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Lizzie Borden, a famosa assassina dos EUA, é tema de série da Netflix

Nova temporada de "Monstro" acompanha a garota que trucidou o pai e a madrasta no século 19, crime que chocou a sociedade norte-americana

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Ella Beatty, de 26 anos, tinha feito apenas uma participação em “Feud: Capote vs. the Swans” (2024) quando foi chamada para protagonizar a quarta temporada de “Monstro: A história de Lizzie Borden”. A antologia sobre assassinos célebres está entre as séries mais vistas da Netflix. Rodadas anteriores trataram dos casos de Jeffrey Dammer, dos irmãos Menéndez e de Ed Gein.

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Interpretar a jovem que teria matado os pais a machadadas e teve um dos julgamentos mais famosos dos Estados Unidos no século 19 foi uma surpresa para a atriz. “Fiquei muito empolgada”, conta. “Eu não esperava por isso.” Depois, bateu o sentimento de “Meu Deus, o que eu vou fazer?”.



Ella confessa: “Estava apavorada. Então, tentei fazer mesmo com medo e ver se isso ajudava. E também observar o que esse sentimento despertava, o que criava.”



Brutalidade


Na tela, vemos Lizzie delicada e cheia de dedos na relação com o pai frustrado (Charlie Hunnam) e a madrasta megera (Rebecca Hall). Até que, após muitas humilhações, decide acabar com a vida deles de forma extremamente brutal.



Filha do casal de atores Annette Bening e Warren Beatty, Ella diz que fez o dever de casa. Leu muito a respeito do caso real que inspirou a trama, sobre o qual pairam muitas dúvidas, incluindo se foi mesmo Lizzie a responsável pelas mortes.



“Logo no início, comecei a tomar decisões sobre quanto da personagem que o público veria na série seria composto por fatos sobre a pessoa real e quanto seria criação nossa, reflexo do que estava no roteiro”, comenta. “Pesquisei sobre ela, mas também senti que estávamos construindo alguém.”



A atriz assistiu a outras versões da personagem, como a vivida por Chloë Sevigny no filme “Lizzie” (2018), mas tentou não se deixar infuenciar.



“O melhor na história da Lizzie é que existem muitos pontos de entrada. Acredito que cada versão da história, cada forma como ela foi explorada, tenha usado pontos de entrada diferentes”, observa. “A série está fazendo algo muito diferente com a história dela.”



Ella tem uma hipótese sobre por que, passados tantos anos, a personagem ainda atrai o interesse das pessoas. “Talvez seja menos sobre o fato em si e mais sobre a psicologia por trás dele. Acredito que a série seja, de certa forma, um exercício em torno dessa questão.”



O showrunner Ian Brennan diz que todos nós somos capazes de cometer assassinato. “Todos podemos matar. Todo ser humano é capaz de matar; acontece que alguns de nós não matam. E acho que isso tem sido algo muito, muito interessante de estudar.”



O roteirista e produtor-executivo defende as liberdades tomadas pela equipe na ficcionalização do caso real, inclusive colocando Lizzie claramente como a assassina, embora isso nunca tenha ficado comprovado.



“A história que surge, seja qual for a direção tomada, ainda é uma história”, filosofa. “Em uma produção como esta, é preciso examinar o que existe nos registros públicos, mas é responsabilidade sua, como roteirista e criador, tomar uma decisão. Para mim, foi muito claro. Pensei: foi ela que fez isso, e então partimos daí. Não há outra possibilidade. É o que penso.”



O diretor Max Winkler, por sua vez, chama a atenção para o fato de a primeira temporada estabelecer um elo entre Lizzie e outras duas assassinas famosas: Aileen Wuornos (vivida por Sarah Paulson) e Elizabeth Bathory (Vicky Krieps).



Revide


“Desde o início, sabíamos o que queríamos que a série fosse. Não se tratava apenas de Lizzie Borden, mas de ligá-la a outras mulheres que também foram enjauladas e oprimidas e mostrar o que acontece com as pessoas depois de anos e anos de opressão”, afirma. “Quase sempre elas revidam.”



Para ele, o fascínio despertado pelas três tem a ver com a quebra de expectativas. “Existe a fetichização da mulher como mãe, como a pessoa perfeita, capaz de manter a casa arrumada, fazer com que nos sintamos seguros”, lembra. “É uma traição enorme a essa ideia.”.

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“MONSTROS: A HISTÓRIA DE LIZZIE BORDEN”
• Quarta temporada, com oito episódios, disponíveis na Netflix.


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