Lamparina planeja novidades para o show desta sexta (23/10), na Autêntica
Instrumentos trocados no palco e arranjos diferentes darão novos ares à execução ao vivo das canções de "Delírio coletivo"
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Com novo disco lançado em setembro, o grupo Lamparina chega a Belo Horizonte prometendo um show “delirante”. O repertório de “Delírio coletivo” será a atração desta sexta-feira (23/10), na Autêntica.
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Marina Miglio (voz), Cotô Delamarque (voz e guitarra), Calvin Delamarque (voz e contrabaixo), Stênio Galgani (guitarra), Bino (guitarra e percussão) e Valeria Santos (bateria) voltam para casa.
“Fizemos shows em São Paulo, aqui em BH e dois Tranquilos, um projeto mais intimista”, comenta Calvin Delamarque. A agenda ainda vai abranger outras edições do Tranquilo (São Paulo e Brasília), além de Florianópolis (SC).
Lamparina leva para o palco o universo que transita entre psicodelia e surrealismo. “A melhor forma de trazermos a identidade do disco para o 'ao vivo' é através da música, então pensamos em algumas formas de executar o repertório conectadas com o delírio, mexendo nas minúcias e nos arranjos”, explica Delamarque.
A experimentação passa pelos instrumentos. “Vamos tentar trocar posições do palco e brincar um pouco com isso. Eu mesmo, que nunca toquei guitarra, vou tocar”, adianta o contrabaixista.
O culto da rua
A abertura da noite caberá ao belo-horizontino O Culto da Rua. Valeria Santos, do Lamparina, é também baterista do grupo.
“Nossa vontade é sempre ter uma banda de abertura, mas infelizmente a logística não permite. O importante é dar palco para quem merece”, diz ele.
O show vai contar também com músicas mais antigas, como “Pochete”, “Conversa fiada”, “Feitiço” e “Futuro”. “Essas a gente não tira”, comenta Delamarque.
Uma outra jamais sai do repertório: “Não me entrego pros caretas”. “Neste momento, é bem importante tocá-la”, diz o contrabaixista, referindo-se ao segundo turno das eleições presidenciais, no próximo domingo (25/10).
Nas redes sociais, principalmente Instagram, a banda defende a reeleição do presidente Lula (PT). “Nenhum momento é neutro, muito menos o nosso show”, avisa o contrabaixista.
“A gente acredita que todo movimento cultural tem a capacidade de recarregar as energias de quem está se sentindo enfraquecido, principalmente no atual contexto, em que o Brasil está dividido. Quando a gente sobe no palco, estamos dando um respiro.”
O cuidado com a mente é a principal temática do novo projeto, inspirado na situação vivida pela vocalista Marina Miglio. Neurodivergente, ela ficou internada na capital mineira.
“A banda é quase um organismo vivo, então tomamos as dores do outro como se fosse família mesmo”, comenta Delamarque.
A experiência de Marina é crucial para a banda, pois, segundo ele, a vocalista “presenciou coisas absurdas” onde ficou internada. Calvin também tem relação direta com a saúde mental. Sua mãe trabalhou como assistente social e atuou nessa área.
Tal relação se estende à proximidade com o músico Babilak Bah, responsável pelo Festival de Música Doida de Belo Horizonte, iniciativa voltada para o público neurodivergente e profissionais da área de saúde. O festival, inclusive, é citado no post do anúncio da segunda parte de “Delírio coletivo” no Instagram.
“Vejo o festival muito nichado na área da saúde ainda. É importante levarmos a pauta (adiante), mostrando que a loucura é libertadora, assim como a música. Temos de abraçar e curtir a música doida”, defende Calvin Delamarque.
LAMPARINA
Lançamento do disco “Delírio coletivo”. Abertura : O Culto da Rua. Nesta sexta-feira (23/10), às 20h, na Autêntica (Rua Álvares Maciel, 312, Santa Efigênia). Ingressos de R$ 70 (meia) a R$ 400 (mesa para quatro pessoas), à venda na plataforma Shotgun.
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* Estagiário sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria