Depois de cinco anos longe do palco, Taís Araújo volta a percorrer o país com seu primeiro monólogo em três décadas de carreira. Na peça “Mudando de pele”, adaptação do premiado texto da dramaturga britânica Amanda Wilkin, a atriz interpreta três gerações de mulheres em jornadas de transformação. “É o meu projeto de 2026”, ela afirma.
A volta ao teatro estava nos planos antes mesmo da estreia como Raquel no remake de “Vale tudo”, exibido em 2025. Assim que encerrou os trabalhos na novela, Taís se dedicou integralmente à peça. Renovou o contrato com a Globo, mas recusou o folhetim que viria adiante.
“A necessidade de voltar aos palcos é porque sei que o teatro me dá muitas respostas. Sei que o teatro me faz voltar melhor, ser uma atriz melhor para qualquer outro lugar que vá ocupar”, diz. “Só o teatro me dá liberdade artística. Quando estou à frente de um projeto, escolho tudo: com quem vou trabalhar, quem vai dirigir, quem faz a música, absolutamente tudo”, enfatiza.
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“Mudando de pele” chega a BH na programação dos 25 anos do projeto Teatro em Movimento. Os ingressos estão esgotados para as quatro sessões, hoje e amanhã, no Centro Cultural Unimed-BH Minas.
Inicialmente, o retorno de Taís aos palcos se daria ao lado do marido, Lázaro Ramos. Como a agenda do ator inviabilizou o projeto, ela decidiu seguir sozinha – ou quase. A atriz prefere definir este projeto como “solo coletivo”. Além dela, estão em cena a musicista Dani Nega, responsável pela direção musical e beats, e a instrumentista Layla, que toca ao vivo.
Para sustentar cerca de 80 minutos em cena, Taís passou a trabalhar com fonoaudióloga durante os ensaios.
A trama acompanha Mayah, prestes a completar 40 anos, que decide romper o relacionamento desgastado e deixar o trabalho que já não faz sentido para tentar reencontrar sua identidade.
Ao longo da jornada, a protagonista cruza o caminho de Mildred, jamaicana de 90 anos que participou da luta pelos direitos civis, e de Kemi, garota da Geração Z. Todas interpretadas por Taís.
“O que me encantou nesse projeto é que todas as pessoas do mundo já estiveram no lugar da Mayah, tentando se reconhecer, se encaixar, encontrar um lugar. É um assunto universal”, aponta.
'Drama para chorar'
Em 2021, a peça de Amanda Wilkin estreou em Londres. O jornal britânico The Guardian definiu o espetáculo como “maravilhoso drama para chorar”, capaz de deixar o público “emocionalmente desfeito e eufórico”.
A direção da versão brasileira é assinada pela mineira Yara de Novaes, escolhida pessoalmente por Taís. As duas haviam trabalhado juntas na preparação da atriz para viver Raquel em “Vale tudo”. A equipe da peça reúne 17 profissionais, formada majoritariamente por mulheres negras.
No remake de 'Vale tudo', Taís Araújo viveu Raquel, papel de Regina Duarte na versão original do clássico da teledramaturgia brasileira
A possibilidade de construir esse coletivo faz parte da liberdade que ela encontra no teatro. “A atriz que eu sou, a mulher que eu sou e a profissão que tenho fazem com que eu faça escolhas responsáveis. Essa responsabilidade me leva por caminhos que me satisfazem enquanto cidadã também. Isso não quer dizer que vá seguir sempre por esses caminhos, porque quero ter liberdade artística. Mas, neste momento, isso faz muito sentido”, explica.
O teatro acompanha Taís Araújo, de 47 anos, desde o início da carreira. Ela estreou nos palcos em 1993 e, desde então, participou de peças como “Caixa de areia” e “O topo da montanha”. Essa última, protagonizada por ela e Lázaro Ramos, lhe rendeu a indicação ao Prêmio Shell de Melhor Atriz.
Ela já tem planos para depois da turnê de “Mudando de pele”. Leitora assídua, diz encontrar nos livros uma fonte de inspiração.
“A literatura me ajuda muito. E a literatura preta me contempla, me encontra, eu encontro ela. A gente comunga, é muito bonito isso. Adoro a Eliana Alves Cruz. E o Agualusa, escritor africano não negro, mas que também me encontra em um lugar muito especial”, diz, referindo-se ao angolano José Eduardo Agualusa, autor de “Teoria geral do esquecimento”.
Rainha Menemi
Nos próximos meses, Taís volta às telas. Fará participação especial na novela “A nobreza do amor” (Globo) como Menemi, rainha africana que vai apoiar a princesa Alika (Duda Santos). O papel marca seu reencontro em cena com Lázaro Ramos.
No cinema, a atriz viverá Laurentina, protagonista de “As mulheres do meu pai”, adaptação do romance homônimo de José Eduardo Agualusa.
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“MUDANDO DE PELE”
Adaptação da peça de Amanda Wilkin. Direção: Yara de Novaes. Com Taís Araújo. Neste sábado (8/8), às 18h e 20h30; amanhã (9/8), às 17h e 19h30, no Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Ingressos esgotados.
