'Carmen', tragédia cada vez mais atual, está de volta ao palco
Coreografia de Luiz Fernando Bongiovanni volta ao cartaz na quinta e sexta-feira (29 e 30/10), com a Cia de Dança do Palácio das Artes
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Autonomia feminina e a violência decorrente das relações de poder e dominação ganham a cena com a volta ao cartaz de “Carmen”, espetáculo da Cia. de Dança do Palácio das Artes. Com direção e coreografia de Luiz Fernando Bongiovanni, a releitura da célebre obra de Georges Bizet estreou em 2024 e será apresentada hoje e sexta-feira (29 e 30/10), às 20h, no Palácio das Artes.
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A ópera de Bizet estreou em 1875 e tem como ponto de partida a novela homônima publicada em 1845 pelo francês Prosper Mérimée.
Ambientado na Espanha do século 19, o enredo acompanha a independente Carmen, que se apaixona pelo soldado Don José. Ele abandona a carreira militar para viver com a amada, mas se torna ciumento, o que a afasta.
Ao rejeitar as tentativas de reconciliação e se envolver com o toureiro Escamillo, Carmen vive sob crescente tensão, que culmina em trágico desfecho. Quando estreou em Paris, a ópera provocou estranhamento, devido à protagonista que contrariava os padrões morais da época.
Com o tempo, entretanto, “Carmen” se tornou um dos títulos mais conhecidos do repertório operístico.
Atualmente, a naturalização do discurso misógino e os casos de violência contra a mulher tornam oportuna a retomada da montagem mineira.
“É uma história atemporal, que fala de feminicídio, essa chaga tão latente nos dias de hoje”, diz Sônia Pedroso, diretora da Cia. de Dança do Palácio das Artes, destacando o trabalho realizado com esmero por Luiz Fernando Bongiovanni.
“O espetáculo traz proposta bastante artística e física no campo da dança-teatro, então entendemos que é um desafio bom de encarar”, afirma Sônia.
Bongiovanni criou a coreografia a partir de “Carmen suite”, tema composto em 1967 pelo russo Rodion Shchedrin (1932-2025), que relê a música de Bizet dando ênfase a instrumentos de percussão e à intensidade rítmica. Isso abre novas possibilidades para a interpretação de conflitos e emoções dos personagens por meio do movimento.
Sônia aponta que a amplitude da atuação dos dançarinos chamou a sua atenção no trabalho realizado pelo coreógrafo.
“O espetáculo evidencia a versatilidade do grupo, com os bailarinos incorporando personagens que contam uma história, mas também permite ao intérprete colocar muito de sua personalidade”, ressalta.
A dramaturgia, com sua linha narrativa, é desenvolvida por meio da música e dos movimentos do corpo. “É uma história de muito tempo atrás, mas que diz da atualidade de forma muito potente. Então, é um desafio de atuação não somente na dança, mas dos bailarinos enquanto artistas criadores”, explica a diretora.
Sônia destaca a união dos bailarinos e de toda a equipe envolvida. “Estávamos todos muito inspirados, apostando numa obra tão clássica, tão bonita e, ao mesmo tempo, tão contemporânea. Tivemos uma parceria muito potente entre todos os bailarinos, técnicos e o pessoal da produção, no sentido de ocupar esse espaço artístico que é infinito, porque trabalhamos com estilos variados”, diz.
As apresentações vão contar com a participação especial da Escola de Dança do Cefart, que abrirá as duas noites com a coreografia “Pulsar”, de Maxmiler Junio e Eliatrice Gischewski.
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“CARMEN”
Com Cia. de Dança do Palácio das Artes. Direção e coreografia: Luiz Fernando Bongiovanni. Quinta e sexta-feira (29 e 30/10), às 20h, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), à venda na plataforma Sympla, na bilheteria e totens do Palácio das Artes