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Nova versão de "Carrie, a estranha" é atual, sombria e atraente

Série dirigida por Mike Flanagan, disponível no Prime Video, mostra a jornada de amadurecimento da garota marcada por crueldade, violência e redes sociais

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“Se você acha que conhece a história dela, está completamente enganado.” Quem melhor do que Stephen King, com seus tweets sempre afiados, para apresentar uma nova releitura de seu primeiro romance? “Carrie, a estranha”, série do Prime Video em oito episódios, merece toda a atenção que está tendo.

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É fiel à história original (1974), presta a devida homenagem ao clássico filme de Brian De Palma (1976), mas é uma obra de nosso tempo. E ele, vale dizer, tem pano para manga sobre a história de uma adolescente superprotegida que sofre bullying na escola e, com seus poderes telecinéticos, se vinga dos colegas. É sangrento, obviamente. Mas a produção é muito mais uma história de amadurecimento do que propriamente uma trama de horror.



Mike Flanagan, que desde 2018 capitaneia grandes séries de terror, vide “A maldição da Residência Hill” e “Missa da meia-noite”, escreveu e produziu, além de dirigir quatro episódios. Um elenco superafiado dá vida a personagens que fazem parte da cultura pop há meio século. O catálogo do Prime Video, aliás, traz outras versões da história – mas o que vale mesmo assistir de novo é o filme de Brian De Palma.



Summer H. Howell, que começou a carreira criança em “A maldição de Chucky” (2013), interpreta a personagem-título com todas as nuances entre fragilidade, inocência, bondade e crueldade possíveis. Sua mãe, a fanática Margaret White, é vivida por Samantha Loyan, que se parece muito com Sissy Spacek já adulta. Chris Hargensen, a principal algoz de Carrie, é Alison Thornton. Siena Agudong é Sue Snell, a garota que se divide entre proteger Carrie e ficar ao lado de Chris, sua melhor amiga.



A série tem início tal e qual tantos documentários de true crime. Ligações frenéticas para o 911 tendo, ao fundo, imagens de um incêndio colossal, relatam 200 mortes na escola da cidade de Chamberlain, no Maine.



A trama começa propriamente com a saída de um homem de casa. Trabalhador de uma obra, ele vai para o trabalho ouvindo um podcast de teorias da conspiração. Um acidente terrível o mata. A polícia e uma assistente social chegam à casa dele e descobrem mãe e filha dentro de um “quartinho de oração”. A menina não sai de casa, foi criada e educada ali por uma fanática religiosa.



Para que Margaret continue com a guarda da filha, ela tem que trabalhar. E Carrie tem que ir para a escola. Ela está curiosa e ansiosa para conhecer um mundo do qual nunca fez parte. E tudo vai dar muito errado. A sequência da menstruação, que abria o filme de De Palma, é agora mais cruel. Todo mundo tem celular, e o sangramento de uma garota assustada, que não sabia o que estava ocorrendo, viraliza.



Carrie, que nem celular tem, logo vai parar no Instagram, na conta CarrieRed – o espaço serve também para fazer todas as fofocas da escola. Flanagan teve oito horas para contar a história, então há algumas subtramas que tratam de questões que assolam escolas e famílias do mundo inteiro.



Pedofilia, fanatismo religioso, divisões ideológicas, racismo, tudo isso vem à tona. E ainda tem a questão sobrenatural, que ganhou um forte apelo feminista. É muita coisa, mas realmente funciona até o final. E a série não deve ficar por aí. Há um gancho meio Thelma e Louise que deixa tudo pronto para uma segunda temporada.

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“CARRIE, A ESTRANHA”
• A série, com oito episódios, está disponível no Prime Video.


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