‘O mercador de Veneza’ chega a BH com trama de Shakespeare invertida
Montagem em cartaz neste fim de semana transporta a história para os dias atuais e transforma o agiota Shylock, interpretado por Dan Stulbach, em protagonista
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Duas sessões extras foram abertas para a peça “O mercador de Veneza”, estrelada por Dan Stulbach, que ocupa o Grande Teatro Cemig Palácio das Artes neste fim de semana. Serão duas apresentações no sábado (5/9), às 16h e às 20h, e duas no domingo, às 11h e às 18h.
“Nunca fizemos uma apresentação que não tivesse todos os ingressos vendidos”, diz Stulbach, que pela primeira vez encena um texto de Shakespeare profissionalmente, em atuação que tem sido bastante elogiada.
Com direção de Daniela Stirbulov e outros 11 atores no elenco, a montagem conta ainda com a baterista Caroline Calê, que executa ao vivo a trilha sonora, e projeções em vídeo captadas em tempo real por um operador de câmera. “Somos uma equipe de umas 20 pessoas viajando”, pontua o ator.
Stulbach destaca que o encaixe de tudo se manteve desde a estreia do espetáculo, em abril de 2025. “Estamos sempre aprimorando, melhorando. O elenco é praticamente o mesmo desde o início dessa caminhada, o que é muito difícil, porque os atores acabam tendo outros compromissos”, afirma.
A história acompanha Antônio, mercador que contrai uma dívida com o agiota judeu Shylock, vivido por Stulbach, para ajudar seu amigo Bassânio. Como garantia, Antônio afiança uma libra de sua própria carne.
JULGAMENTO
O não pagamento da dívida desencadeia um julgamento que coloca em pauta temas como justiça e preconceito. Na adaptação feita por Bruno Cavalcanti, que é também assistente de direção, a peça transporta a trama da Itália do século 16 para um cenário contemporâneo, onde questões como antissemitismo, preconceito racial e as guerras motivadas pelo capital ganham mais força. Nesta montagem, Shylock é o protagonista, e a história é narrada a partir de seu ponto de vista.
Stulbach diz que essa transposição temporal se justifica porque as questões que Shakespeare aborda no texto seguem reverberando na contemporaneidade. Ele destaca que a peça trata da aceitação das diferenças e da conformação da democracia. “É sobre como a sociedade se constrói e o lugar das minorias dentro dessa construção”, ressalta.
Ele diz que “O mercador de Veneza” trata, ainda, do que é justo e do que não é, bem como dos efeitos maléficos do preconceito. “São assuntos muito atuais, e a adaptação feita pelo Bruno ressalta a força do texto de Shakespeare, encurtando um pouco a história, porque o original daria uma peça de 3 horas e 30 minutos”, comenta.
Ele considera a montagem um “desafio artístico”, pela complexidade dos personagens, mas pondera que, apesar de sua engenharia muito bem elaborada, ela é acessível a qualquer pessoa.
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“O MERCADOR DE VENEZA”
Ingressos disponíveis apenas para a sessão extra de domingo (6/9), às 11h, no Grande Teatro Cemig do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro), a R$ 140 (inteira, plateia superior) e R$ 70 (meia), à venda no Sympla e na bilheteria.