A saga “Fazendo meu filme” está para os brasileiros como “O diário de uma princesa” está para os americanos. Após mais de 10 anos de espera, veio aí! A partir da próxima quarta-feira (14/2), os fãs do casal literário Fani e Leo poderão conferir a adaptação de “Fazendo meu filme”, da autora belo-horizontina Paula Pimenta, na plataforma Prime Vídeo.

Lançado em 2008, o livro infantil-juvenil marcou toda uma geração ao abordar problemas adolescentes, clichês românticos e retratar o valor da amizade. Ambientado em Belo Horizonte, o livro conta a história de Estefânia (ou melhor, Fani), uma adolescente de 16 anos, apaixonada por cinema e com uma vida digna de um roteiro de filme “cinco estrelinhas”. Com mais de 750 mil exemplares vendidos e com fãs espalhados pelo Brasil e no exterior, a saga cor-de-rosa tem mais quatro títulos que completam a série.



Influenciando o hábito da leitura, a obra marcou a vida da belo-horizontina Gabrielle Letícia Campos de Oliveira, de 20 anos. “Conheci ‘Fazendo meu filme’ através de uma amiga da escola que me indicou. Eu nunca tinha lido um livro que me fizesse sentir tão imersa e encantada com a história. FMF me abriu as portas da leitura e, desde então, continuo apaixonada por esse mundo”.

O mesmo ocorreu com a paulista Mayara Tavares de Proença, de 21. “Quando eu tinha por volta de 13 anos, conheci a saga de livros e me interessei na hora, pois era algo diferente do que nos era proposto na escola. Era uma leitura mais dinâmica e com a qual eu me identificava mais. Hoje já tenho quase 22 anos e ainda tenho visto pessoas da minha idade falando sobre o livro e o filme.”

A capital mineira aparece no filme, em cenas com visão panorâmica de pontos turísticos, como a Lagoa da Pampulha e a Praça da Liberdade. “Vemos muito Belo Horizonte no filme, porém, como as gravações foram feitas no meio da pandemia, a maior parte gravamos nos estúdios e, por aqui, foram cenas aéreas da cidade”, conta a escritora. O filme se passa numa BH dos anos 2000, fazendo jus às descrições nostálgicas da vida adolescente na época na capital mineira, bem ao estilo Paula Pimenta.

O casal de protagonistas é interpretado por Bela Fernandes e Xande Valois. “Uma curiosidade é que lá em 2010 me perguntaram como eu imaginava a Fani e, para mim, ela sempre foi muito parecida com a Narizinho do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”. Quando assisti ao filme, fiquei impressionada com o quanto a Bela ficou parecida com a Narizinho. Foi tudo feito com muito amor, tudo se encaixou magicamente.”

A seguir, Paula Pimenta fala sobre o processo de transposição de seu livro para a tela.

“Fazendo Meu filme” marcou uma geração inteira. Como foi lidar com a pressão e as expectativas em relação ao filme?
Foi um período muito complicado, esse filme vem sendo pedido pelos fãs há anos. Quando lançamos quem seriam os atores, ainda demorou bastante para realmente começar as gravações, parecia até que era mentira (risos). Porém veio a pandemia, e o pessoal ainda me cobrava, gente muito agressiva até.

Mas o que aconteceu foi que o cinema não se aqueceu depois do isolamento imposto pela COVID. Esperamos o melhor momento para lançar a adaptação. Mas como ele não apareceu, resolveram sair direto no streaming para ter um alcance maior, com lançamento mundial. Estou um pouco triste, pois queria essa emoção de estar no cinema e ver as reações. Mas fico feliz pelos leitores do mundo inteiro poderem assistir simultaneamente. Então, se a audiência for boa, teremos o “Fazendo meu filme 2”!

Desde quando existe a ideia do filme e como foi vê-lo sair do papel?
Há anos os leitores me pedem o filme, então vê-lo tomar forma é uma sensação muito mágica. Um livro que escrevi lá atrás, em 2005, e olha só onde chegou! Como eu ia imaginar isso? É gratificante e extremamente emocionante.

Uma das características mais marcantes da Fani é o amor pelo cinema. Você acha que a Fani dos dias de hoje seria uma fã do streaming?
Acredito que a Fani manteria um blog para falar de filmes e continuaria com a coleção de DVD’s. Ela tem uma vibe mais retrozinha, porém acredito que, com certeza, ela usaria bastante os streamings.

Inclusive, devido ao lapso temporal do lançamento do livro até o filme, foi uma discussão muito grande se deveríamos modernizá-lo ou não, mas entendemos que iria perder a essência, sabe? Então no filme vocês irão viajar para o começo dos anos 2000, com o telefone fixo, os figurinos, os CDs, os DVDs e tudo mais.

Que detalhes você fez questão de manter no filme?
Nossa, acho que tudo. Vocês vão ver o quanto está fiel ao livro, não faltou nada. Participei de todos os processos, “Fazendo meu filme” é meu queridinho, então eu queria que ficasse bem fiel. Inclusive coloquei no contrato que queria aprovar tudo, de figurinos a trilha sonora.

O diretor (Pedro Antônio) foi uma grande surpresa também. Entendo que normalmente o diretor quer colocar a assinatura dele no filme. E assim o aspecto da fidelidade fica um pouco esquecido. Porém o Pedro Antônio viu o quanto o filme era importante para mim e para os leitores. Várias coisas que não estavam no roteiro, na hora no set, ele estava com o livro nas mãos e colocava mais detalhes na cena. Foi uma sinergia para tudo ocorrer de uma maneira especial.

Há chance de vermos “Minha vida fora de série” nas telas também?
Me cobram demais isso! Mas hoje eu prefiro terminar a série de “Fazendo meu filme” primeiro. Até porque quero que “Minha vida fora de série”seja assim como esse filme e que eu possa me envolver muito, o que não conseguiria fazer com a série em andamento. Vou esperar mais um pouquinho, mas vai ter, com certeza, porque todo mundo quer isso (risos). 

*Estagiárias sob supervisão da editora Silvana Arantes

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