Artes cênicas

Regina Advento assina primeiro trabalho como coreógrafa de ópera em Minas 

Radicada na Alemanha desde os anos 1990, quando se tornou bailarina do Tanztheater Wuppertal, ela ensaia a montagem de ‘Chica da Silva’ no Palácio das Artes

Publicidade
Carregando...

Não foram uma ou duas, mas quatro as tentativas da Fundação Clóvis Salgado de trabalhar com Regina Advento. Nas três primeiras vezes em que o convite foi feito, houve empecilhos, o último deles a pandemia. Até que, finalmente, a intenção se concretizou. Há quatro semanas, a bailarina e coreógrafa belo-horizontina, radicada há 36 anos na Alemanha, ensaia diariamente no Palácio das Artes a ópera “Chica da Silva”.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover


No próximo sábado (12/9), haverá uma primeira récita, com o nome de “Chica em Diamantina”, na cidade onde a personagem histórica viveu, no século 18. Já no Palácio das Artes, “Chica da Silva” terá três apresentações, nos dias 19, 21 e 23 deste mês.



Montagem inédita, encomendada pela FCS a Guilherme Bernstein, vai reunir os três corpos estáveis da instituição – Orquestra Sinfônica e Coral Lírico de Minas Gerais e a Cia. de Dança Palácio das Artes. Com direção-geral de Cláudia Malta, o espetáculo tem direção musical e regência de André Brant e direção cênica de Julianna Santos. Regina Advento assina a coreografia.



Ao ouvir de Cláudia Malta ter conseguido que “o balé não seja somente um coadjuvante”, Regina ficou feliz, pois esta é sua primeira incursão em ópera. E também sua estreia como coreógrafa em um trabalho em Minas Gerais.



O espetáculo em Belo Horizonte é ainda um retorno dela aos palcos para trabalhar com dança. Aos 61 anos, após graduação e mestrado em dançaterapia, Regina trabalha em uma clínica na região de Wuppertal, cidade onde mora desde meados dos anos 1990. Os tempos de bailarina ficaram para trás. Foram 25 anos no Tanztheater Wuppertal, companhia fundada por Pina Bausch (1940-2009), a grande dama da dança-teatro, uma das coreógrafas mais influentes do século 20.



DANÇATERAPIA


Regina foi uma das principais bailarinas da companhia por muitos anos. Ficou no grupo até 2019. Depois, foi se dedicar à dançaterapia, profissão em que já investia há algum tempo. “Falei que queria dançar até saturar. E realmente saturei. Não tenho mais a necessidade de estar em cena como bailarina. Adoro fazer vídeos em espaços abertos. Danço em tudo que é lugar. Mas é, para mim, um momento único.”



Quarenta anos de dedicação à dança cobraram seu preço. “Comecei como amadora, aos 16, e parei com 54. Quando machuquei o segundo joelho e operei, consegui voltar. Minha volta foi numa turnê em Tel Aviv com ‘Masurca fogo’ (criada pela cia. de Pina Bausch em 2000), uma peça em que tenho um superpapel. Depois do ensaio geral, falei para o diretor que seria minha última apresentação, que queria sair.”



O motivo foi o próprio corpo. “Não quero destruir meu corpo, não quero prótese. Tenho colegas que já têm prótese na bacia, e não quero chegar nesse ponto.” Regina está bem resolvida com a decisão. “Não sinto falta, tanto que nunca voltei ao teatro (onde o Tanztheater se apresenta) para assistir aos espetáculos. Até agora me perguntaram se não queria voltar, pois vão fazer neste ano duas peças em que tenho papéis importantes, que criei desde o início. Mas não dá, sou muito realista e não posso obrigar meu corpo a fazer uma coisa que eu fazia em 1996.”



AGLOMERADO DA SERRA


A dança chegou para Regina ainda na escola. Viveu com os pais e o irmão até os 14 anos no Aglomerado na Serra. “Meu pai viu como as crianças começaram a usar cola, essas coisas, e resolveu que a gente tinha que sair dali.” Comprou um terreno no bairro São Benedito, em Santa Luzia, e construiu, ele próprio (já que era pedreiro), a casa da família.



Já a mãe de Regina trabalhava na casa da educadora Magdalena Gastelois, fundadora da Escola Picapau Amarelo. “Eu e meu irmão éramos praticamente os únicos pretos da escola”, conta. Os irmãos Pederneiras davam aulas de dança na escola. “Quando me viram, falaram: ‘Essa menina é ‘talentozinha’. Quando a gente abrir a escola (do Grupo Corpo), vamos dar uma bolsa para ela.” Regina começou a dançar na escola do Corpo aos 10 anos. Aos 16, ela mesma já dava aulas. Aos 18, entrou para a companhia.



Só entrou para a dança profissional depois de concluir o Ensino Médio (no Estadual Central) e fazer um curso profissionalizante de auxiliar técnico de patologia clínica. “Pensei: ‘Se acontece alguma coisa, eu posso ir para a universidade’.” Mas a história seguiu de outra maneira.



Ela estreou no Corpo nos trabalhos iniciais de Rodrigo Pederneiras como coreógrafo, “Noturno” (1982) e “Sonata” (1984) entre eles. Dançou até “A criação” (1990). No mesmo ano que o espetáculo do Corpo estreou, ela foi “atropelada” por Pina Bausch.



“A companhia (de Pina) foi para Rio e São Paulo (com o espetáculo “Na montanha um grito foi ouvido”), e o Rodrigo foi assistir. Eu já adorava coisas meio malucas. Quando voltou, o Rodrigo falou: ‘A mulher é louca, o palco é todo cheio de terra”. Regina foi até o Rio para ver a montagem. Acabou fazendo também uma audição.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia



Ao final, disseram que tinham gostado dela, mas que, naquele momento, o grupo não precisava de mulheres. Deixou o contato para quando houvesse uma vaga. “Três meses depois me contactaram e perguntaram: ‘Você quer vir para a Alemanha?’”. Regina chegou em 1990 para integrar o Folkwang TanzStudio, na cidade de Essen, onde Pina atuava como diretora artística. Em 1993, tornou-se integrante da Tanztheater Wuppertal.


Tópicos relacionados:

bh danca opera teatro

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay