Música

Jota Quest dispensa IA e usa voz original de Tim Maia em disco-tributo

Com 16 faixas, "Dance enquanto é tempo" marca três décadas de carreira da banda mineira e recupera gravações cedidas por Carmelo Maia, filho do Síndico

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Os mineiros do Jota Quest lançam “Dance enquanto é tempo”, disco com 16 faixas em homenagem a Tim Maia. Em 10 delas, a voz de Rogério Flausino se junta às gravações originais do Síndico. Não houve uso de inteligência artificial generativa no processo. As vozes de Tim foram cedidas por Carmelo Maia, filho do cantor, que também assina a coprodução do álbum, ao lado do baixista PJ.

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A proposta foi atualizar as canções sem mexer na essência delas. “Muito pelo contrário. A gente tinha as vozes originais, para que a gente ia usar IA? Não temos nada contra o algoritmo, nada contra ninguém. Mas esse disco não tem algoritmo”, afirma Rogério Flausino.



O vocalista diz ainda que o repertório de Tim Maia não se encaixa na lógica de formatos pensados para o consumo rápido nas plataformas digitais. São músicas com introduções longas, que pedem outro tipo de escuta.



A abertura do álbum segue essa lógica – um instrumental eletrônico com trechos de entrevistas de Tim Maia. Batizada de “Seroma” a faixa remete ao nome de batismo do cantor, Sebastião Rodrigues Maia, e também à gravadora que ele criou. “Foi uma ideia que a gente teve, uma brincadeira, e todo mundo começou a gostar”, diz PJ.



A relação do Jota Quest com Tim Maia começou em 1996. Em seu primeiro disco, a banda escolheu regravar “Dance enquanto é tempo”, música que também viria a abrir os shows da primeira turnê. Para conseguir autorização, os integrantes ligaram para Tim Maia.



“QUE MANEIRO!”


“Cara, que maneiro, pô! Essa música nunca ninguém gravou!”, reagiu o cantor, conforme lembra Flausino. Em seguida, perguntou o nome da banda, que naquele momento ainda era Jay Quest. Ao ouvir, deu a sugestão: “Esse Jay Quest não tá legal não, meu irmão”. "É o padrinho do nosso batismo", brinca Flausino.



Dois anos depois do primeiro contato com os mineiros, Tim Maia morreu, aos 55 anos, vítima de infecção generalizada. A ideia de fazer um disco dedicado ao repertório do cantor, contam PJ e Flausino, nasceu ainda naquela época e foi retomada agora para celebrar as três décadas de carreira da banda, completadas neste ano. Sete das 16 faixas já haviam sido apresentadas como singles desde dezembro.



“Dance enquanto é tempo”, segundo diz o vocalista, “virou uma espécie de hino, porque é um convite para vir dançar, vir para a pista, esquecer os problemas e se jogar na pista”.



Os encontros entre Jota Quest e Tim Maia foram poucos. Um deles ocorreu nos bastidores de um show em BH. Rogério Flausino se lembra do cantor como um sujeito simpático, divertido e engraçado, muito parecido com a figura que o público conhecia das entrevistas.



“Quem convivia com ele no dia a dia deve ter impressões que a gente não tem. A percepção que eu tive do Tim é daquele cara que fala algumas coisas engraçadas, meio doidão e tal, figura. Sempre no astral legal, sempre passando uma vibe positiva”, conta.



O repertório do novo disco combina sucessos como “Descobridor dos sete mares”, “Gostava tanto de você” e “Que beleza”. Além da voz de Flausino e do Síndico, o álbum reúne participações de Negra Li, Os Garotin, Thiaguinho, Tony Tornado e Mariana, com quem a banda canta em inglês a faixa “I don’t know what to do with myself”. A música mais “lado B” do repertório é “Estrela do meu show”, que Tim Maia regravou em 1981, a partir da versão da banda norte-americana de soul Kwick.



A aceitação de Carmelo Maia ajudou a definir os rumos do projeto. Filho de Tim, ele foi convidado pelo Jota Quest a Belo Horizonte para ouvir, no estúdio, uma primeira versão de “Acenda o farol” já com a voz original do pai. A banda ainda não sabia como ele receberia a ideia de revisitar as gravações. “Meu pai tá aqui”, reagiu Carmelo, que abraçou a proposta e passou a acompanhar de perto a produção do disco.



Para PJ, depois de 30 anos de estrada, a banda acumulou repertório e experiência suficientes para encarar o desafio de atualizar as músicas sem depender de ferramentas de inteligência artificial.



“O conhecimento que a gente já tem, que a gente foi criando... É como a gente gravava em fita antigamente, não era nem no computador, aquela fita gordona de 24 canais. Então a gente já tem esse processo todo dentro da gente. Poderíamos, sim, ter usado IA ou sei lá o quê, mas não usamos”, afirma.



Além do lançamento digital, o Jota Quest prepara uma edição em vinil duplo do álbum. A ideia é dividir as 16 faixas entre os quatro lados do disco, com quatro músicas em cada um. A previsão é que o LP fique pronto até o fim do ano.



O primeiro álbum do Jota Quest saiu em 1996, justamente no período em que a gravadora Sony Music encerrou a fabricação de discos de vinil. A banda só lançaria o formato anos depois, com os álbuns “Funky funky boom boom”, de 2013, e “Pancadélico”, de 2015. “Queremos mostrar para os nossos netos”, afirma Flausino.



O primeiro show da turnê “Jota Quest toca Tim Maia” será no Rock In Rio, em 6 de setembro.

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“JOTA QUEST & TIM MAIA – DANCE ENQUANTO É TEMPO”
• Disco da banda Jota Quest
• 16 faixas
• Universal
• Disponível nas plataformas digitais


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