Quando o pandeiro não é só instrumento de samba e inspira artistas
Com acesso gratuito, mostra "Daqui por diante" .em Montes Claros, presta homenagem a folclorista Zezé Colares, que divulgou a cidade e o estado para o mundo
compartilhe
SIGA
O pandeiro produz o ritmo no samba e em outras manifestações populares. Mas, em uma exposição em Montes Claros, no Norte de Minas, o instrumento de percussão é destaque em outra manifestação artística: a arte plástica. Até 1º de setembro, pode ser visitada gratuitamente no Montes Claros Shopping Center a Exposição de arte contemporânea "Daqui por diante – Zezé Colares: o som da tradição". A mostra reúne trabalhos de 100 artistas plásticos e profissionais do design, cada um deles com a criação em um pandeiro.
Leia Mais
Aberta na noite de terça-feira (25/8), a exposição presta homenagem à professora e folclorista Maria José Colares Araújo Moreira, a Zezé Colares, fundadora do Grupo Folclórico Banzé, falecida em março de 2020. Zezé Colares foi uma grande divulgadora da cultura do Norte de Minas e do estado, tendo sido delegada no Brasil do Conselho Internacional de Organizações de Festivais Folclóricos e Artes Populares (Cioff), organização não-governamental parceira da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Também levou o Grupo Banzé a diversos festivais internacionais de folclore em países das Américas e da Europa.
O projeto "Daqui por diante" chega à sua quinta edição. De acordo com os organizadores, a escolha do pandeiro como elemento de criação artística na exposição "estabelece uma ligação entre a produção contemporânea e a trajetória de Zezé Colares, cuja atuação esteve profundamente associada à pesquisa, ao ensino e à valorização das manifestações culturais brasileiras".
- Exposição de Dayane Tropicaos homenageia o trabalhador brasileiro
- Exposição imersiva promete levar público de BH à Roma antiga
"Em vez de ser apresentado apenas como objeto musical, o pandeiro passa a funcionar como suporte artístico e símbolo de memória, identidade e pertencimento", destaca os promotores do evento. Lembram ainda a mostra acontece logo após as "Festas de Agosto", realizadas em Montes Claros há 187 anos e que na ediçao 2026, teve como um dos destaques a presença da cantora Marina Sena (natural de Taiobeiras, na mesma região de Minas). A cantora desfilou em um dos cortejos da tradição, vestida como catopê, junto com um grupo de dançantes devoto de Nossa Senhora do Rosário.
O agente cultural Caico Siufi, um dos responsáveis pela exposição, salienta que, entre os autores dos trabalhos apresentados, além de artistas plásticos, estão profissionais do design, arquitetos e artesãos. Ele explica que a escolha do pandeiro como elemento de criação artística está ligado também ao legado da homenageada Zezé Colares, que criou o Grupo Banzé em 1968, no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez, em Montes Claros.
"Escolhemos o bandeiro como substrato porque ele está relacionado à 'bandinha da Zezé', que criou e deu origem ao Grupo Folclórico Banzé."
Alguns trabalhos apresentados
A artista plástica Márcia Prates levou para a exposição “Daqui por diante” um trabalho em pintura em azulejo com pecinhas de acrílico e lantejoulas, com o desenho de um catopé em um pandeiro. A artista também apresenta uma pintura em um pandeiro com a representação de uma rosa e de uma borboleta.
“As minhas criações representam a alegria dos catopês nas 'Festas de Agosto' e a exuberância de Zezé Colares, que gostava muito de flores. Eu peguei a rainha das coisas, que é a rosa, com a leveza da borboleta. Zezé era a exuberância da flor e a leveza da borboleta na dança”, afirma Márcia Prates.
A artista plástica Heloisa Dumont, que também é professora do curso de artes visuais da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), elaborou uma criação em um pandeiro com a figura de Zezé Colares e representações do folclore.
- Jandyra Waters: BH recebe retrospectiva inédita da artista plástica
- Festa folclórica é retratada em exposições de fotografias e artes visuais
"É muito descrever em uma imagem o que a Zezé Colares representou. A princípio, pensei em muitas coisas. Decidi fazer uma imagem dela, mais jovem, bem exuberante, em uma das fotografias mais lindas dela. Em torno da fotografia, coloquei alguns aspectos que remetem ao feitos por ela ao folclore, como 'Ora viva e reviva' da dança de São Gonçalo, as bandeirolas e o 'Bumba-meu-boi'", revela a artista plástica
"Achei fantástica a ideia dessa exposição. Zezé Colares foi uma figura muito importante para cultura de Montes Claros e de Minas Gerais. Ela levou o nome da nossa cidade e do nosso estado para todo o Brasil e para o mundo", avalia Heloisa Dumont.
Na exposição podem ser conferidas pinturas e outros trabalhos em pandeiros, com representações da homenageada Zezé Colares, do Grupo Folclórico Banzé e das "Festas de Agosto" de Montes Claros, que tem como protagonistas os grupos de catopês, marujos e caboclinhos.
Em um dos trabalhos expostos, de autoria de Jaqueline Pimenta, é retratada a antiga Igrejinha do Rosário (ponto de encontro dos grupos das manifestações populares) e representações dos grupos folclóricos.
Serviço
Exposição: "Daqui por diante – Zezé Colares: o som da tradição"
Período: de 25 de agosto a 1º de setembro de 2026
Onde: Praça de Eventos do Montes Claros Shopping
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Entrada: gratuita