Em novo livro, "Téo & o Mini Mundo" tropeçam na linha da vida
Quarto volume compila tirinhas da websérie, discutindo luto, depressão, arrependimento e desilusões
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Quem disse que a infância não é o momento adequado para debater temas mais sensíveis? O luto, a depressão e as desilusões amorosas podem atravessar essa e outras fases da vida. Em um diálogo interno sobre todas essas nuances, o cartunista Caetano Cury dá vida ao quarto livro dos seus quadrinhos “Téo & o Mini Mundo” intitulado “Viver é um risco”.
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Enquanto uma criança faz um risco vermelho no chão, um senhor para pra observar. “O que é isso?/Uma obra de arte./Como chama?/Viver é um risco.” Depois do diálogo, o senhor tropeça na linha, justamente por não entender o impacto da obra. Em diálogos simples como este é que nascem grandes reflexões sobre a vida no novo livro de Téo & o Mini Mundo.
As tirinhas divulgadas no Instagram @teoeominimundo são compiladas dentro do livro e acompanham o jovem Téo e a borboleta Eulália. Além disso, outros personagens aparecem enquanto lidam com dilemas, transitando entre humor, amor e autoconhecimento.
Enquanto Téo faz questionamentos sinceros sobre o porquê da vida ser como é, Eulália cria perguntas, mostrando que nem sempre as respostas são fáceis. “Tenho medo do que vem pela frente/Então divirta-se com o que ficou para trás”, responde a borboleta ao protagonista na primeira tirinha do livro.
Para o autor Caetano Cury, o subtítulo é algo com muitas interpretações. “Esses últimos quatro anos aconteceram coisas que me fizeram refletir. Dos riscos que a gente traça, dos riscos que corremos durante a vida, no mal e no bom sentido. No fundo, também, não sei ao certo o que significa. É algo meio sem explicação e definir isso tiraria as possibilidades que os leitores podem ter de pensar.”
O projeto reúne tiras dos últimos quatro anos e os temas maduros que perpassam o livro são, de certa forma, situações do acaso. “Fazer tirinhas é algo meio inconsciente e intuitivo. Desenho as coisas que me tocam. Por exemplo, o título do livro surge depois da tirinha e não antes dela. É um reflexo de mim mesmo”, explicou o autor.
PEDAÇO DA ALMA
Essa é a quarta vez que as tirinhas, que são postadas online, ganham uma versão impressa. A primeira edição foi publicada em 2019 e a terceira em 2022. Caetano acredita ser essencial para sua criação a materialização do trabalho.
“A rede social é uma casa de aluguel. O livro é uma garantia de que o que eu desenho vai durar um pouco mais. Cada livro impresso na casa de alguém é como um pedaço da minha alma. O escritor tem uma vontade de viver para sempre e os livros carregam vida”, comenta o cartunista sobre a escolha de transformar as tirinhas em volumes.
As piadas e tirinhas de amor podem se transformar em presentes e ser transmitidas de outras maneiras. A presença de Caetano Cury nas redes é constante, mas ele acredita que nada substitui a leitura convencional, do livro (mesmo o digital). “A leitura do Instagram é cheia de estímulos, comentários, ela é muito barulhenta. No livro é você e ele. O livro é silencioso e sagrado”, afirma o autor.
Apesar de preferir o livro físico, em conversas com fãs, Caetano observa que a recepção dos leitores físicos e virtuais é semelhante. Inclusive, muitos leem virtualmente e não sabem da existência dos livros. “Essa tirinha me ajudou em um momento difícil. Essa eu mando pro meu namorado e ele manda outras de amor de volta. Essa eu mostrei pro meu psicólogo e essa outra ele me mostrou”, acrescenta Caetano sobre as principais reações que recebe de “Téo & o Mini Mundo”. Para Cury, é nesse momento que o trabalho vale a pena e que as tirinhas ganham vida.
PASSADO E FUTURO
“Para minha mãe, de onde vim. Para minha filha, para onde vou” é a homenagem que abre o novo volume de “Téo & o Mini Mundo”. Pai-recente de primeira viagem, Caetano observa que a paternidade não modifica apenas sua vida, mas o modo de ver outras.
“Tinha um bebê ali./Então pisquei os olhos e o bebê sumiu.” É assim que Cury abre uma das tirinhas que discute como o passar do tempo muda com a chegada de uma filha. “É bem forte esse sentimento de como as crianças crescem rápido. Precisamos estar presentes e ver o crescimento dos filhos, mas também entender que ainda existe um bebê ali, até mesmo nos adultos. Todos somos crianças grandes”, conta Cury.
A nova vida, além de mudar o seu horizonte sobre seus pais, também faz enxergar o futuro de uma maneira mais bonita, o que impacta a produção de arte. “A vida através dos olhos de uma criança é mais legal e interessante. Algo que a gente perde quando cresce. E como um artista, isso ajuda para que as coisas não fiquem monocromáticas”, explicou o cartunista.
“Fazer arte é uma brincadeira, uma forma de voltar à infância.” Téo é uma criança que discute coisas de adulto porque, no fundo, Caetano é um adulto que também quer discutir coisas de criança. Pensar sobre a vida não é um exercício exclusivo de uma parte da vida; é algo ressignificado ao longo de toda ela.
* Estagiário sob supervisão da editora Ellen Cristie.
SERVIÇO
Téo & o Mini Mundo - Viver é um risco
Caetano Cury
Editora Composição
128 páginas
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Valor R$ 69,90