Um dos principais grupos vocais do Brasil, o Coro da Osesp está em turnê em Minas Gerais. Neste fim de semana, ele se apresenta em Mariana (hoje, 8/8, no Cine Teatro) e Ouro Preto (amanhã, 9/8, no Teatro Municipal, ingressos esgotados). Na segunda-feira (10/8), o concerto será às 19h, na Igreja São José, em Belo Horizonte, com distribuição de entradas uma hora antes.

“Quis programar músicas que evidenciassem a maravilhosa versatilidade e o espírito do Coro da Osesp. Escolhemos um repertório variado, com obras sul-americanas e europeias, rico em significado e emoção”, afirma o britânico Thomas Blunt, desde 2025 regente titular do coro de 46 vozes.

O programa passeia por diferentes períodos, a partir do Renascimento, com “Aclamai a Deus”, de Gabrieli. Passa também pelo Barroco (“Chorai, filhos de Israel”, de Giacomo Carissimi) e Romantismo (“Ave Maria” e “Cristo fez-se por nós obediente”, de Bruckner). De períodos posteriores são “Três canções shakespearianas”, de Vaugham Williams, e “Três canções de Charles d’Orléans”, de Debussy.

O repertório, na parte final, chega ao Brasil, com “Sabiá, coração de uma viola”, do maestro paulista Aylton Escobar, que fundou o Coro da Osesp em 1994, e culmina com “Suíte dos pescadores”, de Dorival Caymmi, em arranjo de Damiano Cozzella.

“Meu conhecimento do repertório brasileiro era tímido antes de assumir o cargo. Continua sendo uma curva de aprendizado intensa e fascinante, diante de tanta música a ser descoberta”, afirma Blunt.

“A turnê é uma oportunidade de cantar em espaços diferentes e históricos. É um desafio tanto para os cantores quanto para eu atuar em acústicas distintas. Como princípio básico, quanto mais longa e generosa for a reverberação que o espaço proporciona ao som do coro, mais espaço precisamos dar à música, muitas vezes adotando andamento ligeiramente mais lento. Ao mesmo tempo, precisamos trabalhar ainda mais a clareza e a dicção”, explica.

“Por ter trabalhado frequentemente em casas de ópera, dou enorme importância ao aspecto dramático, ao texto, à sua narrativa ou retórica. Isso torna as apresentações mais significativas, enriquece e dinamiza o som do coro e, em última instância, aproxima mais o público da performance”, acrescenta o regente.

Terminada a temporada, o Coro da Osesp vai permanecer em BH. Na quinta (13/8) e sexta-feira (14/8), o grupo interpreta a “Missa de réquiem”, de Verdi, junto da Filarmônica, na Sala Minas Gerais. Nos 125 anos de morte do compositor, a obra, considerada uma das peças mais fortes para corais sinfônicos, será executada sob a regência do maestro Fabio Mechetti. Até então, a orquestra só havia apresentado uma vez este programa – em 2013, no Palácio das Artes.

Orgulho

“Tenho muito orgulho de que exista interesse de outras instituições artísticas em colaborar conosco, e esse desejo certamente é correspondido pela Osesp. Tudo o que pudermos fazer para fortalecer o perfil artístico do coro e ampliar sua visibilidade é extremamente benéfico”, comenta Blunt, lembrando a “relação sólida” do grupo com Mechetti e a Filarmônica.

O concerto na Sala Minas Gerais terá quatro solistas: a soprano Camila Provenzale, a mezzo-soprano Ana Lúcia Benedetti, o tenor Giovanni Tristacci e o baixo-barítono Hernán Iturralde. O grupo de vozes contará também com o Coral Lírico de Minas Gerais.

Os ingressos estão esgotados, mas a apresentação de quinta-feira será transmitida, às 20h30, pelo canal da Filarmônica no YouTube, pela Rede Minas e pela Rádio MEC FM (87,1 em BH e Brasília; 99,3 no Rio de Janeiro).

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CORO DA OSESP

Concerto na próxima segunda-feira (10/8), às 19h, na Igreja São José (Rua Tupis, 164, Centro). Entrada franca. Os ingressos serão distribuídos a partir das 18h.

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