Parque Municipal abre espaço para a dança
Grupo Camaleão convida o público a participar do espetáculo "Recriar", no domingo; atrações de música, literatura e feira gastronômica completam o cardápio
compartilhe
SIGA
No Parque Municipal, a Virada Cultural ganha outros movimentos. Não é força de expressão. Entre shows, teatro, literatura, cinema, atividades de bem-estar e manifestações da cultura popular, a dança ocupa espaço de destaque na programação do local.
Ponto alto será a apresentação do Camaleão Grupo de Dança, no domingo, às 14h45, na área externa do Teatro Francisco Nunes. A companhia apresenta “Recriar”, criação coletiva dirigida por Inês Amaral e Vanilton Laca e concebida especialmente para espaços públicos, aproximando bailarinos e espectadores em uma experiência que ultrapassa os limites tradicionais do palco.
Em aproximadamente 30 minutos, os bailarinos Dalton Walisson, Isabela Guerra, Ivo Igino, John Morais e Mariana Chalfum transformam uma camiseta em objeto de investigação e brincadeira, explorando possibilidades do corpo, do movimento e da relação com o outro. Ao final, o público é convidado a entrar em cena e participar da experiência.
“A gente quer levar arte, encontrar as pessoas onde elas passam, trabalham e vivem”, afirma Marjorie Quast, fundadora do Camaleão. Ocupar espaços públicos, para ela, “é uma escolha além da poética. É política. A gente quer democratizar, popularizar a dança contemporânea, aproximando-a do público, de onde o público está”.
O próprio título da performance traduz parte da proposta. “Recriar” também se aproxima da ideia de brincar e de recreação. A criação, portanto, nasce dessas percepções e vivências dos bailarinos, do companheirismo e da possibilidade de um corpo apoiar o outro. O resultado é um espetáculo leve, pensado inicialmente para o público infantojuvenil, mas que acaba atraindo espectadores de todas as idades.
IMPREVISÍVEL
A escolha pela rua e pelos espaços abertos também significa aceitar o imprevisível. Diferentemente de uma apresentação em um palco convencional, a companhia não tem controle algum sobre o que acontece ao redor. Pessoas podem se aproximar, interromper, participar ou simplesmente atravessar a cena. Até cachorros já entraram na brincadeira, segundo Marjorie.
“Na rua, a gente tem que ficar muito mais aberta, porque isso acontece. Entra gente bêbada, entra morador de rua sem parar e quer participar”, conta. Em vez de tratar essas interferências como obstáculos, o Camaleão procura incorporá-las à experiência.
A abertura para o acaso está ligada também à ideia de encontro que a Virada Cultural pretende promover no Parque Municipal. Antes e depois da apresentação do Camaleão, a programação transita por diferentes territórios artísticos. No sábado, por exemplo, haverá shows de Vannick Belchior, Cobra Coral, Carolina Diz e Irene Dias nos diferentes palcos montados no interior do parque. Também haverá sessão de filmes no Espaço Cinema e Bem-Estar.
No domingo, Laura Catarina reúne Mariene de Castro, Sérgio Pererê, Nívea Sabino e Luizga para homenagear Vander Lee; e a banda Tuyo revisita a obra de Milton Nascimento. No Palco Patins, o domingo ainda reúne literatura, teatro e cultura de rua, com ReCrias, Emerson Carvalho e o Sarau da Queerbrada. No Espaço Fícus, mesas literárias com Katita Flor, Luciana Dutra Rocha, Myriam Letícia e Patty Martínez. A programação também contará com feira de gastronomia.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
VIRADA CULTURAL DE BH 2026
Programação completa disponível em https://portalbelohorizonte.com.br/virada.