Banda Eddie traz a BH o show de "Noturna"
Mais recente trabalho do quarteto pernambucano ameniza o tom carnavalesco e juvenil dos anteriores; apresentação será neste sábado (19/9), n’A Autêntica
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Em música pop, permanência é difícil de alcançar. Renovação do repertório e distância da nostalgia pura e simples são fatores que colaboram para uma carreira longeva. Pois eles fazem parte da equação da banda Eddie. Há 37 anos na ativa, o grupo de Olinda segue na independência. Mais importante: ainda relevante.
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Prova disto é seu 11o álbum, “Noturna”. Lançado em agosto passado, é o mote do novo show de Fábio Trummer (vocal e guitarra), André Oliveira (teclados e trompete), Rob Meira (baixo) e Kiko Meira (bateria). Como acontece na maioria das vindas da Eddie a BH, a apresentação, neste sábado (19/9), será n’A Autêntica, com abertura do conterrâneo Siba.
A saída do percussionista Alexandre Urêa, há um ano e meio, foi determinante para nortear o novo trabalho, o primeiro de inéditas desde “Atiça” (2021). “Ele era muito importante também na parte dos arranjos. Agora como quarteto, fizemos um álbum mais de canções”, diz Trummer, 56 anos.
“Noturna” é um pé no freio. Isto não significa um disco menor, mas menos festivo do que os anteriores. Mesmo que a mistura de rock e frevo continue presente, o trabalho também explora ritmos latinos e canções mais lentas.
“Vou chamar meu povo” é uma cumbia, enquanto “A tua verdade” bebe na bossa nova. A instrumental “Titi e Tom Tom” surgiu da melodia que Trummer cantarolava para os filhos Matias e Tomás. Único remanescente da formação original, de 1989, Trummer é autor (sozinho ou com parceiros) de 10 das 11 canções do disco.
ERASTO E NANÁ VASCONCELOS
Nome muito importante da cultura pernambucana, o músico e arranjador Erasto Vasconcelos (1947-2016), é autor de “Poema da paz”. A inclusão da canção do irmão de Naná é também uma forma de celebrar o compositor de “O baile da Betinha”, a música mais executada da Eddie nas plataformas de streaming.
“A Eddie é reconhecida como uma banda muito forte de carnaval”, comenta Trummer. O álbum “Carnaval chanson” (2023) referendou a ligação. “Só que a gente não queria ficar estigmatizado, pois sempre tivemos a mente bem aberta”, diz ele, justificando o tom de “Noturna”.
Trummer vive em Brasília há alguns anos, enquanto os outros integrantes continuam em Pernambuco. Depois de alguns trabalhos gravados à distância, o grupo se reuniu para tocar junto. As gravações de “Noturna” foram no estúdio Mundo Novo, em Olinda.
“Fizemos sets de baixo, guitarra e bateria juntos, algo mais parecido com o que fazemos no palco. A ideia foi usar menos recursos de estúdio, pois esse disco é uma forma de querer afirmar nossa identidade”, diz ele, que adora a expressão pós-punk praieiro para definir o som da Eddie.
As letras acompanham a sonoridade. “A veia social faz parte da nossa origem. Mas tem uma coisa muito em voga, certo elitismo querendo dominar as opiniões”, comenta Trummer, referindo-se à canção “Vou chamar meu povo”. Já “Terra sem lei”, uma das melhores do álbum, parte da atual gestão de Olinda. A canção começa com os versos “Terra sem lei/atormentada/atropelando/atropelada/abandonada”. “Uso metáforas para falar não só de Olinda, mas como um exemplo do mundo”, comenta Trummer.
Ele confirma a intenção de fazer um disco mais adulto. “Faz sentido para o público que acompanha uma banda há muito tempo vê-la amadurecer. Não dá para ficar no lugar juvenil a vida toda. Então busquei sair um pouco da superfície das festas”, diz Trummer.
Boa parte do novo material deverá estar em cena neste sábado. Mas como um show da Eddie é também um reencontro com velhos amigos, músicas de outros épocas – “Pode me chamar”, “Ela vai dançar”, “Lealdade” e “Quando a maré encher” – não faltarão no show.
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BANDA EDDIE E SIBA
Show neste sábado (19/9), n’A Autêntica (Rua Álvares Maciel, 312, Santa Efigênia). Abertura da casa: 20h; Siba: 21h30; Eddie: 23h. Ingressos: a partir de R$ 80, à venda no shotgun.live.