Terry Crews se declarou ao Brasil durante sua participação no Hotmart Fire 2026, nesta sexta-feira (11), no Expominas, em Belo Horizonte. Conhecido mundialmente por trabalhos como "As Branquelas" e "Todo Mundo Odeia o Chris", o ator falou sobre sua relação com o país em conversa com Igor 3K, do Flow Podcast, e revelou que um dos principais responsáveis por essa conexão é "Cidade de Deus".
Segundo Crews, o filme dirigido por Fernando Meirelles está entre os cinco favoritos de sua vida. O ator contou que costuma reassistir à produção aproximadamente a cada três meses e lembrou com emoção de um episódio recente envolvendo o longa. Durante uma visita à O2 Filmes, ele recebeu um pôster de "Cidade de Deus" autografado por Meirelles.
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Identificação
A relação de Terry com o filme passa também pela própria história. O ator cresceu em Flint, Michigan, cidade marcada por problemas sociais e pela decadência da indústria automobilística. Ao falar sobre "Cidade de Deus", ele afirmou ter encontrado elementos que remetiam à realidade em que cresceu.
A identificação com a história fez com que o filme ganhasse um significado particular para o ator. Segundo Crews, conhecer a produção e descobrir que os personagens retratados eram inspirados em pessoas reais aumentou ainda mais seu impacto sobre ele.
A relação de Crews com o Brasil também passa por dois de seus trabalhos mais conhecidos por aqui: "Todo Mundo Odeia o Chris" e "As Branquelas". Na série, ele interpretou Julius, personagem que se tornou especialmente popular entre os brasileiros. Já no filme, sua participação como Latrell Spencer rendeu uma das cenas mais lembradas de sua carreira no país.
Durante o painel, Crews relacionou a popularidade de "Todo Mundo Odeia o Chris" no Brasil à identificação do público com temas como trabalho, família e capacidade de enfrentar dificuldades. A conexão com "As Branquelas" também apareceu logo na chegada do ator ao palco, quando ele cantou e dançou a música de uma das cenas mais famosas do filme.
Inteligência emocional
A conversa com Igor 3K também deixou "Cidade de Deus" em segundo plano para tratar de temas ligados à trajetória pessoal e profissional do ator. Crews falou sobre experiências difíceis da infância, problemas enfrentados ao longo da carreira e a necessidade de lidar com crises sem esconder as próprias vulnerabilidades.
Um dos conceitos apresentados por ele foi o de crescimento pós-traumático. Para Crews, experiências que inicialmente parecem representar limitações podem contribuir para o desenvolvimento de habilidades importantes.
O ator contou, por exemplo, que possui perda auditiva parcial. A condição fez com que desenvolvesse uma atenção maior à comunicação não verbal e às microexpressões das pessoas. A habilidade acabou se tornando um recurso importante em sua carreira como ator e também nas relações profissionais: " O que você acha que está errado com você pode ser justamente o seu superpoder", afirmou Crews durante a apresentação.
A ideia também foi aplicada à maneira como profissionais e empresas lidam com crises. Em vez de tentar apagar episódios difíceis da própria trajetória, Crews defendeu assumir responsabilidades e compreender como essas experiências podem influenciar a reputação construída ao longo do tempo.
Reputação
Para o ator, a exposição pública exige uma relação mais transparente com o próprio passado. Ele citou momentos de crise em sua vida pessoal e profissional e falou sobre a importância de reconhecer erros e reconstruir a confiança.
A discussão ganhou espaço dentro de um cenário em que criadores, empresários e artistas disputam atenção nas redes sociais. Para Crews, copiar fórmulas de outras pessoas pode até reproduzir resultados momentâneos, mas não cria uma identidade própria.
A defesa feita pelo ator foi de que profissionais construam suas trajetórias a partir de experiências, erros, repertório e visões pessoais. Esses elementos, segundo ele, são justamente os mais difíceis de reproduzir.
Outro ponto abordado foi a relação entre sucesso e impacto. Crews questionou a ideia de que dinheiro, prêmios ou números de audiência sejam suficientes para medir uma carreira. Para ele, o trabalho também precisa produzir algum efeito concreto na vida de outras pessoas.
A passagem pelo Brasil acabou reunindo os dois lados da trajetória apresentada por Terry Crews no Hotmart FIRE, como artista conhecido por personagens populares e o profissional interessado em discutir as experiências que ajudaram a construir sua carreira.
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No palco do Expominas, essa história encontrou uma conexão particular com o público brasileiro. De "Todo Mundo Odeia o Chris" a "Cidade de Deus", Crews falou sobre personagens, filmes e experiências que fizeram com que um ator de Flint encontrasse no Brasil parte da própria história.
