“O rei da internet”, que estreia nesta quinta-feira (14/5) nos cinemas, apresenta a história de Daniel Nascimento, um dos principais hackers do Brasil. Antes dos 17 anos, ele esteve envolvido em uma organização criminosa que movimentou milhões de reais com clonagens de cartões e lavagem de dinheiro.
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Dirigido por Fabrício Bittar, o filme se destaca especialmente pelo estilo. Há montagens com imagens de arquivo e animações para explicar a realidade da época.
Narrado do ponto de vista de Daniel, um personagem sarcástico que comenta tudo ao redor, o longa ainda aposta na metalinguagem para debochar de si mesmo e das próprias limitações.
Para o diretor, a linguagem surgiu das entrevistas com Daniel e da necessidade de transmitir emoções à altura das vividas pelo jovem.
“Ele sempre falava da época com muita emoção, mas fiquei preocupado em como contar uma história de hacker que, no fim, se resume a alguém no computador no quarto. A gente imaginava muitas coisas, principalmente naquela internet que ainda estava sendo descoberta. Precisava mostrar muito mais a sensação e o que se passava na cabeça dele do que exatamente o que estava acontecendo”, resume.
O filme, ambientado entre 2003 e 2005, segue um modelo de ascensão e queda – no estilo de clássicos como “A rede social” (2010), “O lobo de Wall Street” (2013) e “Prenda-me se for capaz” (2002). Daniel (João Guilherme) é um jovem do interior do Paraná que sofre bullying e encontra na internet uma possibilidade de escape e ostentação.
Quando ganha um computador da família, é obrigado pelo pai a fazer um curso de informática, no qual aproveita para estudar com o objetivo de se tornar um hacker, começando logo a cometer pequenos golpes e roubos on-line.
A situação muda quando ele entra em fóruns de hackers e conhece Noturno (Caio Horowicz), responsável por recrutá-lo para um esquema criminoso comandado pelo empresário Fábio (Marcelo Serrado). Clonando cartões a partir de golpes virtuais, Daniel enriquece rapidamente, abandona a família para viver em Porto Alegre e se afunda numa rotina de excessos, que inclui sexo e drogas.
Mudança na carreira
João Guilherme, aos 24 anos, é conhecido por trabalhos infantojuvenis como a novela “Cúmplices de um resgate”, o filme “Meu pé de laranja lima” (2012) e a série “De volta aos 15”. Depois do lançamento da série “Da ponte pra lá” (2024), da HBO Max, o ator segue em direção a personagens mais adultos.
“Nós, atores jovens, mudamos muito. Meu trabalho de hoje, o de quatro anos atrás e o do ano que vem não vão ser a mesma coisa. A gente trabalha com o que tem aqui dentro. Só vivendo e experimentando a vida é que vamos nos aperfeiçoando e tendo o necessário para viver o personagem”, afirma o ator paulista.
Caio Horowicz, que interpretou o namorado de Veroca (Valentina Herszage) em “Ainda estou aqui” (2024), conta que se surpreendeu com a construção do personagem Noturno. “Imaginei aquele cara encapuzado, vestido de preto, mexendo no computador. Mas a chave virou quando o Fabrício falou que queria fazer luzes no meu cabelo. A primeira cena dele é na praia, em um quiosque”, diz.
Baseado na biografia “DNpontocom: A vida secreta e glamourosa de um ex-hacker”, escrita por Daniel e Sandra Rossi, o roteiro é assinado por Fabrício Bittar e Vinícius Perez e acompanha a vida do crime pela percepção do jovem.
O impacto dos golpes nas vítimas aparece menos do que a ambição de Daniel de construir uma identidade própria e escapar da vida simples levada pelo pai, dono de uma pequena distribuidora em uma cidade do interior.
Segundo Fabrício, a relação familiar não está descrita no livro, mas surgiu do interesse do diretor, sendo construída a partir de entrevistas feitas com Daniel. “Me intrigava como esse menino foi para Porto Alegre e o pai deixou”, comenta. Para ele, o pai representa “um polo de honestidade”, algo que muitas vezes não é valorizado na sociedade.
Lançado cerca de uma década após a publicação do livro e a compra dos direitos por Fabrício Bittar, “O rei da internet” é lançado “em um momento propício para a gente se questionar sobre essa terra de ninguém”, conforme afirma Caio Horowicz.
O ator diz esperar que o filme provoque debates sobre anonimato e responsabilidade nas redes. “Tenho esperança de que a gente possa regulamentar as redes sociais e responsabilizar crimes na internet. Que a gente possa revelar o anonimato que está justificando atitudes que, na vida real, não são justificáveis. São tempos complexos e todo mundo é um pouco responsável, porque se aproveita de alguma forma das brechas da internet”, opina.
“O REI DA INTERNET”
(Brasil, 2026, 135 min.). Direção: Fabrício Bittar. Com João Guilherme, Caio Horowicz e Marcelo Serrado. Estreia nesta quinta-feira (14/5), em salas dos shoppings BH, Boulevard, Cidade, Contagem, Del Rey, DiamondMall, Itaúpower, Minas, Monte Carmo e Pátio Savassi.
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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes.
