Quarta artista da temporada 2026 do projeto Sarau do Minas, Lislie se apresenta nesta segunda, às 20h, no teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas. Coincidência ou não, neste 26 de outubro são comemorados os 80 anos de nascimento de Belchior (1946-2017). O repertório dele será relido pela cantora de Nova Lima.
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Para muita gente, a porta de entrada para o universo do cearense foi “Como nossos pais” (1976), a canção mais executada de Belchior, em levantamento realizado neste mês pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). Com Lislie não foi diferente. Adolescente, conheceu Elis Regina na arrebatadora gravação do disco “Falso brilhante”. “A partir dela, cheguei a ele e, aí, de fato, fui buscar os vinis do Belchior.”
Nos shows do sarau, cada selecionado escolhe um compositor para interpretar. Para Lislie, a apresentação marca um retorno às canções de Belchior. Entre 2019 e 2022, ela foi cantora do bloco Volta, Belchior. “Como diz o Luiz Antônio Simas, o carnaval é uma festa para afastar os maus agouros. A música do Belchior tem muito isso, pois é o canto como resistência e existência”, diz ela.
Desde que Lislie deixou o bloco, ela só interpretou uma ou outra música dele em show. “É um revisitar mesmo da obra. O repertório chegou mais maduro, é muito mais meu. Eu era ouvinte, no bloco virei cantora, mas agora dou às músicas uma coisa mais pessoal. Hoje, quando pego o repertório dele, tenho um entendimento da mensagem política, de um Brasil profundo e poético que não tinha na época do bloco”, afirma.
Na apresentação de hoje ela estará acompanhada de Giuliano Coura (guitarras e direção musical), Almin Bah (bateria e percussões), Guilherme Sampaio (baixo), Samuel Pena (violões) e Luadson Constâncio (teclado e acordeon).
Além dos clássicos “Apenas um rapaz latino-americano”, “Coração selvagem” e a já citada “Como nossos pais”, ela selecionou também alguns lados B, como “Galos, noites e quintais” e “Princesa do meu lugar”, que Belchior nunca gravou em disco. Serão 14 canções dele e uma de autoria de Lislie, “Mapa da jornada”, single do segundo álbum da cantora, “Fogo & aguaceiro” (2025).
“Quando visito o repertório do Belchior, não vejo só o sertão geográfico do Nordeste. Acho que sertão é tudo que é considerado à margem. Como leitora de Guimarães Rosa, ‘o sertão está dentro de nós’. Essa música fala sobre a territorialidade do corpo feminino, essa coisa de sofrer com pressões estéticas, das marcas do corpo. Essas marcas são o mapa da jornada, e acho que o tema combina com o repertório dele, das subversões do olhar, de pensar as pessoas que não são mostradas nos livros oficiais”, comenta Lislie.
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LISLIE CANTA BELCHIOR
Show nesta segunda (26/10), às 20h, no Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia). À venda na bilheteria e no Sympla.
