Lançado em 1998, “Da magia à sedução” é um filme fora do padrão. Sob a aba de uma comédia romântica (o que ele simplesmente não é), Hollywood, com duas de suas maiores estrelas – Sandra Bullock e Nicole Kidman – construiu uma história feminista muito antes do #MeToo, misturando gêneros. Tem um quê de terror, de drama familiar e de comédia.


Quase 30 anos mais tarde, com as mesmas protagonistas, atrizes ainda mais influentes do que na época do longa original, a história se repete. Com chegada nesta quinta (10/9) aos cinemas, “Da magia à sedução: Feitiço de amor” carrega a mesma estranheza. Que funciona para os saudosistas, mas abre um flanco para as novas gerações.

A dinamarquesa Susanne Bier – cuja obra, no cinema e na TV, gira em torno das relações familiares –, assumiu a direção da história, com roteiro de Akiva Goldsman (também do filme anterior), a partir de mais um livro de Alice Hoffman.

De uma longa dinastia de bruxas, as irmãs Sally (Sandra Bullock) e Gillian Owens (Nicole Kidman) seguem impedidas de amar. Uma maldição ancestral faz com que qualquer homem pelo qual uma Owen se apaixone morra repentinamente. No novo filme, ficamos sabendo que Sally provou deste mal duas vezes. Seu segundo marido (papel de Aidan Quinn no primeiro filme) também morreu.


Laços

Nos dias atuais, ela segue rígida, neurótica e longe de qualquer magia. Ainda mora na mesma casa no interior de Massachusetts com as tias Jet (Dianne Wiest) e Franny (Stockard Channing), ambas impagáveis. A rebelde Gillian continua vivendo fora, pulando de um namorado para outro, sempre sem criar laços.

Após a segunda viuvez, ficamos sabendo que Sally usou de seus poderes para apagar toda memória de magia da cabeça das filhas, hoje já adultas. Antonia (Maisie Williams) e Kylie (Joey King) vivem sem saber de nada do legado das Owen. Elas estão na casa dos 20 anos e começando a descobrir o amor.

O espectador vai logo compreender que a cronologia da trama foi ajustada. Se fosse para seguir a história original, hoje todas as personagens estariam mais velhas. Mas o que se passa na tela seria mais ou menos nos anos 2000 e não nos dias atuais.

A trama em si tem início quando Kylie se apaixona. O namorado, Gideon (Xolo Maridueña), entra em coma. E é aí que ela fica sabendo da verdade de sua família. Vai para a Inglaterra tentar desfazer a maldição das Owen. Mamãe e titia vão atrás, enquanto Antonia e tia Franny ficam tomando conta do doente.

No meio do caminho, surge um novo pretendente para Sarah, o professor Ian Wright (Lee Pace), que as duas irmãs encontram totalmente nu em seu apartamento em Londres, sob o efeito de magia negra. A química entre ele e Bullock é latente, e ninguém precisa somar dois e dois para compreender onde eles vão parar.

A história segue com muita referência ao filme original – margaritas à meia-noite, Stevie Nicks no som e besouros anunciando uma morte iminente. Até a cena final remete à do primeiro filme, vale dizer.

Mas o clima aqui é mais leve, com Nicole Kidman ganhando as melhores piadas. É interessante perceber que, mesmo que o amor romântico das Owen seja amaldiçoado, a história deixa claro que outros tipos de amor valem tanto quanto. Passados tantos anos, “Da magia à sedução” ainda encanta. Esse poder, no entanto, não é só da história, mas principalmente das duas estrelas à frente do filme.

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“DA MAGIA À SEDUÇÃO: FEITIÇO DE AMOR”
(EUA, 2026, 110 min.) Direção: Susanne Bier. Com Sandra Bullock, Nicole Kidman, Stockard Channing e Dianne Wiest. Estreia nesta quinta-feira (9/9), nos cines Belas Artes, BH, Boulevard, Cidade, Contagem, Del Rey, Diamond, Estação, Itaupower, Minas Shopping, Partage, Pátio, Ponteio, Via Shopping e Cinesercla Norte.

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