Livro reconstitui os 56 anos de Fernando Sabino no Rio de Janeiro
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Conhecido como um dos escritores que melhor retrataram Belo Horizonte na literatura, Fernando Sabino (1923-2004) passou a maior parte da vida no Rio de Janeiro. Depois de deixar a capital mineira, onde nasceu e viveu até os 21 anos, o autor se mudou definitivamente para a capital fluminense em 1944. Permaneceu ali por 56 anos, até morrer, em 2004, aos 80 anos, em decorrência de complicações de um câncer no fígado.
A relação do escritor com a Cidade Maravilhosa é o tema de “O Rio de Fernando Sabino” (Autêntica), da escritora e pesquisadora Teresa Montero. A obra é o segundo volume da série em que a autora explora a ligação de grandes escritores com a capital fluminense. “O Rio de Clarice”, dedicado à relação de Clarice Lispector (1920-1977) com a cidade, inaugurou a série.
Copacabana, primeiro endereço de Sabino no Rio, abre o livro, que termina na vizinha Ipanema, bairro onde o escritor viveu por cerca de 50 anos. Entre um ponto e outro, Teresa revisita bairros e endereços que marcaram diferentes fases da vida do escritor, como Urca, Maracanã, Leme, Flamengo e Catete.
Com fotos, mapas e textos, a publicação apresenta 16 roteiros pela cidade. A pesquisa partiu da própria obra de Sabino e foi ampliada com o levantamento dos lugares por onde ele passou, como as casas onde morou, bares, restaurantes, igrejas, livrarias e residências de amigos, escritores e jornalistas. A autora também recorreu aos depoimentos dos filhos do escritor e de Anne Beatrice Estill, com quem foi casado pela segunda vez, além de entrevistar pessoas que conviveram com o mineiro.
LEME E LEBLON
Para reconstruir diferentes aspectos da trajetória de Sabino, Teresa ouviu o editor Paulo Rocco, responsável por recuperar o período em que o escritor atuou também como editor; o baterista Zezinho Dias, amigo de Sabino, que ajudou a reconstruir sua relação com a música; e moradores de bairros como Leme e Leblon.
Ao longo da pesquisa, a autora diz ter se surpreendido com a atenção de Sabino às desigualdades sociais. Segundo ela, as crônicas publicadas principalmente entre as décadas de 1960 e 2000 revelam um escritor atento à fome, ao abandono de crianças e às diferenças que conviviam em bairros hoje associados à elite carioca.
“Fiquei tocada em ver como Fernando Sabino tinha um olhar muito atento para o outro, principalmente para as pessoas mais desfavorecidas. Ele falava muito do menor abandonado, da fome, da população mais carente. Quando resgata bairros como Leblon e Jardim Botânico, mostra também as desigualdades que existiam nesses lugares”, afirma.
As amizades ocupam lugar central na narrativa. Segundo Teresa, a chegada ao Rio foi facilitada pelo Poetinha. “Ele é acolhido por Vinicius de Moraes. Depois, os mineiros vão chegando aos poucos, como Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos. Vai conhecendo Lúcio Rangel, Cândido Portinari, Oscar Niemeyer, Di Cavalcanti. Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava, que já estavam no Rio. Ele vai tecendo uma rede de relações muito importante para constituir sua vida literária”, observa.
Outro destaque do livro é a reconstrução da efervescência cultural do Centro do Rio nas décadas de 1940 e 1950. Antes da Zona Sul se tornar o principal polo da vida intelectual, o circuito literário se concentrava em espaços como a Galeria Cruzeiro, o Café Vermelhinho, a Cinelândia e o Amarelinho. “O livro recupera muito essa vida literária dos anos 40 e 50. A Zona Sul só ganha esse protagonismo mais tarde, depois da bossa nova”, afirma.
“O Rio de Fernando Sabino” será lançado neste sábado (1º/8), a partir das 11h, na Livraria Quixote, na Savassi. Além da sessão de autógrafos, Teresa Montero participa de um bate-papo com Bernardo Sabino, filho do escritor.
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“O RIO DE FERNANDO SABINO”
• Livro de Teresa Montero
• 272 páginas
• R$ 97,90
• Lançamento neste sábado (1º/8), a partir das 11h, na Livraria Quixote (R. Fernandes Tourinho, 274 - Savassi). Entrada franca.