Virada cultural

Virada de muita música e dança

Apesar de a chuva ter cancelado atrações nesse domingo, Virada Cultural 2026 terminou com grande show de Jorge Aragão que fez o público sambar na Praça da Estação

Publicidade
Carregando...


Depois de vários transtornos causados pela chuva que surpreendeu Belo Horizonte na tarde de ontem e até cancelou atrações, a 11ª Virada Cultural terminou com uma Praça da Estação lotada de pessoas que foram ver a apresentação do sambista Jorge Aragão. Por causa do temporal, a programação desse domingo prevista para a partir das 14h foi reduzida e reorganizada. Dezesseis atrações, porém, ficaram sem indicação de novo horário ou espaço na grade atualizada.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover


Após a chuva, a programação foi retomada apenas em quatro pontos: Praça da Estação, Teatro Francisco Nunes, Palco Gramado e Espaço Portaria. Os demais deixaram de ter atrações previstas na programação original do período.



A Defesa Civil de Belo Horizonte havia emitido, às 13h, alerta para a possibilidade de pancadas de chuva, raios e rajadas de vento na capital. O temporal atingiu a cidade durante a tarde e interrompeu parte das atividades da Virada. Na Feira Hippie, na Avenida Afonso Pena, as rajadas de vento chegaram a derrubar barracas.



Ao Estado de Minas, André Lopes, produtor que estava no Palco Guaicurus, contou que a chuva molhou todos os equipamentos. “A lona que cobre o palco se dividiu em duas. Não dá para ter uma noção agora de quantos equipamentos foram perdidos”, afirmou. Equipes de som e elétrica passaram pelos palcos e confirmaram a impossibilidade de seguir com os shows.



A cantora Fran Januária, que se apresentaria no Amazonas 360º, lamentou o cancelamento. “É triste, mas são as melhores condições para a segurança de todos”, comentou.



Neste ano, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) reduziu de R$ 5 milhões para R$ 3,5 milhões o investimento destinado à realização da Virada. “Eu não trago artista pra ganhar um milhão e meio em uma noite”, chegou a afirmar o prefeito Álvaro Damião (União Brasil).



Também houve redução no número de atrações. A edição deste ano passou de cerca de 300 apresentações, em 2025, para pouco mais de 200. Nas redes sociais, parte do público reclamou da ausência de espaços dedicados a ritmos como o forró e à música eletrônica. Festas LGBT, que tiveram presença marcante em edições anteriores, também ficaram de fora do edital deste ano.



A expectativa da prefeitura, promotora do evento, era superar os 450 mil participantes registrados na edição anterior. Até o fechamento desta edição, o número oficial de público ainda não havia sido divulgado.



Eventos diversificados


A movimentação no hipercentro também foi impulsionada pela realização de outros eventos no mesmo fim de semana. Além da Virada Cultural, a região recebeu o Cura, festival de arte pública conhecido pelas grandes pinturas em empenas de prédios, e o Honk!, festival de fanfarras e bandas de rua que ocupou o espaço público da capital com apresentações gratuitas.



No meio de tantas atrações, a Virada também acabou se tornando espaço para manifestações políticas. Na noite de sábado, o Viaduto Santa Tereza, que conecta o Centro ao bairro Floresta, recebeu diferentes candidatos, sobretudo nomes ligados à esquerda.



Passaram pelo local Bella Gonçalves (PT), Dário de Moura (PSol) e Duda Salabert (PSol). O petista Patrus Ananias, candidato ao governo de Minas, também esteve no viaduto acompanhado de apoiadores. Um grupo ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desfilou pelo espaço, carregando pás e machados.



A concentração de atrações também criou uma espécie de disputa sonora no hipercentro. Só na Rua da Bahia, entre a Avenida Afonso Pena e a Rua dos Carijós, havia três palcos. Com poucos metros de distância entre eles, os sons das apresentações se cruzavam e se misturavam ao barulho dos bares e estabelecimentos do entorno.



Homenagens


A programação teve ainda espaço para homenagens a nomes importantes da música brasileira. No sábado, Vannick Belchior, filha caçula de Belchior, cantou músicas do pai ao lado do bloco belo-horizontino Volta Belchior. No palco, ela se apresentou como a filha do “bigodudo mais querido do Brasil”. O músico cearense completaria 80 anos em outubro.



No domingo, foi a vez de Laura Catarina homenagear o pai, Vander Lee, no Parque Municipal. No show “Dez anos de saudade”, a cantora reuniu músicos mineiros e contou com a participação de outros artistas mineiros. A apresentação aconteceu sob forte sol e conquistou o público.



Logo depois, a banda Tuyo enfrentou uma sequência de imprevistos. O show, marcado para 13h30, começou apenas às 14h20 por causa de um problema no microfone de uma das integrantes do trio. Enquanto o equipamento não funcionava, as artistas permaneceram no palco e ensaiaram as músicas.



Quando finalmente começaram a apresentação, o temporal chegou. O grupo conseguiu cantar apenas duas músicas antes de o show ser interrompido por questões de segurança. Parte do público que permaneceu no local chegou a se jogar na chuva e lamentou a pausa.



A Tuyo voltou ao palco às 15h40 e conseguiu concluir o show, dedicado inteiramente a músicas de Milton Nascimento. Durante a apresentação, o grupo brincou com o público ao dizer que “o perigo começa quando paraenses chegam em Minas para cantar Milton”.



Grande nomes


Entre os grandes nomes da programação, Alceu Valença levou uma plateia lotada à Praça da Estação no sábado. O nome do show, “Alceu Dispor”, resumiu o espírito da apresentação, em que o cantor pernambucano colocou sucessos da carreira à disposição do público.



O assistente administrativo Régis Bruner, morador do bairro Pompeia, na Região Leste, acompanhou o show ao lado da comadre, Cláudia Barbosa. “É um show eletrizante”, afirmou.



A programação também abriu espaço para quem queria dançar. No Viaduto Santa Tereza, o Movimento Black-A promoveu mais uma edição de sua programação dedicada às danças das décadas de 1970, 1980 e 1990. O projeto, que chegou à quarta edição e à terceira participação na Virada, propõe uma conexão entre gerações por meio da dança, com aulas abertas de estilos ligados à cultura hip hop.



No Palco Sula, o coletivo Baile Room também levou dança ao público. Durante a Virada, os integrantes ensinaram passinhos para o público. A plateia entrou na brincadeira, acompanhou as coreografias e mostrou que tinha disposição para transformar a aula em pista de dança.



Quem encerrou a Virada Cultural foi Jorge Aragão, na Praça da Estação. Depois do temporal, o público chegou a temer que a apresentação também fosse cancelada, mas o show foi mantido e acabou se tornando uma das poucas atrações preservadas na programação após a chuva.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


(Com Ana Clara Torres, Gustavo Werneck, Joana El Khouri e Pedro Naves)


Tópicos relacionados:

bh musica virada-cultural

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay