o hábito de consumir chá preto diariamente. Foi em uma viagem a Gramado (RS), porém, que teve contato pela primeira vez com uma loja dedicada exclusivamente ao universo dos chás. “Eu já gostava de chá, mas ainda conhecia muito pouco desse universo. Achava normal tomar chá amargando porque não sabia que o preparo influencia completamente o resultado. Quando conheci a Tea Shop, fiquei encantada e decidi que queria trazer aquele conceito para a minha vida”, conta.
Segundo Isabela, embora Minas Gerais tenha uma forte cultura ligada ao café, a receptividade aos chás especiais vem crescendo ano após ano. Ela observa que ainda existe certa associação da bebida ao consumo medicinal, mas acredita que esse cenário está mudando. “Muita gente procura chá apenas quando está doente ou com algum desconforto. Aos poucos, as pessoas estão entendendo que o chá também pode fazer parte da rotina e contribuir para o bem-estar e a qualidade de vida”, afirma.
O perfil dos clientes é bastante diverso. Há consumidores habituais que retornam regularmente para reabastecer seus estoques, pessoas que buscam reduzir o consumo de café e também curiosos que entram pela primeira vez em uma casa especializada em chás.
Entre os produtos mais procurados estão os chás pretos tradicionais, bastante populares entre consumidores que buscam uma alternativa ao café, além das infusões sem cafeína destinadas ao consumo noturno. Outra categoria que vem conquistando espaço é o rooibos, com propriedade isotônica, a planta originária da África do Sul ainda é pouco conhecida pelos brasileiros, mas bastante consumida na Europa.
A sazonalidade também influencia as escolhas. Nos meses mais quentes, cresce a procura por blends frutados e opções que podem ser consumidas geladas. Já durante o inverno, ganham destaque misturas com especiarias como canela, gengibre e cravo.
Para quem está entrando nesse universo, o atendimento funciona quase como uma consultoria personalizada. O objetivo é entender hábitos, preferências e expectativas antes de indicar um produto. “Perguntamos se a pessoa procura algo para o dia ou para a noite, se prefere sabores mais doces, florais, frutados ou condimentados. A partir daí, vamos apresentando as possibilidades e explicando como preparar corretamente”, explica.
Com mais de 80 variedades de chás e infusões a granel, a loja também percebe uma demanda crescente por presentes e experiências ligadas à bebida. Kits combinando chás e acessórios estão entre os itens mais procurados. “Quando alguém diz que não gosta de chá, eu costumo responder que provavelmente ainda não experimentou um chá de verdade. Existe uma diferença enorme entre um especial e os produtos que normalmente encontramos nos supermercados”, diz.
Na avaliação da empresária, o chá também vem conquistando espaço como alternativa ao café, especialmente entre consumidores que buscam reduzir a ingestão de cafeína ou amenizar sintomas relacionados à ansiedade e à insônia. “Assim como acontece com o vinho ou o café, o chá tem uma enorme diversidade de aromas e sabores. Isso permite inúmeras harmonizações e usos dentro da cozinha.”
CUIDADO E EXCESSO
O crescimento do consumo de chás e infusões acompanha a busca por hábitos considerados mais saudáveis. No entanto, profissionais da saúde alertam que a popularização dessas bebidas também exige atenção. Do ponto de vista nutricional, os benefícios existem. Muitas plantas apresentam compostos antioxidantes e anti-inflamatórios capazes de contribuir para o funcionamento do organismo. Segundo Amanda Brant, nutricionista, especialista em fisiologia e comportamento alimentar da plataforma Queima Diária, o chá pode ser um aliado da saúde física e mental quando inserido de forma adequada na rotina. “As ervas são ricas em polifenóis, que têm ação antioxidante e anti-inflamatória. Algumas infusões ajudam na digestão, enquanto outras podem favorecer o relaxamento e a qualidade do sono”, explica.
Mas ela ressalta que um dos maiores equívocos está justamente na associação entre natural e seguro. Para a nutricionista, essa percepção leva muitas pessoas a consumirem plantas medicinais sem orientação profissional ou em quantidades excessivas. Ainda, o problema se torna mais evidente diante da popularização de produtos vendidos com promessas de emagrecimento rápido. Embora sejam frequentemente divulgados como soluções naturais, muitos desses preparados atuam principalmente por meio da eliminação de líquidos.
“Nenhum chá queima gordura. Em muitos casos, a pessoa perde água, minerais e acredita que emagreceu. É uma ilusão que pode trazer riscos importantes para a saúde”, afirma. Amanda também chama atenção para o consumo indiscriminado de ervas com efeito diurético ou laxativo. O uso contínuo pode favorecer quadros de desidratação, desequilíbrio eletrolítico e alterações intestinais.
Inclusive, alguns grupos precisam de atenção especial. Gestantes, lactantes, crianças e idosos apresentam maior sensibilidade aos compostos presentes em determinadas plantas. “Existem chás e infusões que podem provocar contrações uterinas, interferir em medicamentos ou causar efeitos adversos importantes. Por isso, orientação profissional é fundamental”, ressalta.
O mesmo cuidado vale para quem utiliza medicamentos de uso contínuo. Segundo Amanda, algumas ervas podem alterar a eficácia de tratamentos para hipertensão, diabetes, depressão e doenças cardiovasculares. Por isso, para a especialista, o principal desafio é encontrar equilíbrio.
Ela concorda que o chá pode fazer parte de uma rotina saudável, mas reforça que ele não deve ser encarado como solução milagrosa. “O natural também tem dose, contraindicação e interação. Chá merece o mesmo respeito que damos aos medicamentos.”
Os sinais de alerta variam conforme a planta utilizada e a quantidade consumida. Tonturas, palpitações, fraqueza, náuseas e cólicas recorrentes estão entre os sintomas mais frequentes. Amanda destaca ainda que alterações na coloração da pele, dos olhos ou da urina podem indicar problemas mais graves e exigem avaliação médica.
Da esquerda para a direita: Gabriela, Jéssica, Arieta e Carol se encontram mensalmente no Tea Club
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Degustar, harmonizar e profissionalizar
Se o brasileiro cresceu ouvindo que chá era remédio, há um movimento crescente tentando mudar essa percepção. Foi justamente essa visão que levou Carla Vicente e Carol Tavares a criarem o “Chá pra quê?!”, projeto que hoje atua na formação de sommeliers de chá e na construção de um ecossistema voltado ao empreendedorismo no setor.
Professoras da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio de Janeiro (ABS-Rio), as duas tiveram contato com toda a cadeia produtiva da bebida durante uma imersão no Sri Lanka, onde visitaram plantações, fábricas e acompanharam de perto o funcionamento dos leilões internacionais de chá.
Ao retornarem ao Brasil, perceberam que o principal desafio do mercado não era vender a bebida, mas ensinar as pessoas a conhecê-la. “Muita gente dizia que não gostava de chá, mas nunca tinha experimentado um chá verdadeiro, preparado corretamente”, recordam.
A constatação mudou os rumos do negócio. O que começou com foco em produtos transformou-se em uma escola dedicada à formação de profissionais e apreciadores. Atualmente, o grupo capacita pessoas interessadas em atuar com consultorias, cartas de chá, harmonizações, eventos sensoriais, desenvolvimento de blends e experiências gastronômicas.
Carla Vicente, criadora do projeto "Chá pra quê?!"
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ESTAR PRESENTE
A mesma percepção é compartilhada pela gastróloga, sommelière de chá e doutoranda em Extensão Rural Gabriela Regina Ferreira, de Viçosa, localizada na Zona da Mata mineira. O interesse pela bebida surgiu durante a pandemia, quando buscava uma atividade que pudesse trazer conforto em meio às incertezas daquele período.
Foi ao conhecer a escola ‘Chá Pra Quê?!’ que ela descobriu um universo inédito. “Entrei no site, descobri que existia uma única planta do chá, a Camellia sinensis, e fiquei curiosa. De lá para cá, incluí os chás na minha rotina e não parei mais de estudar”, conta.
O envolvimento se transformou em atuação profissional. Recentemente, Gabriela desenvolveu uma carta de chás para um spa em Viçosa, trabalho que envolveu visitas ao empreendimento, estudo do perfil do público e curadoria de bebidas alinhadas à proposta de relaxamento e bem-estar. A seleção incluiu chás, blends e drinks sem álcool, priorizando produtos orgânicos, artesanais e sem aromatizantes artificiais. O processo também contemplou orientações sobre preparo, armazenamento e escolha de utensílios.
Segundo ela, a experiência do chá começa muito antes do primeiro gole. “Observar as folhas secas, acompanhar as bolhas surgindo durante o aquecimento da água, sentir o aroma e perceber a transformação da infusão fazem parte do ritual”, explica. Por isso, embora a bebida esteja frequentemente associada à saúde, Gabriela acredita que seu papel em espaços de bem-estar vai além dos possíveis benefícios das plantas. “O chá cria uma pausa. É um convite para estar presente naquele momento desacelerado e a apreciação do chá, para além dos benefícios inerentes à planta, é o diferencial que potencializa, inclusive, os benefícios dos procedimentos realizados no SPA que ocorre naturalmente, sem a promessa de cura.”
Carol Tavares, criadora do projeto "Chá pra quê?!"
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Foi da vontade de aproximar mais pessoas da bebida que nasceu o Tea Club, encontro mensal realizado por Gabriela e pela nutricionista, mestre e doutora em ciência da nutrição, sommelière de chá e tea blender em formação Jéssica Mattar. A iniciativa surgiu após as duas se conhecerem durante o Tea Fest, evento dedicado à cultura do chá realizado no Rio de Janeiro. Inspiradas por encontros semelhantes promovidos em outras cidades, decidiram criar uma versão local em Viçosa.
A proposta é simples: reunir interessados em cafeterias, bares, restaurantes e padarias para degustar diferentes chás enquanto aprendem sobre origem, preparo, processamento e características sensoriais da bebida. As inscrições são gratuitas e limitadas, garantindo um ambiente intimista. Durante os encontros, os participantes observam as folhas secas, acompanham o preparo e experimentam múltiplas infusões do mesmo chá, percebendo como aromas e sabores evoluem ao longo da degustação. “O Tea Club nasceu para criar uma cultura do chá em Viçosa, aproximando as pessoas da bebida por meio da experiência, da conversa e da aproximação do chá à gastronomia local”, explica Jéssica.
Segundo ela, o projeto também ajuda a desconstruir algumas crenças bastante comuns. Nos primeiros encontros, era frequente ouvir perguntas sobre para que determinado chá servia. Com o tempo, o interesse passou a se concentrar em terroir, notas aromáticas, métodos de preparo e harmonizações.“As pessoas começam a perceber que chá também é sabor, aroma, prazer e gastronomia”, resume.
Ao longo das edições, já foram servidos chás pretos chineses e brasileiros, verdes japoneses e blends artesanais. Uma das maiores surpresas para quem participa pela primeira vez costuma ser descobrir que o chá verde, quando preparado corretamente, não é necessariamente amargo. “O segredo está principalmente na qualidade das folhas e no controle do tempo e da temperatura de infusão”, explica Gabriela.
HARMONIZAÇÕES
A mudança de percepção abre espaço para novas aplicações gastronômicas. Se antes o chá era visto apenas como acompanhamento, hoje aparece em harmonizações, sobremesas, drinques sem álcool e até receitas salgadas. Para Gabriela, as possibilidades são praticamente infinitas. “As folhas podem ser usadas como tempero, concentrados podem compor drinks e xaropes, e os chás podem harmonizar muito bem com a culinária mineira”, afirma.
A sommelière já explorou essas possibilidades em receitas autorais, incluindo um pão de queijo preparado com matchá, tradicional chá verde japonês em pó. “A gastronomia mineira fala por si só, mas um bom chá agrega ainda mais sabor e acolhimento.”
Jéssica compartilha da mesma visão. Para ela, o chá possui a mesma complexidade encontrada em bebidas tradicionalmente valorizadas pela gastronomia. “O chá é elegante, sofisticado e extremamente versátil. Assim como acontece com o vinho ou o café, ele pode destacar sabores, limpar o paladar ou criar novas percepções sensoriais durante uma refeição.”
Ao longo de sua trajetória, ela já conduziu harmonizações envolvendo chocolates, queijos, sobremesas, pipocas, vinhos e refeições completas. Também participou de experiências que uniam chá a yoga, meditação e perfumaria.
Já para Carla e Carol, a bebida reúne características suficientes para ocupar lugar de destaque em restaurantes e menus degustação. A diversidade de aromas, a ausência de álcool e a possibilidade de controlar intensidade, temperatura e textura ampliam as combinações possíveis.
Na prática, isso significa harmonizar chás com entradas delicadas, pratos principais, peixes, queijos, chocolates e sobremesas. Quando a combinação é bem conduzida, explicam as especialistas, surge uma terceira experiência sensorial: aquela criada pela interação entre bebida e alimento.
Tea Shop/Divulgação
RECEITA
Masala Chai - Chá indiano para o inverno
Por Paula Batista
Rendimento:
1 porção de aconchego (aprox. 250ml)
Ingredientes:
• ½ xícara de água filtrada (o ponto de partida) • ½ xícara de leite integral ou vegetal (para a cremosidade e o afago) • 1 colher de sopa de folhas de chá preto (a estrutura e a força) • 1 pedaço pequeno de gengibre fresco ralado (cerca de 1 cm) • 1 pedaço pequeno de canela em pau • 2 cravos-da-índia • 2 bagas de cardamomo (levemente abertas, para liberar os segredos de seu interior) • 1 pitada de sementes de funcho (o toque de mestre para trazer leveza) • 3 grãos de pimenta-do-reino preta (partidos, para o fogo essencial) • 1 colher de sopa de açúcar (ou a gosto, para o caramelo)
Modo de preparo:
Em uma pequena panela, junte a água e todas as especiarias. Leve ao fogo e observe. Deixe que fervam juntas por 3 a 5 minutos. Nesse momento, as especiarias tingem a água e liberam seus óleos essenciais, perfumando a casa e anunciando que algo bom está sendo costurado.
Adicione o chá preto a essa infusão aromática. Desligue o fogo, tampe a panela e silencie o preparo por 3 minutos. É o tempo necessário para que o chá preto entregue sua personalidade sem amargor. Com o auxílio de uma peneira fina, coe essa infusão de chá e especiarias diretamente no recipiente onde irá servir. Reserve o líquido aromático e limpo.
Na mesma panelinha (agora vazia), coloque o açúcar e leve ao fogo baixo até que derreta e vire um caramelo dourado e claro. Despeje o leite com cuidado (ele vai borbulhar) e mexa pacientemente até que todo o caramelo se dissolva por completo e o leite ganhe uma cor bege e um aroma tostado irresistível. Despeje esse leite caramelizado quente sobre a infusão coada na xícara. Misture delicadamente.
Dica de especialista (o toque de barista): se quiser uma textura ainda mais sofisticada e uma apresentação digna de cafeteria, você pode utilizar um espumador de leite manual ou prensa francesa para vaporizar o leite logo após derreter o caramelo neles. Essa espuma densa e aveludada sobre o chá trará uma leveza extraordinária a cada gole.