ARTES CÊNICAS

Lucinha Lins interpreta Fafá de Belém em musical que chega a BH

Espetáculo que será apresentado nesta sexta-feira (18/9) e sábado, aborda, além da biografia da cantora, as cores do Pará e a história recente do país

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O espetáculo “Fafá de Belém, o musical”, que celebra os 50 anos de carreira da cantora, aterrissa em BH para duas apresentações, nesta sexta-feira (18/9) e sábado, no Grande Teatro do Sesc Palladium. A biografia da artista é o fio condutor de uma história que mistura política, ecologia e memória afetiva, passando pelas lendas, mitos, encantarias e tradições da região em que ela nasceu. Lucinha Lins encabeça o elenco, representando Fafá na atualidade.

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Outras três atrizes a interpretam em diferentes fases: na infância, ela é vivida por Clarah Passos e Laura Saab, que é sua neta na vida real, e na juventude até a vida adulta, no período em que construiu sua carreira musical, o papel cabe a Helga Nemek.


Com texto, roteiro musical e direção artística de Gustavo Gasparani, “Fafá de Belém, o musical” conta com outros 12 atores e uma banda com cinco músicos, que se dividem em diversas funções, representando o coro Carimbó-Siriá e encenando o Círio de Nazaré.


A narrativa é construída em três planos: o presente, durante a gravação de um documentário em homenagem aos 50 anos de carreira da cantora, no Teatro da Paz, em Belém; as memórias da infância, em uma Belém lírica, marcada por mitos e lendas amazônicas; e a construção da carreira da artista, da capital paraense para o mundo.


“Há três anos, ela me convidou para dirigir o show 'Fafá, a filha do Brasil'. Rodamos durante mais ou menos um ano e, com esse convívio, pude conhecê-la melhor e entender que tudo naquela artista vinha da infância, do local onde nasceu e da família. Tem uma menina do Pará que até hoje a acompanha", diz Gasparini.



DOIS ATOS



Ele destaca que, quando foi chamado para escrever e dirigir o musical, pensou nesses três planos para dar maior amplitude a essa biografia. “Durante as filmagens do documentário emergem as memórias da infância e de toda a carreira”, pontua.


Com 2 horas e 40 minutos de duração, o espetáculo é dividido em dois atos. O primeiro tem início com um número musical dedicado à Amazônia, evocando as lembranças da cantora. “Pauapixuna”, “Bom dia, Belém” e “Eu sou de lá” são algumas das músicas que aparecem nessa primeira parte.


No segundo ato, a atmosfera regionalista dá lugar à estética urbana que também moldou a cantora. Surge em cena, nas interpretações de Helga Nemek e Lucinha Lins, uma Fafá consagrada e politizada, inserida no movimento das Diretas-Já.


Neste segundo momento, a trilha deriva para temas como “Abandonada”, “Emoriô”, “Nuvem de lágrimas” e “Vermelho”. Gasparani destaca que os sucessos estão presentes no roteiro, mas também músicas menos conhecidas, que se conectam com a ação dramática.
“Através desse espetáculo, conhecemos uma cultura muito forte, que é a paraense, e também passamos em revista a história do Brasil, porque são sete décadas de vida; você entende o país da ditadura, da abertura democrática e das questões ambientais, entre outras”, ressalta.



DESAFIO


Lucinha Lins conta que, quando foi convidada para viver Fafá, o musical já era um assunto dentro de sua casa, porque seu marido, Cláudio Tovar, estava integrado à equipe, cuidando dos figurinos. Ainda assim, ela ficou duas noites sem dormir, pensando se aceitava, conforme conta.


“Sou loira, olhos azuis, nada a ver com Fafá. Fazer uma personagem que está sentada na plateia e que é uma das maiores cantoras deste país já é, de saída, um desafio muito grande, mas aceitei por isso mesmo, porque sou movida pelos desafios”, afirma.


Lucinha diz que resolveu embarcar de vez no projeto depois de ler o texto de Gasparani. “Me comoveu barbaramente, porque eu e Fafá somos contemporâneas”, comenta a cantora e atriz, que está com 70 anos. “Muito do que ela viveu e está neste espetáculo faz parte da minha história também. Teve momentos da leitura em que eu achava que tinha sido escrito para mim. Existem as semelhanças entre as nossas vivências, mas também o encantamento da descoberta de coisas de Fafá que eu nunca soube”, diz.


Havia, desde antes, uma relação afetuosa entre as duas, apesar de não se frequentarem muito. Lucinha diz que, a partir do momento em que começaram os trabalhos para o musical, os laços se estreitaram. “Hoje, Mariana, a filha dela, me chama de mãe loira”, conta.


Ela destaca que, no espetáculo, mantém sua identidade musical, sem a preocupação de copiar Fafá. “Não tenho possibilidade nem vontade de tentar imitar Fafá. Não havia a necessidade de ser cover dela. Cada atriz que a interpreta foi chegando nessa personagem do seu jeito”, afirma.

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"FAFÁ DE BELÉM, O MUSICAL"
Espetáculo com Lucinha Lins e grande elenco, nesta sexta (18/9) e sábado, às 20h, no Grande Teatro do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). Ingressos para plateia 1 a R$ 190 (inteira) e R$ 95 (meia), plateia 2 a R$ 150 (inteira) e R$ 75 (meia) e plateia 3 a R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia), à venda na bilheteria e pelo Sympla.



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