Acessibilidade nos cinemas: pesquisa inédita revela o que falta no Brasil
Estudo pioneiro mapeia os desafios para tornar a experiência do cinema verdadeiramente inclusiva e acessível para todos os públicos no país
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A Universal Pictures e a Warner Bros. Pictures, em colaboração com o hub Acessara, divulgaram os resultados da Pesquisa nacional de acessibilidade nos cinemas. O levantamento é o primeiro a mapear as barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência nas salas de exibição brasileiras.
O estudo ouviu mais de mil pessoas e registrou mais de 28 mil respostas, mobilizadas por meio de campanhas on-line e ativações em eventos do setor. O objetivo foi reunir dados concretos para orientar melhorias na infraestrutura, no atendimento e na experiência audiovisual.
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Entre os participantes, 51% eram pessoas com deficiência. Desse grupo, 39% tinham deficiência física; 29%, deficiência auditiva ou surdez; 20%, Transtorno do Espectro Autista (TEA); e 16%, deficiência visual ou cegueira. A maioria dos respondentes tinha entre 25 e 44 anos, com predominância das gerações millennial e Z.
Frequência e representatividade
A pesquisa revelou que 47% dos entrevistados frequentam o cinema de duas a cinco vezes por ano. No entanto, 23% das pessoas com deficiência vão às sessões menos de uma vez anualmente. Pessoas com TEA registram a menor taxa de comparecimento.
A percepção de pertencimento também foi analisada. Para 58% dos participantes, a representatividade em produções audiovisuais ainda é superficial. Além disso, 59% raramente se identificam ou percebem a presença de pessoas com deficiência nos filmes que assistem.
Iniciativas práticas
Iniciada no ano passado, a parceria entre os estúdios e a Acessara busca tornar todos os materiais de cinema mais acessíveis, desde trailers até os filmes exibidos. Atualmente, todos os lançamentos já contam com recursos como legendas descritivas, tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e audiodescrição.
"Não há transformação se não colocarmos as ações em prática. Acreditamos que a integração acontece de fato na experiência e esperamos que este material possa contribuir para um acesso amplo à cultura, um direito humano fundamental", destacam Amanda Lyra, CEO da Acessara, e Alessa Paiva, diretora de Estratégia da consultoria.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.