José Fernandes Filho*
Olavo Romano, que brindou a vida com sua sonora gargalhada. Paulo Lott, que enfrentou a vida, quase anônimo, em modesta caminhada. Ambos íntegros, dignos, prontos para a hora, qualquer que fosse ela ou o seu sabor. Pacificados, ambos, símbolo e exemplo. Na Secretaria de Educação, no Sindicato dos Jornalistas, na Academia.
Partiram. Quase no mesmo dia. Resignados, realizados, concluídos.
Chamados, convocados, requisitados? Viajaram para o longe. Foram cedo, antes do tempo, ou na hora exata, tarefas cumpridas?
Quem, entre os humanos, conhece o depois?
Quem o sente, quente ou frio, de luzes ou sombras? Mistério ou transparência? Silêncios perpétuos ou suaves brisas?
O jornalista Paulo Lott morreu aos 90 anos, no último dia 12
Ela chegou, discreta, calada, sem aviso prévio. Poderosa, não carece de anúncios. Talvez lhes tenha apontado o indicador: Você, você.
Na Terra, unidos, um apoio ao outro, por mais de meio século.
No longe, haverá tempo? Juntos, separados? Não morreram: suas vidas, pesado fardo, interrogam e acicatam. Até quando suportaremos a inquiridora cobrança?
Dia virá – todos esperamos – em que só haverá cinza depois do fogo; claridade, no lugar de escuridão; paz, ao invés de guerra. Epifania. Ressurreição dos mortos.
* Ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais e membro da Academia Mineira de Letras
