Alguns músicos escolhem um único caminho. Haroldo Bontempo, no entanto, parece ter escolhido vários, e resolveu fazer deles uma estrada só. Do rock psicodélico ao samba, da bossa nova ao indie, do violão à experimentação, ele vai costurando referências aparentemente distantes para construir uma música que é, ao mesmo tempo, brasileira, mineira e muito particular.
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Prestes a começar a turnê de lançamento de “Ao vivo em quarteto”, Haroldo participou do mais recente episódio do podcast "Divirta-se", disponível no canal de YouTube do Portal UAI e no Spotify. Haroldo falou sobre o disco, referências musicais e a experiência de trabalhar com João Donato (1934-2023). Os dois compuseram a canção “Risada”, lançada poucos meses depois da morte de Donato.
“Quando eu falo que tenho uma canção com ele, as pessoas desacreditam. Acham que ele fez uma pequena participação. Mas não foi. É uma coautoria”, disse Haroldo.
“Ao vivo em quarteto” é o terceiro disco do músico de 28 anos, natural de Carmo do Paranaíba. “O objetivo foi passar a sensação de uma apresentação ao vivo, fugindo daquela coisa polida do estúdio e permitindo brincar com novos arranjos”, explicou.
Ainda que seja neto de uma pianista e bisneto de violeiro famoso em Pompéu, na região Central de Minas, Haroldo não herdou a música do berço. Aprendeu violão aos 10 anos só por conta do jogo de videogame Guitar Hero.
“Comecei, então, a compor. Primeiro, músicas de rock moderno. Tive a banda Mineiros da Lua, mas depois me interessei pela bossa nova e por Vinicius de Moraes. Eu estudava samba e bossa nova e tentava trazer aquelas harmonias menos óbvias para o rock psicodélico. Hoje, acredito que me encaixo na Nova MPB, que é uma música brasileira ancorada em tradições como o choro e o samba, mas mantendo a liberdade experimental”, afirma.
A parceria com João Donato surgiu depois da última apresentação do pianista na capital mineira, em 2023. Haroldo ficou responsável pelo show de abertura. Durante a passagem de som, decidiu mostrar ao veterano uma ideia de música. “Um tempo depois, ele me ligou, disse que a música era boa, mas faltava uma segunda parte, e garantiu que faria essa segunda parte”, contou. O resultado é “Risada”.
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Além do disco “Ao vivo em quarteto”, Haroldo pretende lançar nos próximos meses um média-metragem de 45 minutos que mistura o show de lançamento realizado no mês passado com cenas de bastidores e reflexões sobre temas contemporâneos. “É justamente uma expansão de algumas músicas minhas”, conta.
