Concerto celebra relação entre arte e arquitetura do Brasil e da China
4º Festival Interativo de Música e Arquitetura (FIMA) leva à Sala Juvenal Dias programa erudito e exibições em telão como parte do Ano Cultural Brasil-China
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Como parte do Ano Cultural Brasil-China 2026, o 4º Festival Interativo de Música e Arquitetura (FIMA) tem como tema principal “A China entre nós: uma viagem musical pela história, arte decorativa, arquitetura e criatividade no Brasil colonial”. Unindo música, arquitetura e história, o festival traz a BH concerto que gira em torno das “chinesices” – termo derivado da “chinoiserie”, que surgiu na França e se refere à imitação ou à evocação de estilos chineses na arte ou na arquitetura ocidental.
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Fazem parte da apresentação os músicos Laura Ronai (flauta transversal barroca), Daniel Guedes (violino), João Guilherme Figueiredo de Miranda (violoncelo barroco), Bruno Procopio (cravo), além da soprano Yu Xi e a mezzo-soprano Carolina Faria. O programa foi dividido em três atos e um epílogo: Ato 1, barroco mineiro; Ato 2, China, jesuítas e São Paulo e Ato 3, Bahia e Rio de Janeiro.
Duas composições inéditas integram o repertório, “Chinoiserie 1” e “Chinoiserie 2”, encomendadas pelo festival ao pianista e compositor André Mehmari. Também estão no programa as “Lisbon minuets”, de Pedro António Avondano, “Divertissements chinois”, da música da corte Qing, e “Sonata para violino e baixo contínuo em dó maior, Op.3, nº 7”, de Teodorico Pedrini.
“Essa edição é dedicada ao Brasil colonial, falando sobre as influências chinesas nesse período. O espetáculo que estamos trazendo a Belo Horizonte é um pouco diferente do que fazíamos antes, em que íamos para os prédios arquitetônicos e levávamos a música para aquele espaço. No festival, estamos trazendo imagens de diversas construções espalhadas pelo país, especialmente em Minas Gerais”, afirma o gestor cultural e compositor Pablo Castellar, idealizador do evento.
IGREJAS
Ele cita a Igreja de Nossa Senhora do Ó, em Sabará; a Basílica Matriz de Nossa Senhora do Pilar e a Igreja Matriz de Santa Efigênia, em Ouro Preto, como construções com influências da China. O gestor ainda menciona o órgão Arp Schnitger, na Catedral Basílica Nossa Senhora da Assunção, no município de Mariana, decorado com desenhos que remetem à cultura chinesa.
“A música é uma ferramenta de construir conexão afetiva. Também é interessante para quem quer conhecer um espaço, ou uma história, ou arquitetura, ter contato com a música de concerto de uma maneira muito mais imersiva, não só daquela forma contemplativa que ficamos quando assistimos a um espetáculo. Deixamos a música nos levar também como um elemento que se funde a algo que está presente no nosso olhar e na percepção através desse diálogo entre música, arte decorativa e história”, afirma o compositor.
Parte da influência “importada” da China em obras e utensílios brasileiros se dá a partir da laca chinesa, resina natural utilizada como revestimento, que, quando seca, oferece uma proteção leve e resistente à água. Costuma ser utilizada para pintura, especialmente com pigmentos vermelhos, esculturas e incrustações de ouro.
“Portugal traz essa influência, que acaba sendo um elemento de decoração em muitas igrejas, já que trouxeram muitos objetos e especialistas com conhecimento no trabalho com laca. É muito interessante mostrar que essa relação com a China existe desde esse período”, diz Castellar. Além de construções sacras, a influência chinesa também pode ser vista em artefatos como leques e porcelanas.
4º FESTIVAL INTERATIVO DE MÚSICA E ARQUITETURA (FIMA)
Concerto neste domingo (1º/11), na Sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro), às 17h. Entrada gratuita, sem necessidade de retirada antecipada de ingressos.
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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes