Edição de 20 anos da CineBH exibe 102 filmes gratuitamente
Mostra promove também diversas atividades paralelas a partir da próxima terça (22/9); diretora Paz Encina e escritora Conceição Evaristo recebem homenagens
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Há duas décadas, quando a Universo Produção começou a organizar a Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte (CineBH), já com a expertise das mostras de Tiradentes e Ouro Preto, a paisagem audiovisual brasileira era outra.
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O cinema ainda se recuperava dos efeitos devastadores da extinção da Embrafilme, durante o governo Fernando Collor (1990-1992), e os encontros entre cineastas, produtores, críticos e estudantes eram, muitas vezes, mais importantes do que as estruturas institucionais disponíveis para eles.
Foi nesse ambiente que surgiram alguns dos nomes que hoje representam uma das gerações mais vigorosas do cinema mineiro – e brasileiro –, como a produtora Filmes de Plástico, o coletivo Teia, Ricardo Alves Jr, João Dumans, Affonso Uchoa, entre outros.
A trajetória do festival ajuda a explicar a importância da 20ª edição da CineBH, que começa na próxima terça (22/9) e segue até domingo. Mais do que comemorar uma data redonda, o evento se propõe a olhar para o próprio passado, na tentativa de formular perguntas sobre o futuro.
“É uma edição histórica”, afirma Raquel Hallak, diretora da Universo Produção. “Além da celebração dos 20 anos, continuamos com o nosso propósito de manter Belo Horizonte no circuito internacional do cinema.”
CURTAS E LONGAS
Com programação gratuita em diferentes espaços da capital (Cine Humberto Mauro, Cine Theatro Brasil, Cine Santa Tereza, Cine Belas Artes, Centro Cultural Unimed-BH Minas, Teatro Sesiminas e Praça da Liberdade), a CineBH reúne neste ano 102 filmes, entre 49 longas e 53 curtas-metragens, produzidos em 18 estados brasileiros e em países latino-americanos.
A programação inclui pré-estreias, retrospectivas, sessões comentadas, debates, atividades de formação e encontros voltados ao mercado audiovisual.
A pergunta-tema desta edição é “Cinema Latino-Americano: O que será?”. É uma referência direta à canção “O que será?”, de Chico Buarque, que integrou a trilha sonora de “Dona Flor e seus dois maridos” (1976), de Bruno Barreto. O longa terá sessão especial no dia 26, às 19h, no Cine Theatro Brasil.
O festival propõe um panorama de cinco décadas para refletir sobre o cinema latino-americano. Se nos anos 1970 boa parte da América Latina vivia sob regimes militares e o chamado Nuevo Cine Latino-Americano era compreendido a partir de certa unidade política e estética; em 2026 o cenário é mais fragmentado. “Estamos diante de muitos cinemas diferentes e distintos”, observa Raquel.
A programação competitiva incorpora essa diversidade. A Mostra Horizonte, novidade desta edição, é dedicada a primeiros longas-metragens. Já a Mostra Território, criada em 2023, passa por reformulação e deixa de restringir a participação aos cineastas com até três longas.
HOMENAGENS
As homenageadas são a cineasta paraguaia Paz Encina e a escritora Conceição Evaristo. “A gente sempre mostra o cinema em diálogo com as outras artes. Temos música, literatura, dança, artes cênicas e circo. Esse encontro de linguagens artísticas é algo que está muito presente no nosso trabalho”, afirma a diretora da Universo Produção.
Natural de Assunção, Paz Encina construiu uma filmografia marcada pela relação entre memória, território, silêncio e história. Seu primeiro longa, “Hamaca paraguaya”, completa 20 anos em 2026. Falado em guarani e centrado em um casal de camponeses idosos que aguarda o retorno do filho enviado à Guerra do Chaco, o filme se tornou um marco do cinema paraguaio.
A CineBH exibirá ainda “Ejercicios de memoria” e “Carta a un viejo master”, coprodução com o Brasil em que Encina estabelece uma correspondência cinematográfica com Eduardo Coutinho (1933-2014).
Já Conceição Evaristo, uma das mais importantes escritoras brasileiras contemporâneas, receberá o Troféu Horizonte, na abertura do evento. Mineira de Belo Horizonte e autora de livros como “Ponciá Vicêncio”, “Becos da memória” e “Olhos d'água”, ela estreia como atriz de cinema em “Se eu fosse vivo... vivia”, de André Novais Oliveira. O filme é a atração da abertura da mostra, às 20h de terça, no Cine Theatro Brasil.
CINEMUNDI
Integrado à CineBH, o 17º Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução reforça a vocação da mostra para além da programação cultural. O encontro reunirá 37 projetos brasileiros e cerca de 200 profissionais ligados à indústria audiovisual de 15 países.
São produtores, distribuidores, agentes de vendas, representantes de festivais e instituições interessados em estabelecer parcerias e discutir possibilidades de financiamento e circulação internacional. “A tendência hoje é uma rede, e os festivais funcionam como essa rede. Através dela, você cria possibilidades de intercâmbio, experiência e troca”, diz Raquel.
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20ª CINEBH – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE BELO HORIZONTE E 17º BRASIL CINEMUNDI – EVENTO DE MERCADO DO CINEMA BRASILEIRO
A partir desta terça-feira (22/9), com exibição de filmes, debates, seminários, sessões comentadas e outras atividades, no Cine Humberto Mauro,
Cine Theatro Brasil, Cine Santa Tereza, Belas Artes, Centro Cultural Unimed-BH Minas, Teatro Sesiminas e Praça da Liberdade. Programação gratuita, disponível em cinebh.com.br.