O que são 'carnes mecanicamente separadas' usadas nos nuggets
Saiba o que significa o termo comum nos rótulos de empanados e processados e qual o impacto no seu prato
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Aquela expressão "carnes mecanicamente separadas" (CMS), comum nos rótulos de nuggets, salsichas e outros empanados, descreve uma matéria-prima obtida pela indústria para aproveitar ao máximo a carne que fica aderida aos ossos de aves e suínos após a desossa principal. O resultado é um produto com textura de pasta, que serve de base para muitos alimentos processados.
O processo utiliza equipamentos de alta pressão que comprimem as carcaças contra uma espécie de peneira. A força mecânica separa os tecidos mais macios, como músculos, gordura e medula, dos fragmentos de ossos maiores, que são retidos. Essa pasta resultante é então resfriada e utilizada na fabricação de outros produtos.
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A prática é uma forma de reduzir o desperdício na indústria alimentícia, garantindo o aproveitamento de partes que, de outra forma, seriam descartadas. No entanto, a composição da CMS é diferente da carne in natura, o que gera dúvidas sobre seu valor nutricional e segurança.
O que a legislação diz sobre o consumo
No Brasil, o uso da CMS é regulamentado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Instrução Normativa SDA nº 4, de 2000. A legislação estabelece limites para componentes como cálcio (máximo de 1,5% em base seca), que indica a quantidade de resíduos ósseos na pasta, além de critérios de qualidade microbiológica para garantir que o produto seja seguro para o consumo humano.
A presença do ingrediente deve ser informada de forma clara na lista de ingredientes do rótulo. Por isso, ao comprar empanados, salsichas ou mortadelas, é possível verificar se a CMS faz parte da composição. Normalmente, ela aparece entre os primeiros itens, indicando que está presente em quantidade significativa.
Qual a diferença para a carne tradicional
A principal diferença entre a CMS e um corte de carne tradicional está na composição. A carne mecanicamente separada costuma ter um teor de gordura mais elevado e um percentual de proteína inferior quando comparada a um filé de frango ou a um bife. A legislação brasileira define que a CMS deve ter, no mínimo, 12% de proteína e, no máximo, 30% de gordura.
A textura também é distinta. Enquanto a carne moída é feita de fibras musculares trituradas, a CMS é uma emulsão mais homogênea, o que facilita sua incorporação em receitas industriais. Além dos famosos nuggets, o ingrediente é frequentemente encontrado em produtos como:
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Salsichas e linguiças;
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Mortadela;
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Patês industrializados;
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Hambúrgueres processados.
Portanto, ler o rótulo é fundamental para que o consumidor faça escolhas conscientes, identificando a presença e a quantidade de CMS na composição dos alimentos processados.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.