Olympia Angélica de Almeida Cotta (1989-1976), conhecida como Sinhá Olympia, contava histórias entre a ficção e a realidade, enquanto caminhava pelas ruas de Ouro Preto. Com roupas enfeitadas, inspiradas em trajes do Império, encantava turistas do Brasil e do mundo.

Olympia Cotta, com seu visual excêntrico, tornou-se 'cartão-postal' de Ouro Preto. Em 2026, completam-se 50 anos de sua morte

Eugenio Silva/O Cruzeiro/EM D.A Press/1957

A presença enigmática e quase mística daquela mulher fascinou a atriz Ângela Mourão, do Grupo Teatro Andante. Ela protagoniza a peça “Olympia”, com texto de Guiomar de Grammont e direção de Marcelo Bones, que volta ao cartaz na Funarte MG, desta quinta-feira (5/2) a domingo (8/2), na programação da Campanha de Popularização Teatro e Dança.


“Essa figura diferente, estranha, alegre e engraçada faz parte da memória de Minas Gerais, da nossa cultura”, conta Ângela.

Desde a estreia, em 2001, a peça está em circulação ininterrupta, com apresentações em diferentes regiões do Brasil, além da Colômbia, Argentina, Espanha e Portugal.

“É um espetáculo muito contemporâneo, não é antigo. Mistura dança, canto e música, o que lhe deu consistência para permanecer tão vivo durante esses 25 anos, sem parar. Estou voltando a Belo Horizonte, depois de dois anos. Nesse período todo ficamos rodando por aí, pelo Brasil e o mundo”, afirma a atriz.

  • OUÇA A VOZ DE DONA OLYMPIA NA CANÇÃO QUE TONINHO HORTA DEDICOU A ELA:

Olympia Cotta nasceu em família de 13 filhos, morava em Ouro Preto. Segundo Ângela Mourão, estudou em boas escolas, sabia ler e, com algumas pessoas, falava francês. A partir dos anos 1950, passou a percorrer ruas ouro-pretanas usando chapéus, vestidos como os de damas da corte – ela nasceu na transição entre Império e República.

Dona Olympia “customizava” o que encontrava nas ruas, como papéis de bala e tampinhas, anexados a seu figurino.


“Ela tinha muito dessa herança do Império, especialmente em Ouro Preto, onde ficava a sede do governo de Minas Gerais, havia também a questão em volta do ouro. Ela se aprontava, ia para as praças, surgia gloriosamente com suas roupas, chapéus e cajados para contar histórias”, explica a atriz.


A peça mescla realidade, ficção e os delírios da protagonista. “Tem hora em que estou fazendo a narradora, depois Olympia. Tem hora em que coloco a máscara e às vezes sou eu mesma dialogando com a história”, afirma Ângela.


A senhora mineira ficou famosa, retratada no documentário “Dona Olympia de Ouro Preto” (1970), de Luiz Alberto Sartori. Toninho Horta e Ronaldo Bastos escreveram a canção-tema do filme (com direito à voz dela revelando seus “martírios”), gravada por Milton Nascimento no álbum “Clube da Esquina 2” (1978) e por Toninho no disco solo “Terra dos pássaros” (1980).

Em 1990, Dona Olympia ganhou homenagem da Mangueira no carnaval carioca, virou personagem do enredo “E deu a louca no Barroco”. Em 2026, completam-se 50 anos da morte desta mulher, que Rita Lee considerou “a primeira hippie do Brasil”, e os 25 da peça dedicada a ela.


Detalhe: muito antes da era das selfies, Dona Olympia já posava com famosos. Em 1960, foi fotografada com o casal de filósofos Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, que visitou Ouro Preto a convite de Jorge Amado.


“OLYMPIA”


Peça com Ângela Mourão. Desta quinta-feira (5/2) a domingo (8/2), às 19h, na Funarte MG (Rua Januária, 68, Centro). Ingressos: R$ 25, no site Vá ao Teatro e postos da Campanha de Popularização nos shoppings Cidade, Pátio Savassi e Monte Carmo. Na bilheteria, eles custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).

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* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

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