Festival de Cinema Francês traz a BH filme monumental sobre De Gaulle
Exibindo 21 produções, 19 delas inéditas no Brasil, programação estreia nesta quinta-feira (29/10) em quatro salas da capital mineira
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A luta solitária de um homem com ares quixotescos. É desta maneira que o mais célebre dos generais franceses do século 20 é apresentado em boa parte da narrativa de “De Gaulle: A França livre”. Filme monumental em duas partes, o longa de Antonin Baudry chega ao país em boa hora. É a estrela do Festival de Cinema Francês do Brasil, que começa nesta quinta-feira (29/11), em mais de 50 cidades.
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Em sua 17ª edição, o evento exibirá 21 produções em cerca de uma centena de salas. Em Belo Horizonte, será realizado nos cines Belas Artes, Centro Cultural Unimed-BH, Ponteio e Sesc Palladium.
Mensagem
A curadora e diretora Emmanuelle Boudier afirma que “De Gaulle” foi escolhido como destaque por mais de uma razão.
“São poucos os filmes desse porte produzidos na França (o orçamento somou cerca de 70 milhões de euros). É diferente do que costumamos ver no festival: muito grande, com cada parte com duas horas e 40 minutos, o que dificulta a grade de programação. Mas é tão incrível, com mensagem tão forte, que achamos que se encaixa exatamente na época em que vivemos”, diz.
“De Gaulle: A França livre” levou cinco milhões de pessoas aos cinemas de seu país. O longa nasceu de “Charles de Gaulle: Uma biografia”, do historiador britânico Julian Jackson. O volume de mil páginas foi lançado no Brasil em 2020 pela Zahar.
A primeira parte acompanha o general em Londres, em junho de 1940, durante a criação das Forças Francesas Livres para combater os nazistas. Paralelamente, revela a trajetória de um grupo de jovens resistentes.
Melhor Ator no Festival de Cannes por “A professora de piano” (2001), de Michael Haneke, Benoit Magimel está no Brasil para apresentar o filme em sessões no Rio e em São Paulo. Ele interpreta o general Pierre Koenig, que comandou a Batalha de Bir Hakeim, um dos pontos altos do primeiro filme. Entre maio e junho de 1942, no deserto da Líbia, 3,7 mil soldados franceses resistiram durante 16 dias diante de 37 mil combatentes nazistas.
Já o segundo longa é ambientado entre 1943 e 1944, acompanhando a guerra até a libertação da França. O ator franco-armênio Simon Abkarian interpreta De Gaulle, o britânico Simon Russell Beale vive Churchill e o americano Campbell Scott faz o papel de Roosevelt.
Dezenove produções do festival são inéditas nos cinemas brasileiros. Como em todas as edições, o evento exibe clássicos franceses. Completando 60 anos, “A grande escapada” (1966), de Gérard Oury, acompanha dois civis franceses que ajudam pilotos britânicos a fugir dos nazistas.
Já a animação “O rei e o pássaro”, de Paul Grimault, lançada em 1980, começou a ser produzida em 1946. Com forte influência do japonês Hayao Miyasaki, o filme nasceu do conto “A pastora e o limpador de chaminés”, de Hans Christian Andersen.
A seleção de inéditos reúne produções que participaram de grandes festivais. Filme de abertura de Cannes este ano, “O beijo elétrico”, de Pierre Salvadori, traz no elenco Pio Marmaï, Anaïs Demoustier e Gilles Lelouche.
Coprodução de Japão e França, “O sentido da vida”, de Ryusuke Hamaguchi (Oscar de Melhor Filme Internacional por “Drive my car”), saiu de Cannes com o prêmio duplo de atriz para Virginie Efira e Tao Okamoto.
Ainda que o festival busque dosar dramas e comédias, Emmanuelle Boudier concorda que a seleção privilegiou produções mais leves. “Como estamos em uma época muito dura, sentimos essa necessidade. E também a preocupação de não cair muito no drama e na distopia. Mas a comédia francesa tem sempre pano de fundo social, alguma crítica.”
As novas conformações familiares estão em “O que é o amor?”, de Fabien Gorgeart, com a dupla Laure Calamy e Vincent Macaigne interpretando um ex-casal que viaja para o Vaticano para tentar anular seu casamento católico.
Atriz e roteirista, Pauline Clément protagoniza duas comédias. Em “Uma menina de ouro”, de Jean-Luc Gaget, ela é uma parisiense que enfrenta dificuldades na vida profissional e amorosa. A outra é “Bem-vindos à La Comédie Française”, de Martin Darondeau e Bertrand Usclat. Foi rodada na tradicional sede da companhia estatal francesa com atores que integram o grupo.
Como o longa dura pouco mais de uma hora, será exibido junto de “Duas pessoas trocando saliva”, de Natalie Musteata e Alexandre Singh, vencedor do Oscar de Melhor Curta-Metragem.
Durante sua campanha para a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o curta ficou liberado on-line por um período. O festival dá oportunidade de ver na tela grande a impactante narrativa em preto e branco sobre duas mulheres que iniciam uma relação de desejo na sociedade opressiva que considera o beijo um crime mortal.
Isabelle Huppert
Estrela maior do cinema francês, Isabelle Huppert participou da edição de 2025 do festival. Este ano, será vista na comédia dramática “A ilustre desconhecida”, escrita e dirigida por Marc Fitoussi. Ele, que está no Brasil para participar do evento, dirigiu e escreveu episódios de “Dix pour cent” (2015-2020). O filme trafega no mesmo ambiente da série que correu mundo. Huppert faz o papel da atriz que não consegue nada além de figurações sem fala no cinema e se aproxima de Sandrine Kiberlain (que interpreta ela própria) para tentar realizar seu sonho.
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FESTIVAL DE CINEMA FRANCÊS DO BRASIL
Em Belo Horizonte, o evento será realizado nos cines Belas Artes, Centro Cultural Unimed-BH, Ponteio e Sesc Palladium. Sessões de quinta-feira (29/10) a 11 de novembro. Em Minas Gerais, participam Juiz de Fora, Montes Claros e Poços de Caldas. Programação completa em festivalcinefrances.com.br