Nascido em BH, Rodrigo Delage passou boa parte da infância em cidades do Norte de Minas, como Pirapora, por exemplo. Um dos expoentes da viola contemporânea, o músico manda para as plataformas digitais uma trilogia de singles autorais inéditos. “Carranca” já está rodando no streaming; “Canoa velha” e “Viva meu povo” serão lançados, respectivamente, nesta sexta-feira (22/3) e em 19 de abril.


“São três singles que estou lançando de uma forma isolada, mas que se conectam. Optei por fazer lançamentos separados porque são concepções diferentes, com cada música abordando uma linguagem da viola e, ao mesmo tempo, estão sempre interligadas no universo da cultura popular, principalmente pela do Vale do Rio São Francisco. Eu fui criado em Pirapora, às margens do Velho Chico, e de lá veio esse meu interesse pelo instrumento e pela cultura popular, com o folclore como um todo", explica Delage.

 




Ele lembra que “Carranca” homenageia as carrancas do Rio São Francisco, em especial a obra do Mestre Guarany, considerado o maior carranqueiro do Brasil. "Ele produziu cerca de dois terços das carrancas navegadas no Rio São Francisco. Eram figuras de proa, que ornamentavam as embarcações e faziam o comércio no rio até a década de 1940. Mestre Guarany me influenciou muito por meio das carrancas que ornavam a minha casa em Pirapora e da cultura que a envolve como um instrumento de proteção", destaca o violeiro.


CABOCLO D’ÁGUA

 

Delage explica que, segundo a crença geral, carrancas têm a função primordial de proteger o remeiro nas travessias realizadas no médio São Francisco para o transporte de cargas. "Acredita-se que ela afugentava os seres fantásticos do rio, como Caboclo d’água, Minhocão, Serpente de Asas, enfim, todos os mitos que povoavam o imaginário do ribeirinho. Com base nessa crença que também é minha, de proteção em relação ao sobrenatural e homenageando a obra do Mestre Guarany, fiz ‘Carranca’."


A canção, inclusive, é no estilo de roda de samba do Recôncavo Baiano, já que Mestre Guarany era de Santa Maria da Vitória, cidade às margens do Rio Corrente, afluente do São Francisco. No single, Mariah Carneiro dividiu os vocais com Delage.


Já “Canoa velha”, conta com a participação do cantor, compositor e violeiro Wilson Dias, que a gravou inicialmente. Delage lembra que o artista fez a melodia de um dia para o outro.


"Ele me ligou no dia seguinte dizendo que iria retirar uma das músicas do disco dele para colocar a nossa. Fiquei muito feliz, pois é uma letra forte que fala do amor como fonte inesgotável de cura. Por isso, acho que essa composição foi tão tocante no período pandêmico e vem emocionando as pessoas. Wilson Dias gravou com a participação da cantora Leopoldina Azevedo e no meu single o convidei para dividir os vocais comigo."

 

Queluz


“Viva meu povo”, o terceiro single, um toque de viola gravado em uma autêntica viola de Queluz, que era fabricada pela família Meireles, no início dos anos 1900, na antiga cidade de Queluz de Minas, hoje Conselheiro Lafaiete. “Essa viola chegou às minhas mãos por meio de Max Rosa, pesquisador e luthier das violas de Queluz, que me deu de presente, com o compromisso de restaurá-la. Fiz uma gravação só com ela e o violão do Wallace Gomes. Foi uma gravação bem singular para remeter mesmo à linguagem antiga desse instrumento”, detalha.


Com “Via meu povo”, Delage fecha a trilogia e se diz feliz com o resultado do trabalho. As músicas têm produção e direção de Pedro Gomes e Wallace Gomes. Além de Delage (viola e voz), participaram também as gravações, Daniel Guedes (percussão), Thamiris Cunha (clarinete), Wallace Gomes (violões), Pedro Gomes (coro), Camila Rocha (baixo) e Luadson Constancio (piano).


CARRANCA”, “CANOA VELHA” E “VIVA MEU POVO”
De Rodrigo Delage. Os dois primeiros singles estão disponíveis nas plataformas digitais nesta sexta (22/3). “Viva meu povo” será lançado em 19 de abril.

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